A edição portuguesa do jornal Metro de hoje apresenta uma entrevista da jornalista Elisabeth Braw ao ex-campeão do mundo de xadrez Garry Kasparov, fundador de A Outra Rússia.
O artigo tem uma dupla importância, reafirma o completo afastamento de Kasparov do xadrez, a nível de competição e apresenta a sua nova faceta, já conhecida, de político activo e empenhado na democratização do seu país. Eis o seu conteúdo:
Garry Kasparov foi o melhor jogador de xadrez do Mundo durante 20 anos. Mas em vez de usufruir de uma vida de lazer e prazer em Nova Iorque ou Londres, passa todo o tempo em Moscovo. Objectivo? Levar a democracia à Rússia.
É possível a democracia na Rússia?
Não acredito que haja países imunes à democracia,. Há 100 anos, quem diria que a Alemanha e o Japão seriam democracias exemplares? A Rússia não é diferente. A democracia é um processo gradual de educação. É muito cedo para dizer que não funciona na Rússia. Pelo contrário: tem de se transformar numa verdadeira democracia: caso contrário haverá um colapso, como aconteceu com a União Soviética. O regime actual está a ser incapaz de lidar com o poder da China e com problemas internos como o crescimento do fundamentalismo islâmico.
O que é que faria se vencesse as eleições presidenciais?
É ainda prematuro seguir essa linha d pensamento. Não estou aqui para ganhar eleições. Estou aqui para que haja eleições livres e democráticas na Rússia.
O presidente Medvedev é melhor do que foi Putin?
A pergunta é irrelavante. A Rússia ainda é dirigida por Putin. É curioso como o Kremlin tem lapsos freudianos e por vezes ainda chama presidente a Vladimir Putin. Estou a recolher assinaturas para pedir a demissão de Putin [como primeiro-ministro] e é engraçado que nunca ninguém pede a demissão de Medvedev. Isso mostra quem tem o poder.
Quando é dará a sua missão por concluída?
Sei que poderia ser melhor governante do que eles, mas isso não interessa. Quando a Rússia tiver eleições livres, a minha missão estará acabada.
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Os interessados podem igualmente ler, com proveito, a entrevista de Garry Kasparov a Ibragim Bayamduroglu, correspondente da Radio Free Europe/Radio Liberty no Azerbaijão, disponibilizada pela Moldova Foundation, no passado 11/3/2010.
In a wide-ranging interview, Kasparov interprets Vladimir Putin’s vision, cites a Russian tendency toward authoritarianism and its effect on the region, and skewers the idea of a “pro-Russian” Ukrainian president.