O blogue xadrezismo publica a parte da entrevista que efectuou ao GM António Fernandes.
A entrevista é bastante extensa, mas simultaneamente elucidativa e esclarecedora do pensamento do actual campeão nacional.
Permito-me, desde já, transcrever a primeira questão levantada nesta segunda parte da entrevista, porque ela esclarece a razão de A. Fernandes não ter pretendido responder e portanto esclarecer a razão da sua saída da sua equipa – a Academia de Xadrez de Gaia.
Tiveste um final de época atribulado e tumultuoso com esse episódio da selecção e agora com este Europeu também ele atribulado, por certo que esta época não se iniciou da forma que desejarias. Pelo meio uma surpreendente mudança de clube, com a saída da Academia de Xadrez de Gaia (AXG) e o ingresso num dos rivais o Grupo Diana de Évora. Também aí houve rumores sobre os reais motivos que estiveram na origem dessa troca de clubes. A que se deveu afinal a tua decisão?
Bom, vou falar publicamente disto pela primeira vez. Numa entrevista ao “Ala de Rei” [N.R.:Blog de xadrez, a quem António Fernandes concedeu esta entrevista, no auge da polémica Olímpica] há uns meses, optei por não o fazer mas acho que o melhor é esclarecer de vez o assunto:
Em determinada altura, com o desenrolar do “caso selecções Olímpicas”, a Associação de Xadrez de Faro apresentou a todas as restantes Associações, uma petição por forma a promover a convocação de uma Assembleia Geral Extraordinária da FPX, onde o assunto pudesse ser discutido de forma ampla e com total transparência.
Embora tenha havido a anuência das Associações necessárias para que o Presidente da Mesa Assembleia convocasse obrigatoriamente a mesma reunião, este não o fez argumentando, em Assembleia Geral no dia 9 de Novembro de 2008, que faltaria o voto favorável de mais uma Associação para que fosse convocada a dita reunião. Escusando-se sequer a mencionar o nome da Associação de Xadrez dos Açores, a qual havia votado favoravelmente a essa petição. [N.R.: pode consultar a acta da referida Assembleia Geral, publicada pela FPX] Outras Associações houve que acharam por bem manifestarem-se publicamente sobre a sua tomada de posição relativamente a essa convocatória e aí “é que o gato foi às filhoses…” a minha própria Associação, a AXP achou por bem inquirir os vários clubes seus filiados, sobre a sua opinião, por forma a deliberar em reunião própria, bem como a apresentação de um comunicado, tornado público, baseado num parecer da autoria do, actual Presidente do Conselho Jurisdicional da AXP, que posteriormente reconheceu que esse mesmo parecer que elaborara, não estava de todo correcto. Comunicado esse, no qual a AXP começa por tecer-me exacerbados elogios, bem como ao próprio clube Academia de Xadrez de Gaia, mas… acabando por referir que por decisão unânime votariam contra essa convocatória. [N.R.: pode consultar o parecer referido por Fernandes].
Ora numa reunião promovida pela própria AXP, em que o meu clube esteve representado, na qual decidiram votar contra, pior do que isso tomaram essa decisão por unanimidade, impedindo que o assunto em causa pudesse ser discutido, esclarecido e corrigido se fosse caso disso.
Claro que, perante esta situação, considerei não estarem reunidas as melhores condições nem as necessárias garantias, na presente época, para continuar a representar um clube que eu estimo e sempre respeitei incondicionalmente. Quando o seu principal responsável que sempre estivera do meu lado, me dera razão e o seu apoio (como posteriormente me manifestou), permitiu que alguém em representação do seu/meu próprio clube tomasse uma decisão que iria contra os meus interesses, os do próprio clube e do desporto nacional, unicamente porque entendeu não permitir que o assunto em questão pudesse sequer ser devidamente esclarecido.
Ler aqui a entrevista do GM António Fernandes ao xadrezismo.