Ala de Rei

a opinião e a crítica sobre a legalidade e a justiça no xadrez e no desporto em geral.

Estatísticas do desporto em Portugal

No Comments »

Em 1996, pouco mais de 260 mil portugueses estavam inscritos em federações desportivas. Doze anos depois, o número quase duplicou e atinge agora os 492 mil. Este é um dos dados mais significativos das estatísticas que o Instituto do Desporto de Portugal (IDP) apresentou hoje no Jamor e a que o PÚBLICO teve acesso.

Esta quase duplicação, que significa que actualmente 4,63 por cento dos portugueses praticam formalmente desporto, é a boa notícia. A má é que Portugal continua longe do topo da Europa. Um relatório elaborado para a Presidência francesa da União Europeia (UE) no final do ano passado, a cuja versão preliminar o PÚBLICO também teve acesso, demonstra que apenas cinco países da UE (ainda a 25) tinham taxas de praticantes inferiores à portuguesa em 2005: Lituânia (2,7 por cento), Hungria (2,2), Bulgária (1,1), Roménia (1) e Polónia (0,3).(…)

Ouvido pelo PÚBLICO, Laurentino Dias, secretário de Estado da Juventude e do Desporto, reconhece que há «um grande potencial de crescimento» em Portugal, sublinhando a importância de captar as crianças e jovens. «O problema de Portugal é a falta de hábitos desportivos da população. E esses hábitos criam-se nas primeiras idades», defende Laurentino Dias, argumentando que esse problema se resolve com medidas como a introdução da prática desportiva nas escolas, como aconteceu «no primeiro ciclo do ensino básico, em que 333 mil crianças tiveram actividade física desportiva».
O governante espera que Portugal venha a colher, a “médio e longo prazo”, frutos de medidas como esta, de forma a poder aproximar-se do topo da Europa.

Laurentino Dias, por outro lado, defende que há uma «recuperação face à média europeia», graças ao crescimento da última década, e apresenta algumas explicações. «A primeira razão é que, em 12 anos, aumentou muito o número de instalações desportivas disponíveis. Em quatro anos, abrimos 545.000 m2 de área desportiva e fez-se muito mais ao longo desses últimos 12. A segunda razão é que há um conjunto de novas modalidades, como surf, triatlo, orientação, canoagem e remo, que cresceram muito e há 12 anos quase não tinham expressão».

O estudo que será hoje apresentado demonstra ainda que a prática desportiva está ainda muito concentrada no género masculino. Dos 491.564 atletas federados em 2008, 77 por cento eram homens e apenas 23 mulheres. O número de atletas femininas, no entanto, tem crescido mais depressa. Em 1996, as mulheres representavam apenas 15 por cento dos praticantes.

Futebol domina

Outro ponto relevante nas estatísticas recolhidas pelo IDP é o facto de haver uma quebra da percentagem de praticantes nas idades de juniores (17, 18 anos), o que é explicado por Laurentino Dias como uma consequência do facto de os clubes «diminuírem o número de equipas nos juniores e seniores».

Todos estes dados vão ser editados em livro em Setembro, incluindo também as estatísticas dos praticantes por modalidades. Os dados provisórios de 2008 – relativos a todas as federações com utilidade pública desportiva, incluindo instituições que habitualmente não são associadas a desporto de alta competição, como a federação de campismo e montanhismo ou a federação de columbofilia – mostram que o futebol lidera de forma destacada. É a única modalidade que supera os 100 mil praticantes, com 141.958 atletas inscritos (incluindo o futesal). A segunda maior é o voleibol e a terceira o campismo e montanhismo, federação que junta actividades campistas com desportos como alpinismo e escalada.

A quantidade, no entanto, não é sinónimo de qualidade. Várias das modalidades em que Portugal tem assegurado o apuramento olímpico estão fora do top-20, como é o caso dos trampolins (3679 atletas federados), ténis de mesa (3142), taekwondo (3074), vela (2887), canoagem (2223), remo (1633), badminton (1301), triatlo (972), esgrima (670) e tiro com arco (294).

Ver a infografia das Estaísticas de Desporto em Portugal.

[O Xadrez segue em 20º com 4081 praticantes, segundo dados de 2008]

Lido no Público.

Ministério dos Desportos de Angola hierarquiza as modalidades desportivas utilizando a prioridade por objectivos como técnica de gestão

No Comments »

O programa de priorização de modalidades para esta Olimpíada, que está em fase de recolha de contribuições até Setembro, tem por objectivo uma melhor rentabilização dos recursos disponíveis visando potenciar o desporto nacional, indicam os proponentes.

AngolaDe acordo com o estudo proposto pelo Ministério da Juventude e Desportos aos agentes desportivos, a priorização visa orientar as modalidades para a observância da estratégia de desenvolvimento desportivo até ao ano 2012 (uma Olimpíada).

Os proponentes sustentam que a priorização por objectivo é uma técnica de gestão que tende a ordenar, neste caso, as modalidades desportivas.

A sua utilização justifica-se pela exiguidade de recursos e pela necessidade destes serem melhor rentabilizados visando potenciar o desenvolvimento desportivo nacional.

Recorrendo a critérios que balanceiam os resultados de cada modalidade num determinado período, «procura-se com esta proposta pôr fim à subjectividade utilizada no passado como padrão para o mesmo fim em que as modalidades eram escolhidas sob pretexto elitista de algumas práticas serem melhores do que outras, por estratégia política ou de outra razão qualquer», lê-se no documento.

Para o efeito, o estudo elege domínios como organização federativa, actividade competitiva nacional (campeonatos nacionais), participação em competições internacionais (Africanos, Pan-Africanos, Mundiais, Jogos Olímpicos) para hierarquizar as modalidades.

Com base nestes domínios, três grupos foram constituídos, tendo em conta o total de pontos angariados em cada item seleccionado.

O primeiro grupo comtempla modalidades colectivas e outras individuais, agrupadas unicamente em função da soma da pontuação obtida – acima de 2150 pontos) nos diversos itens. Está composto por futebol, andebol, basquetebol natação, atletismo, xadrez e comité paralímpico angolano.

O segundo grupo é composto por modalidades (com pontuação entre 765 e 2150) cuja implantação no tecido desportivo nacional pode ser estrategicamente melhorada, visando aumentar os resultados positivos em todos os escalões. Fazem parte as modalidades hóquei em patins, judo, lutas, ténis de mesa, ciclismo, ténis, voleibol e boxe.

O último grupo (3) integra modalidades (com pontuação situada abaixo dos 765) que foram perdendo praticantes (ginástica e vela), a tal ponto que a continuidade das respectivas federações não tem base de sustentação.

O estudo refere que o aspecto comum entre elas prende-se com a necessidade de sofrerem (profunda) reestruturação, que lhes permitam ter maior agilidade e eficácia na promoção e aumento de praticantes. São modalidades agrupadas aqui o futsal, karaté do, taekwondo, tiro, vela e ginástica.

Este programa foi apresentado em Maio passado durante o Conselho Superior do Desporto, realizado no Huambo, tendo saído a recomendação de o MJD prosseguir a auscultação aos agentes directos a fim de reunir consenso e os resultados serão apresentados em Setembro.

Neste estudo, o futebol tem tratamento especial, já que é a única modalidade que não é avaliada pelos critérios pré-definidos, mas incluído na primeira linha de prioridades por ser um «importante factor de unidade nacional».

Despacho da ANGOP.

«Marketing desportivo. Para todos os tipos de verba»

No Comments »

Marketing Esportivo. Para todos os tamanhos de verba é um artigo constsnte do número 9 da  revista do CENP (Conselho Executivo das Normas-Padrão), integrado no tema de capa.

O marketing esportivo tem se revelado uma ferramenta muito especial para a comunicação publicitária, inclusive pela capacidade de queimar etapas na construção de marcas.

Por isso, a associação entre o marketing esportivo e a publicidade é cada vez mais intensa e bem sucedida, atraindo verbas de grandes, médios e pequenos anunciantes (quem disse que o marketing esportivo só está ao alcance de quem tem muito dinheiro para investir?) e renovando os desafios para as agências (quem disse que elas não têm um papel importante a desempenhar?), pois o marketing esportivo gera resultados tanto maiores na medida em que se associa às ferramentas mais tradicionais da comunicação publicitária.

A revista co CENP foi acedida através do sítio da Federação Sul-Matogrossense de Xadrez (FESMAX).

O Xadrez não tem «visibilidade e prestígio» do ponto de vista do marketing desportivo, segundo um estudo brasileiro.

No Comments »

Recebi de Orlando Silvestre Filho, presidente da Federação Sul-Matogrossense de Xadrez (FESMAX), a quem agradeço reconhecido, o envio de um estudo sobre marketing desportivo, realizado pela empresa brasileira J. Cocco Sport Marketing.

O estudo é muito interessante, porquanto, nos apresenta, como nos diz a sua autora, não apenas a abordagem do entretenimento e lazer mas sob «um enfoque empresarial».

Esta empresa dedica-se há mais de 30 anos nas actividades de administração, deporto e marketing, tendo criado o Rank port Marketing, que, segundo afirma,  é «a única ferramenta disponível e confiável para avaliação e adequação do patrocínio desportivo».

A J. Cocco Sport Marketing «utiliza o PhotoMind, um processo que fotografa e mede o grau e a qualidade de memorização que os espectadores tiveram após a realização de um evento».

O estudo foi realizado no Brasil, como se pode comprovar com o «ranking geral genérico de adequação das modalidades ao marketing desportivo». Mas, pela listagem apresentada nada indica que em Portugal fosse muito diferente, salvaguardando as modalidades mais populares de cada país.

Entre 55 modalidades, o xadrez aparece no modestíssimo 38º lugar neste estudo de Abril de 2009, descendo dois lugares em relação ao estudo de Outubro de 2006.

O estudo é efectuado de acordo com 20 critérios, entre os quais adequação aos sexos, às faixas etárias e sócio-económicas, cobertura geográfica e população potencial e praticante, qualidade da marca da modalidade, visibilidade da imprensa, consolidação da modalidade, entre outros.

Ranking geral genérico de adequação das modalidades ao marketing esportivo (o Ranking é atualizado permanentemente).

 

ESPORTE

Ranking

Abril 2009

Ranking

Out 2006

1º | FUTEBOL

1479

1533

2º | VOLEIBOL

1366

1395

3º | AUTOMOBILISMO

1349

1400

4º | TÊNIS

1194

1219

5º | GINÁSTICA

1149

1376

6º | GOLF

1098

1118

7º | HIPISMO

1054

1005

8º | MOTOCICLISMO

975

961

SURF

952

913

RADICAIS

920

851

CICLISMO

916

820

ATLETISMO

914

884

POLO

906

945

FUTSAL

892

869

DESPORTOS AQUÁTICOS

868

950

HANDBALL

787

833

TRIATHLON

773

816

VELA E MOTOR

771

865

PARAQUEDISMO

725

805

BICICROSS

700

800

ESQUI AQUÁTICO

650

737

SKATE

601

613

BASQUETE

582

914

VÔO A VELA

567

660

JUDÔ

539

654

BASEBALL E SOFTBALL

518

529

TIRO ESPORTIVO

485

648

TÊNIS DE MESA

483

485

HOQUEI E PATINAÇÃO

442

590

BADMINTON

436

526

PESCA DESP.SUBAQUÁTICOS

435

586

DESPORTOS NA NEVE

424

581

ESGRIMA

421

582

SQUASH

389

587

PENTATLO MODERNO

383

535

REMO

381

501

DESPORTOS NO GELO

360

517

38º | XADREZ

344

525

HOQUEI S/ GRAMA E INDOOR

332

502

BOXE

327

483

RUGBY

317

440

DESPORTOS UNIVERSITÁRIOS

315

418

TAEKWONDO

306

656

ORIENTAÇÃO

276

428

LEVANTAMENTO DE PESO

276

441

TIRO COM ARCO

271

429

CAPOEIRA

267

439

CANOAGEM

255

470

KARATE

252

412

JIU-JITSU

250

410

KUNG FU WUSHU

249

432

CULTURISMO E MUSCULAÇÃO

248

478

LUTAS ASSOCIADAS

246

406

CAÇA E TIRO

214

359

55º | BOLICHE

191

406

     

 

Fonte: Rank Sport Marketing

Este estudo é esclarecedor da situação actual do xadrez enquanto desporto, em especial como a modalidade é vista de fora, pela população e pelos patrocinadores desportivos. O xadrez não é atractivo para patrocinar, apoiar ou simplesmente dar a cara por ele.

Artigo citado na página da FESMAX.

O Governo considera o Xadrez «uma modalidade desportiva individual»

No Comments »

Gabinete do Secretário de Estado da Juventude e do Desporto

 

Despacho n.º 3203/2009

 

Nos termos e para os efeitos do disposto no n.º 3 do artigo 26.º e no artigo 64.º, ambos do Decreto -Lei n.º 248 -B/2008, de 31 de Dezembro, ouvido o Conselho Nacional do Desporto, determino:

 

São modalidades desportivas colectivas o andebol, o basebol e softbol, o basquetebol, o corfebol, o futebol, o hóquei em campo, a patinagem, o rugby e o voleibol;

São modalidades desportivas individuais, todas as restantes.

 

14 de Janeiro de 2009. — O Secretário de Estado da Juventude e do Desporto,

Laurentino José Monteiro Castro Dias.

 

Publicado no Diário da República, 2.ª série, n.º 17,  26 de Janeiro de 2009

Ver Despacho n.º 3203/2009 (Lista das Modalidades Colectivas e Individuais)