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Será que chega entender os bons patrocinadores que o xadrez precisa?

Terça-feira, Junho 30th, 2009

O portal scn, publicou um artigo de Daniel Sá, onde é abordado o marketing desportivo, os patrocinadores e as diversas modalidades desportivas – Quer arranjar patrocinadores? Tente entendê-los primeiro…

Este artigo revela-se de um grande importância. De facto, na sequência de outros já publicados sobre esta área, este destaca-se pela divisão que o autor faz das várias modalidades “na óptica do marketing”, segundo afirma.

É curiosa a classificação que Daniel Sá atribui a modalidades nas quais inclui o xadrez – «desportos de Nicho, ou seja, modalidades que se dirigem a segmentos específicos da nossa sociedade».

Eis um excerto significativo do artigo

As modalidades desportivas são cada vez mais utilizadas pelas empresas para comunicar as suas marcas e produtos. Existem modalidades seculares e outros que têm conquistado espaço e notoriedade nos últimos anos. Mesmo as mais antigas, têm sentido a necessidade de se adaptar aos novos tempos seja através da alteração das regras, formatos competitivos ou organização dos modelos competitivos. Numa óptica de marketing propomos uma divisão das modalidades em 10 segmentos distintos: artes marciais e lutas, motorizados, náuticos e aquáticos, nicho, aventura, frio, calor, massas, novos desportos e culto do corpo e bem-estar. Trata-se de uma forma de entender o que buscam as empresas quando apostam no desporto.

Ao quarto grupo apelidamos de desportos de Nicho, ou seja, modalidades que se dirigem a segmentos específicos da nossa sociedade. De um leque alargado de modalidades podemos encontrar conceitos muito diferentes como a Columbofilia, Esgrima, Golfe, Pólo, Hipismo, Squash, Pesca, Tiro, Tiro com Arco, Xadrez, Badminton, Críquete, Corfebol, Curling, Halterofilismo, Minigolfe, Ténis de Mesa, Triatlo ou Pólo Aquático. Estas modalidades são aproveitadas por marcas que querem trabalhar segmentos específicos pelo que algumas delas conseguem obter índices de rentabilidade muito interessantes.

Ler o  artigo completo aqui.

Após a leitura do artigo de Daniel Sá fico com a ideia que o xadrez nunca terá grandes patrocinadores, mas apenas “mecenas” e estes terão que ser grandemente altruístas, provavelmente com uma ajudinha nos “benefícios fiscais”.

Será que o xadrez est(ar)á condenado a ser um parente pobre do nosso desporto e a viver de mão estendida do “rendimento mínimo desportivo”?

«Uma abordagem sobre a questão da visibilidade do xadrez no marketing desportivo», de Ricardo Paolucci

Sábado, Junho 27th, 2009

Tenho vindo a dar um grande relevo à questão da visibilidade e prestígio do xadrez na imprensa e na população em geral. Depois de dois artigos muito interessantes, publico de seguida, mais um excelente artigo, do Dr. Ricardo Paolucci, que para além do seu currículo académico e profissional é xadrezista. Quanto mais não fosse por isso, desta vez, é “um dos nossos”, interessado na promoção, desenvolvimento, divulgação, visibilidade e prestígio do xadrez. E acima de tudo é claro, directo e frontal. E prático! Mais uma valiosa contribuição vinda do Brasil.

Um texto a não perder, para ler e reflectir… Mais uma vez, os meus agradecimentos pessoais a Orlando Silvestre, presidente da Federação Sul-Matogrossense de Xadrez (FESMAX)

O XADREZ E AS “HAVAIANAS”

 (Uma abordagem sobre a questão da visibilidade do xadrez no marketing desportivo), por Ricardo Paolucci

Há um certo tempo venho discutindo este assunto, seja com pessoas do meio enxadrístico ou com profissionais que atuam no segmento de administração e marketing esportivo.

Meu ponto de vista e argumentação remete-se à estratégia de grandes empresas em momentos de crise, queda de produção ou redução do seu público consumidor.

Em muitos casos, o que podemos acompanhar é o “rejuvenescimento da marca/produto” e, para ilustrar, temos um caso exemplar: A empresa Alpargatas e suas sandálias “Havaianas”

Quem viveu intensamente os anos 70 e 80 pode recordar – e concordar – que este produto era tipicamente visto e associado com o “calçado das empregadas domésticas”, tinham apenas um caráter funcional e, ano a ano perdia cada vez mais mercado.

Pois eis que, ao final dos anos 90, a história começa a mudar e o que antes era uma simples sandália de borracha, se tornou um acessório de moda, valorizado em todo o mundo e atingindo um público que jamais poderia ser imaginado há 3 décadas. 

Trazendo este cenário para o Xadrez, o que podemos encontrar?

Tirando os “praticantes intensos”, a visão global, ainda, associa o xadrez com quem e o quê?

Não é difícil responder: Mequinho e “pessoas nerds”.

É incrível que, passados mais de 30 anos do auge de sua carreira, seja ele ainda o “top of mind” da grande maioria da população e da mídia nacional. E aqui não vai nenhuma crítica ao GM, ao contrário, pois ele fez por merecer este reconhecimento.

Vejam que são situações semelhantes ao “case Havaianas”.

Além dos já consagrados Milos, Vescovi e Leitão, temos uma nova geração de jovens talentos extremamente promissora – Fier, Diamant, Krikor – e que em nada lembram aquela figura “nerd” tão enraizada na mente daqueles que apenas acompanham superficialmente este esporte.

O que falta, então?

Simplesmente conseguir atingir o mesmo “efeito Guga” que quintuplicou os praticantes de tênis. Porém, neste caso, minha sugestão é seguir um cronograma de planejamento estratégico que fatalmente dará resultados em médio prazo, consolidando este modelo para o longo prazo.

Fácil falar – ou escrever – mas como executar?

Seguem alguns exemplos:

·         Melhoria da estrutura administrativa das Federações e Confederação, com profissionais capacitados para realizar uma gestão profissional, com destaque principal para:

Marketing: para elaboração de todas as propriedades e retornos (imagem/institucional), além de contatos com patrocinadores / investidores em potencial;

Comunicação: atuação direta com todo material de divulgação e assessoria de imprensa para as mídias existentes;

Informática/Tecnologia: criação de um site que seja AGRADÁVEL , INTERATIVO, ATUALIZADO DIARIAMENTE (e, se for caso, várias vezes ao dia);

·         Massificação dos participantes, nas escolas, clubes ou competições “acessíveis”, tanto do ponto de vista estrutural como financeiro;

·         A criação de um calendário unificado, com implantação de um circuito nacional, privilegiando TODAS as capitais do país, em TODAS as categorias, com realização da “Semana do Xadrez” em cada uma delas, com premiações atraentes, envolvendo atividades paralelas durante as competições (sejam palestras de profissionais não necessariamente ligados ao xadrez, mas que consigam fazer analogia de sua área de atuação com a modalidade), feira com exposição de produtos e serviços, clínicas e atividades interativas aos expectadores;

·         Aproveitar as oportunidades fiscais proporcionadas pelo Ministério do Esporte (vide Lei de Incentivo Fiscal ao Esporte – Lei 11.438/06), formatando projetos que beneficiem a comunidade enxadrística e o seu desenvolvimento para que, cada vez mais, tenhamos atletas entre os melhores do ranking mundial.

A mídia só vai atrás do que seja interessante em termos de repercussão. O patrocinador / investidor também atua e pensa da mesma maneira. Por isso, no caso do Xadrez, este processo deve começar o quanto antes. 

É mais do que necessário “rejuvenescer” e “profissionalizar” nosso produto e torná-lo atrativo e desejado pelas pessoas – tal qual uma “Havaianas”. 

Ricardo Paolucci é graduado em Administração de Empresas e Negócios, profissional de Educação Física, pós-graduado em Administração e Marketing Esportivo, mestre em Administração, Consultor e Gestor de Esportes e Entretenimento. Premiado como “Gestor Esportivo de 2009” pela Confederação Brasileira de Clubes. E enxadrista!

Artigo disponível em grbg [Galeria de Xadrez Borba Gato].

«Marketing desportivo. Para todos os tipos de verba»

Sexta-feira, Junho 26th, 2009

Marketing Esportivo. Para todos os tamanhos de verba é um artigo constsnte do número 9 da  revista do CENP (Conselho Executivo das Normas-Padrão), integrado no tema de capa.

O marketing esportivo tem se revelado uma ferramenta muito especial para a comunicação publicitária, inclusive pela capacidade de queimar etapas na construção de marcas.

Por isso, a associação entre o marketing esportivo e a publicidade é cada vez mais intensa e bem sucedida, atraindo verbas de grandes, médios e pequenos anunciantes (quem disse que o marketing esportivo só está ao alcance de quem tem muito dinheiro para investir?) e renovando os desafios para as agências (quem disse que elas não têm um papel importante a desempenhar?), pois o marketing esportivo gera resultados tanto maiores na medida em que se associa às ferramentas mais tradicionais da comunicação publicitária.

A revista co CENP foi acedida através do sítio da Federação Sul-Matogrossense de Xadrez (FESMAX).

O Xadrez não tem «visibilidade e prestígio» do ponto de vista do marketing desportivo, segundo um estudo brasileiro.

Quinta-feira, Junho 25th, 2009

Recebi de Orlando Silvestre Filho, presidente da Federação Sul-Matogrossense de Xadrez (FESMAX), a quem agradeço reconhecido, o envio de um estudo sobre marketing desportivo, realizado pela empresa brasileira J. Cocco Sport Marketing.

O estudo é muito interessante, porquanto, nos apresenta, como nos diz a sua autora, não apenas a abordagem do entretenimento e lazer mas sob «um enfoque empresarial».

Esta empresa dedica-se há mais de 30 anos nas actividades de administração, deporto e marketing, tendo criado o Rank port Marketing, que, segundo afirma,  é «a única ferramenta disponível e confiável para avaliação e adequação do patrocínio desportivo».

A J. Cocco Sport Marketing «utiliza o PhotoMind, um processo que fotografa e mede o grau e a qualidade de memorização que os espectadores tiveram após a realização de um evento».

O estudo foi realizado no Brasil, como se pode comprovar com o «ranking geral genérico de adequação das modalidades ao marketing desportivo». Mas, pela listagem apresentada nada indica que em Portugal fosse muito diferente, salvaguardando as modalidades mais populares de cada país.

Entre 55 modalidades, o xadrez aparece no modestíssimo 38º lugar neste estudo de Abril de 2009, descendo dois lugares em relação ao estudo de Outubro de 2006.

O estudo é efectuado de acordo com 20 critérios, entre os quais adequação aos sexos, às faixas etárias e sócio-económicas, cobertura geográfica e população potencial e praticante, qualidade da marca da modalidade, visibilidade da imprensa, consolidação da modalidade, entre outros.

Ranking geral genérico de adequação das modalidades ao marketing esportivo (o Ranking é atualizado permanentemente).

 

ESPORTE

Ranking

Abril 2009

Ranking

Out 2006

1º | FUTEBOL

1479

1533

2º | VOLEIBOL

1366

1395

3º | AUTOMOBILISMO

1349

1400

4º | TÊNIS

1194

1219

5º | GINÁSTICA

1149

1376

6º | GOLF

1098

1118

7º | HIPISMO

1054

1005

8º | MOTOCICLISMO

975

961

SURF

952

913

RADICAIS

920

851

CICLISMO

916

820

ATLETISMO

914

884

POLO

906

945

FUTSAL

892

869

DESPORTOS AQUÁTICOS

868

950

HANDBALL

787

833

TRIATHLON

773

816

VELA E MOTOR

771

865

PARAQUEDISMO

725

805

BICICROSS

700

800

ESQUI AQUÁTICO

650

737

SKATE

601

613

BASQUETE

582

914

VÔO A VELA

567

660

JUDÔ

539

654

BASEBALL E SOFTBALL

518

529

TIRO ESPORTIVO

485

648

TÊNIS DE MESA

483

485

HOQUEI E PATINAÇÃO

442

590

BADMINTON

436

526

PESCA DESP.SUBAQUÁTICOS

435

586

DESPORTOS NA NEVE

424

581

ESGRIMA

421

582

SQUASH

389

587

PENTATLO MODERNO

383

535

REMO

381

501

DESPORTOS NO GELO

360

517

38º | XADREZ

344

525

HOQUEI S/ GRAMA E INDOOR

332

502

BOXE

327

483

RUGBY

317

440

DESPORTOS UNIVERSITÁRIOS

315

418

TAEKWONDO

306

656

ORIENTAÇÃO

276

428

LEVANTAMENTO DE PESO

276

441

TIRO COM ARCO

271

429

CAPOEIRA

267

439

CANOAGEM

255

470

KARATE

252

412

JIU-JITSU

250

410

KUNG FU WUSHU

249

432

CULTURISMO E MUSCULAÇÃO

248

478

LUTAS ASSOCIADAS

246

406

CAÇA E TIRO

214

359

55º | BOLICHE

191

406

     

 

Fonte: Rank Sport Marketing

Este estudo é esclarecedor da situação actual do xadrez enquanto desporto, em especial como a modalidade é vista de fora, pela população e pelos patrocinadores desportivos. O xadrez não é atractivo para patrocinar, apoiar ou simplesmente dar a cara por ele.

Artigo citado na página da FESMAX.

Daniel Sá escreve no scn sobre marketing desportivo

Segunda-feira, Março 30th, 2009

Daniel Sá, escreveu no scn o seguinte artigo Sports Marketing: As Novas Regras do JogoSCN Sportcanal

 

Este é o primeiro texto no âmbito da minha colaboração com a SCN Sportcanal. Fui desafiado pelos responsáveis deste meio de comunicação social desportivo a ir apresentando algumas reflexões sobre o marketing desportivo.


Aceitei pela gentileza e pelo reconhecimento do trabalho que a SCN tem feito em prol do desenvolvimento do desporto em Portugal. Nos próximos meses terei oportunidade de apresentar as minhas ideias sobre este tema. Tenho esperança que mais pessoas se interessem pelo marketing desportivo. O desporto português precisa.

 

(…)

 

A forma como a sociedade vem alterando os seus hábitos tem naturalmente consequências no mundo do desporto. Se tentarmos fazer uma radiografia ao actual estado do desporto em Portugal encontramos aspectos bastante positivos e outros que nos fazem pensar em medidas correctivas necessárias. Vale a pena avaliar cada um destes aspectos de forma a podermos entender como podemos gerir eficazmente uma organização desportiva.

 

(…)

 

Apesar das 80 modalidades, o fenómeno da “futebolização” é evidente como se pôde verificar pela exagerada cobertura mediática do último campeonato europeu de futebol em 2008. O envolvimento do estado transforma-se, por vezes, em dependência de subsídios, normalmente decorrentes de pressões entre o mundo da política e o mundo do desporto. 

 

Ler o artigo completo em scn.