Ala de Rei

a opinião e a crítica sobre a legalidade e a justiça no xadrez e no desporto em geral.

O MN António Pereira dos Santos é o seleccionador nacional de xadrez

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O MN António Pereira dos Santos é o novo seleccionador nacional de xadrez (não jovem) de Portugal.

Terá a responsabilidade imediata de escolher os membros das selecções nacionais absoluta e feminina que irão participar nas próximas Olimpíadas de Xadrez, a disputar em Khanty-Marsiysk, na Sibéria, de 20 de Setembro a 4 de Outubro.

Deverá, igualmente, dentro das suas funções, propor à FPX, um novo Regulamento das Representações Nacionais que substitua o actual que ajudou em muito à trapalhada a que assistiu há 2 anos atrás.

A escolha do mestre nacional António Pereira deos Santos é uma garantia de seriedade,  rigor e transparência na selecção e acompanhamento dos elementos a escolher sem suspeições de influências e benefícios pessoais, como aconteceu nas Olimpíadas de Dresden, na Alemanha, em 2008.

Não escondo a admiração pessoal, desportiva e técnica pelo seleccionador escolhido – conheço-o há cerca de 35 anos - mas tal facto, não me impede de reconhecer que a opção foi a mais acertada que o xadrez actual exigia e podia proporcionar de momento.

Goste-se ou não da escolha de António P Santos, todos reconhecem nele, a competência, frontalidade e rigor com que defendeu os seus pontos de vista sobre as selecções nacionais e que terá sido, a meu ver, a razão do convite que lhe foi dirigido.

Era um crítico à situação anterior, foi convidado para pôr em prática aquilo que defende e escreveu no passado recente -  «A minha posição sobre o assunto» – o testemunho do MN António P Santos sobre as selecções olímpicas para Dresden 2008 - nada mais lógico.

Presumo ser uma escolha pessoal do Presidente Jorge Antão. Tenho dúvidas que a escolha tivesse sido pacífica ou pelo menos unânine, mas, pelos vistos, triunfou o reconhecimento da seriedade e do rigor que o cargo de seleccionador nacional exigem.

Não é possível, em nome de uma participação séria, digna e respeitada da nação que representam, aceitar escolhas de pessoas que pouco têm a ver com o xadrez, deixando no ar suspeições de favorecimentos e interesses pessoais ou de grupo pouco claros e nunca esclarecidos.

As minhas felicitações pessoais para as funções que vai desempenhar em representação do nosso país e que na fria Sibéria dignifiquem o nome de Portugal.

Alguns documentos importantes a ler sobre as Olimpíadas Dresden 2008 com particular interesse para as Olimpíadas de Khanty-Mansiysk 2010.

 

Já me chegou aos ouvidos a informação de ter havido um milagre de Santo Antónioavant la lettre(?).

Como não sou cristão tenho dificuldades em assimilar esse santo acto, mas reconheço que alguma intervenção superior poderá ter havido para ultrapassar a indiferença e o comodismo que permitiu tanta incompetência e aproveitamento pessoal no passado.

“Atracção fatal” uma espantosa “miniatura” de Edward Lasker ou a dança do rei adversário

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No mundo do xadrez os grandes convites estão, normalmente, fechados a uma elite muito pequena, cerca de 20 a 30 xadrezistas todos com mais de 2700 pontos no ranking internacional.

Um torneio como a Taça do Mundo que se está a disputar na Sibéria é uma oportunidade única para muitos dos grandes mestres que não pertencem a essa “elite”.

Entre os 16 xadrezistas ainda em prova estão 3 adolescentes, 2 deles ainda debutantes, o italiano Caruana e o filipino Weslwy So. Todos eles têm mostrado o desenvolvimento a que o xadrez chegou ao nível das aberturas.

Miniaturas como a que relembramos abaixo aprendem-se na escola mas em 1912 ainda havia muito para descobrir.

Esta é mais conhecida partida de Edward Lasker, um xadrezista, historiador e inventor nascido em 3 de Dezembro de 1885 e que ganhou o título de mestre internacional aos 75 anos!

Venceu os campeonatos de Paris (1912), Londres (1914), Nova Iorque (1915) e Chicago (1916).

Era primo afastado do campeão Emanuel Lasker.

 

Edward Lasker

Sir George Thomas

London, England 1912  ·  Horwitz Defense: General (A40)

1.d4 e6 2.Cf3 f5 3. Cc3 Cf6 4.Bg5 Be7 5. Bxf6 Bxf6 6.e4 fxe4 7.Cxe4 b6 8. Ce5 O-O 9.Bd3 Bb7 10.Dh5 De7 [10…Bxe5 11.dxe5 Tf5] 11.Dxh7+!! [11.Cxf6+? gxf6!] 11…Rxh7 12.Cxf6+! Rh6 [12…Rh8 13.Cg6+!!]13.Ceg4+ Rg5 14.h4+ [14.f4+! Rxf4 15.g3+ Rf3 (15…Rg5 16.h4+) 16.O-O+] 14…Rf4 15.g3+ Rf3 16.Be2+ Rg2 17.Th2+ Rg1 18.Rd2++  1-0

António P Santos, no DN, de 3.Dezembro.2009

 

Podem visualizar esta partida em Chessgames.

Quando aceitar um empate é triunfar… o exemplo de Reshevsky

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Depois da sua vitória sobre Capablanca, em 1935, Reshevsky contou que recusara a proposta de empate de Capablanca ao lance 35 porque pensara que poderia ganhar e que nunca se converteria em grande mestre aceitando empates em posições ganhadoras.

A avaliação da posição como ganhadora é exagerada mas a atitude é louvável e qualquer jovem em progressão deve tê-la como fio condutor.

Samuel Reshevsky [EUA]

Jose Capablanca [Cuba]

Margate (4), 1935

1.d4 Cf6 2.c4 e6 3.Cc3 d5 4.Bg5 Cbd7 5.cxd5 exd5 6.e3 Be7 7.Bd3 0–0 8.Dc2 c5 9.Cf3 c4 10.Bf5 Te8 11.0–0 g6 [11...Cf8? 12.Bxc8 Txc8 13.Bxf6 Bxf6 14.Df5±] 12.Bh3 Cf8? [12...Cb6!] 13.Bxc8 Txc8 14.Bxf6! Bxf6 15.b3! Da5 16.b4! Dd8 17.Da4! a6 18.b5! Te6 [18...a5 19.b6! Dxb6 20.Cxd5] 19.Tab1 Tb8 20.Tb2 Be7 21.bxa6 Txa6 22.Dc2 Ce6 23.Tfb1 Ta7 24.a4 Cc7 25.Ce5 De8 26.f4 [26.Tb6! Ca8 27.Cc6 Cxb6 28.Cxa7 Dd8 29.Db2 Ta8 30.Dxb6 Dxb6 31.Txb6 Txa7 32.Rf1±] 26…f6 27.Cg4! Dd7 28.h3 Rg7 29.Cf2 Ba3 30.Ta2 Bd6 31.Cfd1! f5 32.Cb5! Ta5 33.Cxc7 Bxc7 34.Cc3 Dd6 35.Df2 b6 36.Df3 Td8 37.Tab2 De7 38.Tb4 Td7 39.Rh1 Bd8 40.g4?! [40.Rg1!] 40…fxg4 41.hxg4 Dd6 42.Rg1 Bc7 43.Rf2 Tf7 44.g5 Bd8 45.Re2 Bxg5?! [45...De6!=] 46.Txb6 Da3 47.Rd2! Be7 48.Tb7 Txa4? [48...Tf5! 49.Td7 Th5 50.Dg2 Rh6 51.Tbb7 Tb5!! 52.Txb5 Bb4! 53.Re2! Dxc3 54.Rf3=] 49.Dxd5! [49.Cxa4? Dd3+ 50.Rc1 (50.Re1 Bh4+) 50...Ba3+ 51.T7b2 c3–+] 49…Ta5 50.Dxc4 Th5 51.Rd3 Da8 52.De6 Da3 53.Td7! Thf5 54.Tb3 Da1 55.Txe7 Df1+ 56.Rd2 1–0

António P. Santos, no DN, de 26 Nov 2009

Svidler e o “método de Steinitz” sobre o par de bispos v. bispo e cavalo

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A vantagem do par de bispos sobre o par bispo e cavalo sempre foi difícil de determinar embora seja geralmente aceitável.

No seu tempo Steinitz, campeão mundial (1886-1894), propôs um método de exploração desta vantagem em posições muito específicas e pouco comuns.

Na 1ª partida da 1ª eliminatória da Taça do Mundo em curso, o russo Svidler não aplicou esse método porque a posição não o permitia mas aproveitou o par de bispos para preparar a entrada do rei no campo adversário.

Peter Svidler (Rússia, 2754)

J. Hebert (Canadá, 2420)

World Cup (1.1), 21.11.2009

 1.e4 e6 2.d4 d5 3.Cd2 Cf6 4.e5 Cfd7 5.c3 c5 6.Bd3 Cc6 7.Ce2 cxd4 8.cxd4 Cb6 9.0–0 Bd7 10.Cf3 Cb4 11.Bb1 Bb5 12.Te1 Bxe2 13.Txe2 Be7 14.a3 Cc6 15.Bd3 Dd7 16.h4 h6 17.h5 0–0–0 18.Tc2 Rb8 19.Bd2 Tc8 20.Tac1 a6 21.De2 Ca7 22.Ba5 Txc2 23.Txc2 Ca8 24.De3 Tc8 25.Txc8+ Rxc8 26.Df4 De8 27.Dg4 Cc6 28.Bd2 Bf8 29.Ce1 Cc7 30.Cc2 b6 31.f4 f5 32.De2 a5 33.g4 fxg4 34.Dxg4 Ce7 35.Ce3 Rb7 36.Rf2 Da4 37.Bc3 De8 38.Rg3 Df7 39.Bd2 Cc6 40.f5 Be7 41.fxe6 Dxe6 42.Cf5 [42.Dxe6 Cxe6 43.Cxd5 Bg5 44.Bc3 Cexd4 45.Be4 b5±] 42…Bf8 43.Be2 Cd8 44.Bf3 Rc6 45.a4 Cf7 46.b3 Cd8 47.Bg2 Df7 48.Be3 Cde6 49.Bh3 Bb4 50.Rg2 Bf8 51.Dd1 Rd7 52.Df3 Be7 53.Dg4 Bf8 54.Ch4 Rc6 55.Cg6 Bb4 56.Cf4 Cg5 [56...Cxf4+ 57.Bxf4 Bc3 58.Be3 Bb4 59.Df5±] 57.Df5 Dxf5 58.Bxf5 Be7 59.Rg3 b5 60.Rg4 bxa4 61.bxa4 Bb4 62.Bc2 Cge6 63.Cxe6 Cxe6 64.Rf5 Rd7 [64...Cf8 65.Bd3 Ba3 66.Bb5+ +-] 65.Rg6 Re7 66.Bf5 1–0 

António P. Santos, no DN, em 25 Nov 2009

O xadrez mundial depois do desmembramento do império soviético

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Depois do conflito mundial de 1939/45 o xadrez tornou-se um veículo promocional da União Soviética e, em geral, dos países do leste europeu que dominaram a modalidade até aos anos 1990.

Com o desmembramento da URSS, o domínio distribuiu-se pela Rússia, pelos países do leste europeu pelos novos estados que se tornaram independentes da ex-URSS e, ainda, pela Índia e pela China.

O que continua a verificar-se é o forte apoio que a modalidade merece nesses países, muitas vezes com o envolvimento dos principais governantes. Na Bulgária, foi o próprio primeiro-ministro que garantiu as verbas necessárias para a realização, em 2010, do próximo Campeonato do Mundo entre Topalov [BUL] e Anand [IND], em Sófia. E, enquanto Anand continua sem competir, o número um do mundo já ganha tabuleiro na Taça da Europa.

António P Santos, no DN, de 29/10/2009