Ala de Rei

a opinião e a crítica sobre a legalidade e a justiça no xadrez e no desporto em geral.

Ana Baptista (GCO) Campeã Nacional Feminina e Absoluta de Sub-20

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Ana Baptista durante a homenagem que lje prestou o GC Odivelas (em 24 Maio 2008 durante a cerimónia comemorativa do 30º aniversário do GC Odivelas). [© Francisco Vieira]

A Ana ganhou brilhantemente [o Nacional de Sub-20], apesar de ter perdido logo na 2ª sessão com a revelação da Prova (Vasco Ramos) e ter de andar depois, tenazmente, a recuperar o prejuízo.

Ficaram na mão os 2 troféus (absoluto e feminino) mas ainda deu uns pontitos (poucos…) de ELO.

Grãnd’ Ana!!! Parabéns!

(Carlos Siragdo)

Destaque do xadrez64:

A WFM Ana Baptista, do GC Odivelas, venceu hoje [ontem]o campeonato nacional de sub20, ao derrotar na última ronda outro dos candidatos ao título, João Godinho. A vitória de Vasco Ramos sobre o campeão em título Ricardo Sousa ainda deu esperança do jovem do Barreirense, mas Ana Baptista acabou por levar a melhor na primeira mesa, garantindo assim o título absoluto, que junta ao título de campeã nacional feminina conquistado o mês passado em Gaia. Vasco Ramos é o vice-campeão e Estevão Gomes, do Dias Ferreira garantiu o terceiro lugar do pódio, ao empatar o seu jogo e superar Igor Pires devido à melhor performance.

Destaque do scn:

Após a conquista do campeonato nacional feminino, prova em que é bicampeã, Ana Baptista sagrou-se este fim-de-semana campeã nacional sub20 absoluto com um total de 6 pontos no total das 7 rondas.

Apesar da derrota na 2ª jornada com Vasco Ramos, que a obrigou a correr atrás do prejuízo, Ana Baptista, beneficiou da inesperada derrota do seu adversário na 6ª ronda para passar para a liderança com mais 0,5 pontos, e entrar na última e decisiva ronda com tudo a seu favor.

Os restantes lugares do pódio foram ocupados Vasco Ramos com 5,5 pontos e Estevão Gomes com 4,5 pontos.

Destaque de Mais Odivelas:

Ana Filipa Baptista do Ginásio Clube de Odivelas concluiu hoje com mais uma vitória o Campeonato Nacional da Xadrez de Sub-20

Apesar de já ter assegurado ontem o título nacional feminino de Sub-20, empenhou-se hoje numa luta bem renhida de quase 4 horas de jogo, com menos de 2 minutos no relógio para cada um dos jogadores, já na emotiva fase final do jogo (ver em FPX), e ganhou brilhantemente assegurando, também, o título nacional absoluto de Sub-20.

Apesar de ser a favorita, por ter o melhor ranking (ELO) dos 18 jogadores em jogo, Ana perdeu na 3ª ronda {é um lapso da redacção, foi na 2ª], de forma extemporânea e algo imprevisível com o 2º classificado, Vasco Ramos, do Barreiro, que se constituiu como a surpresa destes campeonatos.

Com a desvantagem de 1 ponto aplicou-se tenazmente, como é seu hábito, nas últimas 4 rondas esperando que os seus mais directos contendores perdessem pontos, o que veio a acontecer. Dos que lutavam pelo título só ela não perdeu mais nenhum ponto até final, conquistando assim os 2 troféus.

Em Mais Odivelas [JPS em 16/8/2009].

Não nos esqueçamos que além do Nacional Individual Feminino e do Nacional Absoluto Sub 20 a Ana Baptista obteve este ano o Estatuto de Alta Competição.

Um feito histórico! Parabéns  Ana!

História de um Requerimento, a sua resposta e contra-resposta e uma Queixa para a Comissão, com cópia para o IDP

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Aqui vai a documentação completa (até ao presente) sobre o pedido de documentação solicitado em Requerimento à Federação Portuguesa de Xadrez ao cuidado do seu presidente António Bravo.

 

 

I.CARTA PARA A FPX A ENVIAR REQUERIMENTO

 

De:     Francisco Vieira <favieira@gmail.com>

Para:  FP Xadrez <fpx@fpx.pt>

CC::   António Bravo <…>

Data: 20 Fevereiro 2009

 

Ass:    Requerimento de documentos à FPX

 

 

Senhor Presidente da FPX,

 

Venho por este meio requerer cópia de documentos administrativos em poder da FPX, o que faço nos documento que apresento em anexo.

 

Requeiro nos termos e para os efeitos do artº 268º, nº 2, da Constituição da República Portuguesa, do artº 65º, nº 1, do Código de Procedimento Administrativo e do artº 5º, da Lei de Aceso e Reutilização dos Documentos Administrativos,

 

De facto, nos termos do artigo 5º, da Lei de Acesso aos Documentos Administrativos,

 

«Todos, sem necessidade de enunciar qualquer interesse, tem direito de acesso aos documentos administrativos, o qual compreende os direitos de consulta, de reproducao e de informacao sobre a sua existencia e conteudo».

 

Cumpre-me salientar, que os documentos são requeridos aos seguintes órgãos sociais da FPX: 

 

a) ao Presidente;  

b) ao Presidente do Conselho Disciplinar; e,

c) ao Presidente do Conselho Jurisdicional.

 

Senhor Presidente da FPX, este requerimento é remetido apenas para o correio electrónico fpx@fpx.pt, porque é o único oficial que conheço. Assim, será  desnecessário solicitar-lhe que faça chegar aos Presidentes do Conselho Disciplinar e Jurisdicional cópias desta carta electrónica, bem como o requerimento anexo.

 

Saliento, conforme faço constar do requerimento que apresento em anexo, que dispenso a cópia dos documentos administrativos soliciatdos, desde que os mesmos sejam disponibilizados na página electrónica da FPX.

 

Será dado conhecimento imediato à comunidade xadrezista da apresentação do requerimento à FPX e nos termos em que é apresentado, mas, o seu conteúdo apenas será disponibilidade a partir de 2ª feira,

 

Com os meus cumprimentos,

 

Anexo: Exposição à FPX Doc Admin (em pdf)

 

 

II. CARTA A REENVIAR REQURIMENTO CORRIGIDO

 

 

 

De:     Francisco Vieira <favieira@gmail.com>

Para:  FP Xadrez <fpx@fpx.pt>

CC::   António Bravo <…>

Data: 21 Fevereiro 2009

 

Ass:    Reenvio do Requerimento corrigido à FPX

 

 

Senhor Presidente da FPX,

 

Venho por este meio reenviar-lhe o requerimento a solicitar cópia de documentos administrativos em poder da FPX. Ao contrário do que suponha, ontem, enviei-lhe a versão final não corrigida pelo corrector de texto automático. Assim, segue hoje a versão final corrigida.

 

(…) [Indica-se as alterações]

 

Sem outro assunto de momento, apresento os meus cumprimentos.

 

Francisco Vieira

 

 

III. CARTA RESPOSTA DA FPX AO REQUERIMENTO

 

 

 

De::    Federação Portuguesa de Xadrez <fpx@fpx.pt>

Para:: Francisco Vieira <favieira@gmail.com>

Data: 27 Fevereiro 2009

 

Ass:    RE: Reenvio do Requerimento corrigido à FPX

 

Exmo. Senhor

Francisco Artur Vieira

 

Recebemos o seu requerimento de 20 de Fevereiro (com correcção enviada a 21 de Fevereiro de 2009) solicitando diversos documentos (alíneas 12 a 22), ao abrigo da Lei de Acesso e Reutilização dos Documentos Administrativos.

 

          Não oferecendo à Direcção da Federação dúvidas em facultar cópias dos contratos celebrados entre o Instituto de Desporto de Portugal (IDP) e a Federação Portuguesa de Xadrez, fica notificado nesta data da possibilidade de os levantar, a partir de segunda-feira, dia 2 de Março no horário de expediente (9h30 às 18h30). As fotocópias têm um custo de processamento unitário de 0,05€.

 

Embora consideremos abusivo o número de documentos solicitados a ser entregue no prazo de dez dias, atendendo ao facto de esta Federação dispor apenas de dois funcionários e de os dirigentes exercerem a sua actividade de forma benévola, dando a prioridade do seu tempo disponível ao cumprimento das obrigações para com a tutela, por um lado, e com a organização da competição desportiva, por outro lado, não é, no entanto, por esse motivo que não se dá o acesso aos restantes documentos requeridos, mas por termos dúvidas de carácter substancial, das quais solicitámos esclarecimento à CADA- Comissão de Acesso a Documentos Administrativos.

 

Aguardamos o parecer daquela entidade sobre o esclarecimento das nossas dúvidas.

 

Apresentamos-lhe os nossos melhores cumprimentos

 

Pela Direcção da Federação Portuguesa de Xadrez

 

         António José Vieira Bravo, Presidente

 

 

 

IV. RESPOSTA À CARTA DA FPX

 

 

De:     Francisco Vieira <favieira@gmail.com>

Para:  Federação Portuguesa de Xadrez <fpx@fpx.pt>

Data:  2 Março 2009

 

Ass:    Re: Reenvio do Requerimento corrigido à FPX

 

 

Senhor Presidente da FPX,

 

Acuso a recepção da carta electrónica do passado dia 27/2,

 

Constato a disponibilidade imediata por parte da FPX para a dvulgação dos Contratos-Programa celebrados entre o IDP e a FPX, nos termos solicitados no requerimento apresentado. Mas apenas este(s) documento(s).

 

Assim, fico a saber que, por «dúvidas de carácter substancial», todos os documentos requeridos, excepto os assinalados no parágrafo anterior, não serão disponibilizados a partir de 2ª feira, 2/3, aguardando melhores dias, isto é, um Parecer da Comissão de Acesso aos Documentos Administrativos (CADA).

 

Agradeço, por isso, que me informem as razões que impedem a FPX de divulgar os documentos administrativos requeridos, que, na prática, constitue uma recusa ou pelo menos uma decisão limitadora do acesso aos documentos solicitados e que aconselham a consultar a CADA.

 

Com os meus cumprimentos.

 

Francisco Vieira

Requerimento apresentado à FPX a solicitar diversos Documentos de interesse público

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Apresentei na passada 6ª feira, à Federação Portuguesa de Xadrez, um requerimento, no Requrimento à FPX a solicitar diversos Documentos em seu poder, ao abrigo da Lei de Acesso aos Documentos Adminitsrativos e sua Reutilização.qual solicitava – ao abrigo da Constituição da República Portuguesa, do Código de Procedimento Administrativo e da Lei de Acesso e Reutilização dos Documentos Administrativos – diversos Documentos Administrativos em poder da FPX.

 

Entre os documentos solicitados encontram-se:

  

  1. Actas das reuniões da Direcção da FPX, que aprovaram a designação do seleccionador nacional, onde foi discutida a demissão, ou suspensão da Vice-Presidente da Direcção da FPX;
  2. Relatório do Chefe da Delegação da FPX às Olimpíadas de Xadrez em Dresden 2008;
  3. Contrato de Seguro Desportivo Obrigatório;
  4. Contratos-Programa celebrados entre o IDP e a FPX, onde constem os cursos e as acções desenvolvidas pela AX Lisboa;

 

O requerimento pode ser lido aqui.

 

Aguardo tranquilamente a respsta da FPX.

2008: Ano de Ouro para a Ana Baptista, Campeã Nacional Feminina

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Já tive a oportunidade de felicitar pessoalmente a campeã nacional feminina Ana Baptista pelo seu sucesso nas Olimpíadas de Dresden 2008.

A Ana Baptista não se vai esquecer tão cedo deste ano de 2008, em que completou 18 anos. Obteve o WFM Ana Baptista, Campeã Nacional Femininatítulo de WFM (Mestre Fide Feminina), de Campeã Nacional Feminina Absoluta, número 1 do ranking nacional feminino (com 2168) e, agora, uma norma para WIM (Mestre Internacional Feminina). Teve o seu reconhecimento público no GC Odivelas e na autarquia local. Um ano em cheio. Um verdadeiro ano de ouro.

Para quem não tem quaisquer apoios dignos desse nome, não é preciso dizer mais nada… Ouçamos a Ana Baptista, muma recente entrevista à Revista Portuguesa de Xadrez (Jul-Ago.2008):

«O apoio quer tenho tido da FPX tem sido a nível de prestações internacionais e de um ou outro estágio e da AXL houve uns treinos para jovens com o MI Paulo Dias em que participei, mas esses treinos acabaram. Quando estas ajudas são insuficientes ou nulas, o meu clube, o Ginásio Clube de Odivelas é que me ajuda.

Penso que para o aumento do nível das jogadoras portuguesas era importante que tivéssemos um seleccionador que, para além de decidir a constituição da selecção, também fizesse um plano de torneios fortes para jogarmos e orientasse e ajudasse no nosso trabalho.»

Mais palavras para quê? Uma jovem xadrezista com ambições e falta de apoios. O meu mais sincero desejo é que não desista, como tantas outras promissoras jovens.

«A minha posição sobre o assunto» – o testemunho do Mestre António Pereira dos Santos sobre as selecções olímpicas para Dresden 2008

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Recebi do Mestre António Pereira dos Santos, o seguinte texto

 

MN António Pereira dos SantosEmbora este triste episódio da representação nacional nas olimpíadas de Dresden tenha terminado (pelo menos nesta parte) com o lamentável fim que conhecemos envio-vos a minha posição sobre o assunto dado que fui parte interveniente no episódio, também lamentável, da representação em Calvià 2004, para o fim que julgarem conveniente.

 

Eis o documento a que se refere APS:

 

 

A partida das selecções olímpicas para Dresden foi precedida, como sabemos, por um processo de «A minha posição sobre o assunto» - o testemunho do Mestre António Pereira dos Santos sobre as selecções olímpicas para Dresden 2008convocação polémico que só não classifico de “sem precedentes” porque os teve.

 

E foi uma polémica tão desnecessária quanto inevitável.

 

Desnecessária porque cumprindo o Regulamento das Representações Nacionais e convidando um seleccionador tendo como requisitos um conhecimento mínimo da modalidade e do conjunto dos melhores xadrezistas portugueses quer absolutos quer femininos, bom senso, isenção e capacidade de decisão, ter-se-iam levado as selecções absoluta e feminina a Dresden. Assim foram duas equipas desfalcadas.

 

Inevitável, porque os casos de incumprimento de regulamentos observados nos últimos 7 anos, aceites com tanta passividade e, em alguns casos, com aprovação em AG pela maioria das associações, prenunciavam a ocorrência de novos casos de decisão discricionária.

 

 

Vejamos alguns casos ocorridos no passado recente e que referi num documento que apresentei num debate no seio da APMX:

 

  1.  
    1. O caso Fátima Vieira em 2002. O presidente da FPX era o Luís Costa. O caso foi resolvido pela decisão de não participação na olimpíada feminina depois de algumas das xadrezistas se terem recusado a participar num torneio de selecção com a Fátima Vieira por considerarem que esta “fabricou” resultados em torneios com o intuito de fazer subir o seu Elo;

 

  1.  
    1. O caso da selecção feminina para a olimpíada de Calvià. O presidente da Comissão Administrativa (por demissão do Luís Costa) era o António Bravo. A Comissão informou que não havia verbas para custear as passagens dos xadrezistas e estes comprometeram-se a custeá-las. A selecção feminina foi formada “misteriosamente” ignorando a campeã nacional (se não me engano já penta campeã na altura), xadrezista mais activa do país e melhor Elo feminino com uma diferença apreciável para a 2ª do ranking. Tudo com a complacência do presidente da Comissão Administrativa que até afirmou que não tinha nada a ver com o assunto. O caso foi resolvido depois da expressão da revolta pelo que estava a acontecer (um dos que se exprimiu fui eu e, por isso, fui considerado pouco responsável) e de um parecer requerido, à última hora, pelo Presidente da Comissão Administrativa ao Conselho Jurisdicional da FPX. No parecer o Dr. António Ferreira foi exemplar e, até, pedagógico orientando no sentido de como se devia interpretar o RRN. A Catarina Leite foi convocada pouco tempo antes do começo da Olimpíada e a Sofia Henriques foi designada capitã em substituição do lugar de seleccionada por se considerar que tinha ganho direitos (?!). Neste caso a selecção foi alterada quase em cima da hora.

 

  1.  
    1. O caso do protesto do GCO em 2007. O caso tem a ver com a apresentação de 4 estrangeiros por uma das equipas da II divisão. A FPX recebeu um ofício da Secretaria de Estado da Juventude e do Desporto onde dava conhecimento de uma directiva comunitária que estabelecia que as federações desportivas deviam passar para a legislação nacional um articulado onde não poderia ser impedida a participação de estrangeiros em todos os tabuleiros numa partida. Este ofício foi sonegado a um ex-director da FPX (demitiu-se por esse motivo) que dele queria tomar conhecimento. O senhor Presidente da FPX (o actual) disse que não podia cumprir o regulamento da FPX (?) que regulamentava esta matéria. É importante fazer notar que uma Directiva comunitária, ao contrário de um Regulamento comunitário, não faz fé de lei nem tem o primado sobre a legislação nacional. A FPX foi a única federação desportiva que não cumpriu a lei!

 

  1.  
    1. Finalmente o caso das actuais convocatórias que, face à constante impunidade sentida pelos dirigentes, muito devido à passividade da comunidade xadrezista, e também a alguma cumplicidade da AG, volta a enfermar de várias ilegalidades e daquelas classificações que já referi acima.

 

O xadrez tem este problema: os xadrezistas têm muita dificuldade em viver fora do seu umbigo. E os dirigentes comungam dessa característica pois são, praticamente todos, mais ou menos praticantes.

 

Recordo alguns dos passos mais importantes deste caso:

 

  1. No dia 12 de Julho de 2008 foram colocadas na página da FPX as convocatórias das selecções absoluta e feminina dizendo que as constituições resultaram da aplicação dos critérios estabelecidos;

 

  1. Num documento em que dá a conhecer os “critérios estabelecidos” a FPX explica por que razão decidiu abrir uma excepção aos torneios de mestres e de honra que se realizaram fora das datas inicialmente determinadas. Nada diz sobre o campeonato nacional feminino do qual já conhecia, no dia 12 de Julho, a lista de xadrezistas inscritas. Também era sabido pela FPX, creio eu, o critério que disseram ter adoptado “…participação no campeonato da época em curso…” (os conceitos de dead line e de boletim devem variar consoante as ocasiões ou, como na prática política, conforme os interesses);

 

  1. Não foi explicado por que razão se consideram importantes as expectativas criadas pelo calendário inicialmente previsto para aqueles 2 torneios e se consideram irrelevantes as expectativas criadas pelas datas da olimpíada, já conhecidas em Novembro de 2007, em conjunção com os torneios importantes do calendário nacional como são os campeonatos nacionais (absoluto e feminino) e o campeonato nacional por equipas, único em Portugal que dá a possibilidade de obtenção de normas até à de GM;

 

  1. Num documento que classifico de caricato, publicado na página da federação no dia 7 de Outubro, a direcção da FPX diz que decidiu seguir os procedimentos das anteriores direcções para a convocatória e o porta-voz da direcção, neste caso o Presidente, assumiria a função de seleccionador “cumprindo as decisões da direcção”. Sobre isto deixemos esclarecido que:

 

a.      As anteriores direcções não seguiram estes procedimentos. Embora sejam questionáveis os critérios adoptados, por deles não resultarem as melhores selecções, o certo é que tanto para a olimpíada de 2004 como para a olimpíada de 2006 as direcções vigentes designaram um seleccionador nacional (o Spraggett para a selecção absoluta de 2004 e o Fernando Gouveia para as selecções absoluta e feminina de 2006). Os seleccionadores foram identificados pela FPX com antecedência pelo que, no melhor dos casos, o “esclarecimento” deste comunicado é legitimado pela ignorância destes factos por parte da actual direcção;

 

b.      É um abuso de liberdade e um desrespeito pela experiência dos xadrezistas, pelo menos dos que andam nisto há alguns anos, considerar que a designação de um seleccionador implica, obrigatoriamente (depreende-se pelo modo como se esclarece), um contrato com os consequentes custos em termos financeiros;

 

c.      Fica sem se saber se esta FPX concorda que estes critérios são os que garantem a escolha das melhores selecções ou se, pura e simplesmente, o facto de terem sido adoptados pela direcção anterior e de terem servido para convocar a selecção que jogou o torneio das 4 nações em 2007, faz deles bons critérios;

 

d.     É confusa a informação (4 meses atrasada!) de que o porta-voz da direcção assumiu a função de seleccionador e ainda mais confusa quando se diz que o porta-voz (ou seleccionador?!) cumpre as decisões da direcção, ou seja, não cumpre a função para a qual foi nomeado. Não sei se estão a ver? Trata-se de saber de quem é a responsabilidade. Eu fiquei na mesma. Em branco. Ainda por cima esta informação é dada em termos de esclarecimento no dia 7 de Outubro de 2008 depois de nada ser dito em várias outras ocasiões sobre este assunto, quer por escrito, quer oralmente;

 

e.      O prazo estabelecido pela FIDE não foi 12 de Julho de 2008. Desde o início de Junho que foi prorrogado para 12 de Setembro de 2008. Pelo menos para as mentes esclarecidas. Para as ingénuas já não sei;

 

f.       Os seleccionados não foram todos contactados como é escrito neste esclarecimento. Estas insistências por parte de FPX são vergonhosas. Classificá-las de inverdades é mesmo o melhor que se pode fazer. Eles sabem bem que não é verdade;

 

g.      A decisão tomada não é, obviamente, válida.

 

 

Um homem com carradas de razão não pode fazer nada contra um embuste bem montado. São os aspectos negativos da democracia. Uma direcção é eleita democraticamente e dirige de forma autocrática e discricionária, cometendo todo o género de atropelos, decidindo de forma incompetente e irresponsável, não admitindo o prejuízo causado a pessoas e ao próprio país, utilizando o estatuto de utilidade pública e subsídios do IDP que deveriam ter melhor utilização.  

 

 

Tudo funciona devido à falta de regras punitivas e à morosidade de intervenção em casos desta natureza que, por isso, se multiplicam.

 

Ainda por cima, de acordo com as informações veiculadas ao jornal Record, a responsabilidade de não se cumprir o regulamento, agora, é da APMX porque não fez nada para o alterar!

 

 

E sobre outra afirmação veiculada por este jornal desportivo, sobre o valor da selecção devo dizer que a prática de todas as direcções anteriores (desde há cerca de 30 anos) nunca testemunhou uma afirmação de que a selecção não perdia valor com o desfalque do campeão nacional e do xadrezista com melhores provas (e ranking) dadas no período que antecede a prova. Isso só aconteceu agora e em 2004.

 

A selecção feminina merece um comentário à parte embora, neste caso, o ardil seja tão infantil que custe a crer que pessoas adultas que se candidataram a funções desta responsabilidade tenham decidido com tamanha desfaçatez.

 

A senhora Maria Armanda Plácido, vice-presidente da FPX e presidente da AX de Lisboa apresentou um desempenho sempre negativo durante as poucas provas em que participou no ano de 2008 e apresenta um elo de cerca de 1750. Há várias xadrezistas, todas elas jovens e em progressão, com valor superior e mais elo do que ela. Antes da data da convocatória a Direcção da FPX tinha em seu poder a lista das xadrezistas inscritas no campeonato nacional feminino onde constavam estas jovens e onde não constava a jogadora seleccionada. Mas a FPX preferiu gastar energias em encontrar uma excepção para incluir o torneio de mestres nas contas da convocatória e ignorou esta prova especificamente referida nos seus critérios. Acho que para os bons entendedores chega.

 

 

Sorte tem a Bianca Jeremias em poder com facilidade pedir a nacionalidade alemã. Terá mais possibilidades, apoio para evoluir e será respeitada!

 

 

Outro argumento muito referido pela FPX foi o do prejuízo que seria causado aos xadrezistas convocados de forma ilegal que fossem substituídos por nova convocatória. Estranhamente, nunca foram referidos os prejuízos causados àqueles que, por força de uma decisão irresponsável, prepotente e com incumprimento do regulamento em vigor, não foram convocados. Vale o mesmo reparo para as expectativas criadas. É que têm mais valor as expectativas que se buscam através dos resultados obtidos do que aquelas que derivam de um benefício obtido por incúria de quem decide. Permito-me não comentar os benefícios obtidos por conflito de interesses ou favorecimento.

 

 

No caso das presentes convocatórias há a referir o grave prejuízo causado ao GM António Fernandes que, tendo conquistado o campeonato nacional a tempo de ser convocado, viu a oportunidade de lutar pelo recorde mundial de participações em olimpíadas (já participou em 14), cerceada por esta decisão.

 

Acrescentem-se ainda os prejuízos nas carreiras dos xadrezistas que apresentavam, claramente, melhores registos nesta altura.

 

A presença numa olimpíada, até pelos contactos que se estabelecem, é sempre um benefício para a carreira de um xadrezista. E quando se ostenta o título de Grande Mestre pode, também, trazer benefícios financeiros.

 

E quanto à Bianca questiona-se se “cortar as pernas” a uma jovem de 19 anos com quase mais 200 pontos de Elo do que a 5ª seleccionada não é prejudicar a carreira.

 

 

Finalmente o argumento de que se deve agradecer o tempo dispendido pelos directores (candidatos por opção própria), em desfavor das suas vidas particulares, a favor da modalidade, não colhe de todo. Trata-se de mais uma aplicação do princípio do umbigo. Há muita gente, xadrezista e não só, que dedica tão ou mais tempo, roubado à sua vida particular, à modalidade. Por opção própria. A questão de terem tomado decisões alternativas ao dirigismo na FPX é um direito que lhes assiste e que deve ser respeitado.

 

 

Cumprimentos a todos,

 

António P. Santos

 

 

PS

Já depois de ter redigido este documento tomei conhecimento que, em plena AG realizada no passado dia 9 de Novembro, o presidente da FPX afirmou, penso que em jeito de justificação, que a senhora Maria Armanda Plácido não prejudicaria o desempenho da selecção feminina porque até nem iria jogar.

 

Uma posição que ainda descredibiliza mais todo o processo e que realça a desfaçatez com que se prejudica uma jovem de 19 anos sem pudor nenhum.

 

Afinal se era para não jogar, não poderia ir a Dresden como capitã da equipa e levar uma 5ª xadrezista que, obviamente irá ter de jogar algumas partidas?

 

Tem alguma justificação esta conduta?

 

São as datas e os critérios que a justificam?

 

Não, nem isso, nem incompetência, nem inexperiência, nem nada!

 

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 o texto de APS.