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Carta Aberta da Associação Académica da Amadora à Federação Portuguesa de Xadrez

Sexta-feira, Fevereiro 26th, 2010
Recebi de Edgar Pereira, coordenador da secção de xadrez da Associação Académica da Amadora o pedido de divulgação pública no blogue da Carta Aberta que dirigiu à FPX .
 
 
 
Carta Aberta à comunidade xadrezística em Portugal,

 

 

À Federação Portuguesa de Xadrez,

 

 

 Olá a todos,

 

Venho por este meio expressar a minha indignação pela decisão expressa nos Regulamentos para as Competições por Equipas 2009-2010 que ditam o facto da Associação Académica da Amadora I jogar a 3ª Divisão.

 

Antes de mais, quero reforçar a ideia que tal decisão foi expressa apenas e só, de forma indirecta, num regulamento de prova. Ou seja, até à data, não tenho conhecimento de nenhuma comunicação endossada à Associação Académica da Amadora revelando qualquer decisão. Ou seja, as coisas são feitas como sendo um dado adquirido sem apelo nem agravo.

 

Independentemente da avaliação e aplicação que façam do Regulamentos de Competições, penso que seria adequado que tais comunicações fossem expressas de forma conveniente e atempada. Se esta é a forma de comunicação permitida – e apenas e só exigida, lamento.

 

Cheguei no final da época passada – desconhecendo até muita coisa – à condição de tentar ajudar a Associação Académica da Amadora ainda a tempo de se tentarem todos os esforços e mais alguns para que fosse possível a participação da equipa na 1ª Divisão. Para isto? A Direcção fez um grande esforço financeiro – em tempos conturbados para ela mesma – de forma a que não se acabasse com o Xadrez, com cerca de € 3.000,00!

 

Pergunto: o “famoso” regulamento serve só posteriormente? Então e o ponto 5, do “tal” Artigo 36º diz: PARA INSCRIÇÃO (…)”. Fico por aqui na citação. Então quer dizer que a inscrição foi permitida ilegalmente, é isso? Ou seja, poderá alguém chegar à conclusão de que foram coniventes, de forma consciente, com uma inscrição ilegal por parte da A. A. Amadora para que existisse um aproveitamento financeiro da participação da mesma e a própria competição não saísse prejudicada? Ainda estava em regime transitório, é isso?!

 

Em Agosto de 2009 estavam à espera de que regime transitório – já depois dos Campeonatos Nacionais de Jovens? Muito suspeito, quando já tantas dúvidas e tanta polémica existia à volta do novo formato da 1ª Divisão! Não? Para finalizar este ponto, recordo até, que muita gente comentava que a 1ª Divisão nem se iria realizar de tal forma que os clubes nem se iriam escrever, apesar de não ter sido isso que aconteceu… então, – e provavelmente porque – todos pensaram como eu: “que seja”, TEMOS que inscrever o clube na competição em causa para que o mesmo não fique EM CAUSA DESPORTIVAMENTE por causa de uma tomada de posição (individual, de quem esteja a dirigir a equipa) – se é que me fiz entender!?

 

A insensatez, vai ao ponto de nem sequer na 2ª Divisão constarmos! Não cumprimos com o ponto 5…desportivamente descemos de Divisão – de forma justa, nada a considerar e… agora 3ª Divisão “com eles”?! Isto é absurdo, para além de insensato e de uma profunda falta de respeito “desportivo-financeira”!

 

Devo acrescentar, que nesta época (2009–2010), a Associação Académica da Amadora teve 2 Campeões Distritais de Lisboa e um Vice-Campeão – sim, porque ainda não entendi que história era essa dos “regionais”, perdoem-me a ignorância – nomeada e respectivamente nos escalões Sub-10, Sub-12 e Sub-14 (Luís Teixeira, Vasco Sousa e João Pedro Meira). Tivemos 7 jovens nos Distritais deste ano e de futuro – porque estamos a apostar na formação – esperamos ter mais.

 

Isto não é formar de “papel”! Para “encher chouriços” e cumprir de forma hipócrita com eventuais regulamentos absurdos! E eu só posso falar daquilo que tem passado por mim desde que cheguei ao clube e não para trás. Isso, remeto – eventualmente – para a minha Direcção.

 

Sinto-me obrigado a invocar coisas as quais – como já referi mais do que uma vez – não concordo. Falo portanto, do ponto 7: “Uma equipa que tenha sido promovida à 1ª Divisão ou com direito de permanência, mas não tenha cumprido os requisitos estipulados no ponto 5 deste para inscrição na época seguinte, jogará na 2ª Divisão se cumprir com o estipulado para esta no ponto 6, ou na 3ª Divisão; “Ou”… na 3ª Divisão?

 

Expliquem-me isto. O ponto 6 diz:

Para inscrição de um [um quê? – pergunto eu. Ah, clube!] no Campeonato da 2ª Divisão existem as seguintes condicionantes: participação em campeonatos nacionais, regionais ou distritais de jovens da época anterior de pelo menos 8 jovens diferentes, filiados pelo clube nessa época. A contabilização dos participantes é feita com base nos jogadores que concluíram a prova. (Regime transitório: Época de 2008-09: 0 jovens; época de 2009-10: 4 jovens).

 

Em que época estamos? 2009-2010 ou é impressão minha?!

 

Confesso que todo este assunto me transtorna e neste momento não devo estar a possuir de toda a lucidez possível para avaliar com exactidão estes absurdos pontos deste absurdo regulamento. 

 

Mude-se este Regulamento! Nunca concordei com regras hipócritas que possam ser contornadas de forma leviana e pouco verdadeira. Este regulamento é um exemplo disso. Pelo que me é dado a parecer… 

 

Estamos na Época 2009-2010, ainda não tivemos Nacionais de Jovens, a Associação Académica da Amadora desceu desportivamente à 2ª Divisão e… porque é que não tem direito de constar nela?

 

 

Exorto aos demais clubes e jogadores, pela vossa solidariedade de actuação e opinião pelo que a Associação Académica da Amadora também está e estará disponível para discutir os assuntos de forma séria e verdadeira bem como ajudar ao máximo para que o Xadrez se desenvolva como modalidadee como comunidade, tendo em conta sobretudo, a formação junto dos jovens, no seu desenvolvimento pessoal e desportivo.

 

 

Saudações xadrezísticas,

 

Edgar Álvares Pereira

(Coordenador da Secção de Xadrez da Associação Académica da Amadora)

Carta Aberta ao Presidente da FP Badminton

Terça-feira, Dezembro 15th, 2009

Transcrevo uma Carta Aberta ao Presidente da FP Badminton dirigida ao Presidente do Instituto do Desporto de Portugal., elucidativa das dúvidas de um desportista e de um cidadão exigente.

Não foi escrita por um filiado da FP Xadrez mas poderia (e deveria) ter sido. Como se vê as questões e os podres são os mesmos.

 

 

Na segunda-feira passada foi enviada uma “carta-aberta” ao Presidente da FPB, a qual até hoje ainda não obteve qualquer resposta por parte do mesmo ou da Federação. No entanto continuo a aguardar o cumprimento legal do Decreto-Lei N.º 248-B/2008…

Entretanto quero tornar público a carta que eu enquanto Cidadão tomei a liberdade de enviar ao Presidente do IDP em 13 de Outubro de 2009, e onde abordo a questão do referido incumprimento legal, pedindo esclarecimentos a algumas situações que podiam eventualmente suscitar dúvidas, quero ainda realçar que nunca fiz qualquer menção ao nome da FPB, nem na carta ao Presidente do IDP, nem nos contactos posteriores…não foi nem é minha intenção causar qualquer prejuízo a minha Federação.
Carta ao IDP
Seiça, 13 de Outubro de 2009

 

Exmo. Senhor Presidente do I.D.P.

Av. Infante Santo, 76

1399-032 LISBOA

 

Assunto: Decreto-Lei n.º 248-B/2008

 

Exmo. Senhor

Eu Luís Filipe E. Neves sou um cidadão que se interessa pela vida pública nomeadamente no que ao Desporto diz respeito, para além de uma vida activa na prática do mesmo, faço questão de assumir o direito e dever na fiscalização das entidades públicas ou privadas no que concerne ao seu bom funcionamento e correspondente cumprimento da Lei, para que desse modo possam cumprir da melhor maneira os fins para quais existem. Nessa perspectiva não pude de deixar de me congratular pela nova Lei de Bases da Actividade Física e do Desporto, Decreto-Lei n.º 248-B/2008, que veio na minha opinião clarificar de um modo mais objectivo a democraticidade e transparência que deve ser apanágio do funcionamento das Federações Desportivas, mas que nem sempre era posto em prática pelas respectivas direcções.

No contexto referenciado e perante o Decreto-Lei, no Capítulo I (Disposições gerais), Artigo 8.º, podemos ler:

Publicitações das decisões••1 — As federações desportivas devem publicitar as suas decisões através da disponibilização na respectiva página da Internet de todos os dados relevantes e actualizados relativos à sua actividade, em especial:

a) Dos estatutos e regulamentos, em versão consolidada e actualizada, com menção expressa das deliberações que aprovaram as diferentes redacções das normas neles constantes;

b) As decisões integrais dos órgãos disciplinares ou jurisdicionais e a respectiva fundamentação;

c) Os orçamentos e as contas dos últimos três anos, incluindo os respectivos balanços;

d) Os planos e relatórios de actividades dos últimos três anos;

E é exactamente nas alíneas c) e d), que surgem as questões que gostaria de pôr a V.Exa:

 

1) – Porque motivo existem Federações desportivas com a atribuição do estatuto de utilidade pública desportiva, que ainda não têm publicitado na respectiva página da Internet aquilo que a Lei obriga nas alíneas c) e d)?

 

2) – Será que as Federações Desportivas que ainda não cumpriram com o estipulado na Lei, estão a incorrer num incumprimento a Lei?

 

3) – Quais os passos que eu enquanto cidadão e contribuinte devo encetar no sentido de exigir que a Lei seja cumprida pelas Federações que eu tenha conhecimento de que continuam sem publicitar na sua página da Internet o que a Lei determina?

 

4) – Será que quando a Lei referencia os últimos 3 anos, se está a referir de uma maneira retroactiva aos anos de 2006, 2007 e 2008?

 

Para já são estas as questões que me assaltam e perante as quais eu fico na dúvida de quais as medidas e ou exigências devo tomar perante a Federação Desportiva que na minha opinião se encontra incumpridora, não podendo por esse motivo exercer o meu direito de participação activa na avaliação e fiscalização do trabalho da Direcção da dita Federação Desportiva, essencialmente porque não tenho acesso aos dados que no entender da Lei deviam ser públicos.

Ficando desde já a aguardar pela resposta de V.Exa, apresento os meus sinceros agradecimentos pela atenção que possa dispensar as minhas questões.

Atenciosamente

 

Luís Filipe Encarnação Neves

Carta Aberta a Miguel Pires

Sexta-feira, Novembro 6th, 2009

Carta AbertaCaro Miguel Pires,

 

Antes do mais agradeço-lhe o email que teve a amabilidade de me enviar, não obstante, não ter tido oportunidade de o fazer mais cedo.

Não tenho o prazer de o conhecer pessoalmente, mas oportunidade, por certo, não faltarão.

Tal como o Miguel, também eu, me encontro preocupado com o estado do xadrez em Portugal, a nível federativo, associativo e não só. Como vê, não é, como eu não sou, o único. Preocupados com a situação actual seremos muitos. Com a vontade de a mudar é que já somos menos. E, com vontade de mudar verdadeiramente já somos muitos menos.

Não tenho, de momento, a oportunidade requerida para lhe poder responder com rigor e seriedade, às questões que levanta, pelo menos, por agora. Não creio ser o momento oportuno. Apelo, por isso, à sua compreensão.

Creio, contudo, que é sempre importante debater ideias e propostas para, com vontade e seriedade, ultrapassar os diagnósticos por mais negativos que se revelem e a realidade por mais sombria que se apresente.

Se me permite uma pequena observação, as questões que levanta são, de facto, importantes mas estão longe de constituírem as questões principais ou mais relevantes com que o xadrez actualmente se debate.

Refiro-me, em concreto, ao dirigismo que nos governa. Refiro-me, em primeiro lugar, ao pensamento dominante e, de seguida, às pessoas que o protagonizam, em especial, quando reiteradamente se opõem à mudança.

Como poderá facilmente compreender, não basta mudar as pessoas, pelo menos, no xadrez actual, já não basta. É preciso ir mais longe, nos métodos e nas práticas.

Não podemos ser cândidos, porque a máquina se encarregará de triturar todos os que se lhe oponham. Faço-me entender?

Permita-me um aparte, isto é, uma sugestão de leitura, onde poderá compreender boa parte das ideias que venho defendendo: a conferência do Prof. Olímpio Bento, docente universitário de C. Desp. Ed. Física, da Univ. Porto, deu em Gaia, há meia dúzia de anos, intitulada Do Prazo de Validade no Sistema Desportivo Português, em que publiquei na Ala de Rei alguns excertos bem elucidativos que venho afirmando. Outro documento bem interessante encontrará em Teses para Alterar o Xadrez Nacional que escrevi há algum tempo.

Não discutir as “questões de fundo” é andar entretido a discutir o sexo dos anjos, tal qual aqueles dirigentes bizantinos do passado.

Cada um é livre de discutir o que entender de melhor para a nossa modalidade, mas depois não se queixe de estar a falar para o tabuleiro quando ele há muito que já não tem peças – a partida está a disputar-se noutra sala!

O que não deixa de ser estranho é que não se considere estranho isto: em vez de inquirir as causas e a fonte dos problemas da modalidade – que estão na forma como a FPX está organizada e a funcionar e a ser dirigida há anos – e se opte por atacar quem criticamente aborda e comenta o estado da modalidade e aponta exemplos de irregularidades e ilegalidades que se encontram, note bem, à frente do nariz de cada um. Tem havido no xadrez recente uma espécie de caça ao homem, esteja ele onde estiver, em especial quando escreve num blogue. (não estou a falar a penas de mim). A preocupação primeira não é o conteúdo da situação descrita e denunciada publicamente, mas o artista que ousou pôr cá fora a informação. Vai um exemplo muito elucidativo disto?

A FPX pela pena dos seus dirigentes estava mais preocupada em saber quem era o autor de um email que recebi do que em apurar responsabilidades e punir as infracções a existirem!

Vai um segundo exemplo bem elucidativo disto? Toda a gente sabe que a legalidade não é uma palavra e uma prática muito apreciada para os lados da Rua Francisco Foreiro, e, no entanto, é com uma periodicidade alarmante que se toma conhecimento das reiteradas ilegalidades dos órgãos federativos.

Atente-se apenas o que já aconteceu em pouco de 2 anos – caso GCO/SIR Elvas; caso Olimpíadas de Xadrez em Dresden 2008, este então é um mix com seleccionador nacional, uma capitã de equipa feminina, uma chefe da delegação, um campeão nacional absoluto; o processo eleitoral em curso que acumulou protestos todos resolvidos ilegalmente em duas penadas; e outros episódios com menor visibilidade.

Uma Federação detentora do estatuto de Utilidade Pública Desportiva que vive, no essencial, à custa do erário público, vive como se o dinheiro lhe caísse do céu. Se fosse uma empresa já tinha fechado as portas há anos, porque os bancos já tinham ficado com as chaves. Leiam-se a este propósito os relatórios do Presidente do Conselho Fiscal e do Revisor Oficial de Contas.

Alguém se preocupa em mudar de estilo de vida?

Quando em vez de discutir se ataca e vilipendia o comentário crítico no seio da família do xadrez, como alguns gostam de referir, o que se espera de quem já perdeu ou nunca teve o «amor pelos xadrez»? numa frase bem expressiva que João Cordovil há cerca de 40 anos!

Gostaria de lhe escrever de forma diferente mas, em face do que presencio e do que tenho conhecimento, mas era possível fazê-lo de forma diferente.

Para meu e, possivelmente, também para si, desencanto.

Aceite os meus melhores cumprimentos.

Francisco Vieira 

 

PS- Uma vez que este texto tem importância para ser publicado, tomei a liberdade de lhe escrever em forma de Carta Aberta, o que relevará.

Kosteniuk Open Letter to FIDE (Carta Aberta de Koeteniuk à FIDE)

Sábado, Maio 30th, 2009

From

The Desk of Alexandra Kosteniuk, Women’s World Chess Champion,
Co-Chair, Commission for Women’s Chess

 

To

FIDE President Kirsan Ilyumzhinov,

FIDE General Secretary Ignatius Leong,

the Commission for Women’s Chess Co-Chair Susan Polgar,

the Commission for Women’s Chess Secretary Martha Fierro Baquero,

Councilors Xie Jun and Maya Chiburdanidze,

Members Antoaneta Stefanova, Xu Yuhua, Zhu Chen, Nona Gaprindashvili, and Franca Dapiran

 

May 7, 2009 (Ref. AK-20090507)


Subject : FIDE Commission for Women’s Chess Proposals

 

 

Dear fellow supporters of Women’s Chess!

 

Since being appointed Co-Chair of the FIDE Commission for Women’s Chess at the recent FIDE Presidential Board in Istanbul, I have studied in detail the current situation of women’s chess around the world.

 

While there has undoubtedly been great progress in women’s chess in the past few years, evidenced by the larger number of women participating in chess tournaments, as well as the general increase of women’s ratings, I believe there is much we can do to improve the situation further. We have to work on all levels, so that chess is perceived as a game equally suited to girls as to boys, beneficial to their development, in school and later on in life. This will lead to more girls starting to play chess, becoming members of
their national chess federations and consequently more girls and women taking part in chess tournaments. With time, this will further raise the overall level of women chess players. With further work to make our women champions better known, girls and women will have role models to follow and that will help them become better chess players, too.

 

Besides that, developing Women’s Chess also can help attract more press to chess, thereby pulling in potential sponsors, raising its profile and helping the game of chess as a whole.

 

My belief is that, with some good ideas, coupled with sound policies and precise targets for improvements in Women’s Chess, we can reach significant improvements.

 

In this letter, I raise some important issues and give some proposals to improve women’s chess over time.

 

Improvements won’t come all at once, we will need everyone’s input and active involvement. I am firmly committed to helping to develop Women’s Chess in the world, and so I propose to take upon me the role of centralizing all the ideas, improving on them with everyone’s help, and try to push them around until they become a reality.

 

I need and welcome all of your comments and suggestions to any of these points. Feel free to respond to the committee members as a whole so we can all be informed of how our issues advance. You can also add issues that are close to you and we can try to improve the situation in those too. I will follow up on all issues until we either succeed or decide it is an avenue not worth being followed.

 

Specially for the goal the Improving Women’s Chess, and to have a central depot for the ideas generated and comments to them, I have set up a Women’s Chess Blog, where you will be able to post messages with your ideas and comments to any other ideas. The address is www.chessblog.com and I will make sure that it meets its goal of positively promoting Women’s Chess in the world.

 

Today I have posted on www.chessblog.com this letter in its entirety, and in the days ahead, each point raised below will have its own post, so you will have a chance to comment on any and all of the issues at hand. If you have a new issue you’d like to raise, simply send me an email to alexan@kosteniuk.com This e-mail address is being protected from spambots. You need JavaScript enabled to view it and I will post the issue as a new post on www.chessblog.com .

 

The goal of the WOMEN’S CHESS BLOG is exclusively to improve Women’s Chess in the world, in a positive way, with new ideas and constructive criticism only. Women’s Chess will be shown to be the kinder and more attractive side of chess.
Open issues and Proposals:

 

1. Predictable Tournaments Calendar

 

It is important to make the calendar for professional women’s players as predictable as possible. For that we need to set up a reliable system where tournaments are announced as far as possible in advance and dates are recorded in a central FIDE database (for example at calendarwomen.fide.com). Official FIDE tournaments and Grand Prix events should have dates fixed at least 6 months in advance and cannot be changed after the bidding host has been accepted.

 

2. Making our Women Stars better known and turn them into Role Models

 

When the press talks about chess, they sometimes don’t have any ideas about the fact that women play chess too or they think it’s not interesting. We propose FIDE make women’s presence on their site closer to 50% of coverage. I looked today and there is practically not a word about any women’s chess champion nor any women’s event on the FIDE home page. At the minimum, FIDE should have a well placed button or banner on their home page called “Women’s Chess Stars”, for example at women.fide.com, where we could find the history of Women’s Chess, previous World Champions, as well as the current women’s champions in all sections (World, Continents, all Countries, all age groups). Any women on that page become FIDE WOMEN STARS and FIDE should promote them as such. Any girl from any country, whatever small it is, should be able to go to that page, and find her country “star”, which will be her role model for the time, before she gets better and becomes a “star” herself, then trying to become a bigger “star”. I think that this idea, while very easy to implement and which does not cost anything really, will help more girls think of chess being cool, and will bring them to
chess. And it will be useful for the press, who at a glance, will be able to see all of the worlds past and present stars, on a global scale going down to each country. That’s much better than having to search on dozens of Wikipedia pages and FIDE top lists.

 

3. Women’s World Blitz and Rapid Championships

 

Those tournaments, which could be a hit with sponsors and especially with TV, unfortunately don’t exist. FIDE should develop tournament regulations for them and put them up for bidding. ?FIDE could make official the titles of Women’s Blitz and Rapid Champions, which would make these events very attractive to all the top players, as well as to sponsors and the press. Further, organizers of continental championships should be encouraged to add 2-3-4 days to their schedules to hold continental Blitz and Rapid Championships, and give out additional titles of Blitz and Rapid Champions. I am sure many players would gladly participate in the extra competitions and this has a great potential to bring in the press and even additional sponsors. Also, playing a continental championship will then offer 3 chances to become the champion, which is better for the players. This can be also extended to the Women’s Grand Prix.

 

4. Creating the CAISSA Award

 

This award could be given to the best woman player of the previous year, based on some criteria to be determined (highest ELO improvement from 2400 up, highest performance in a top tournament, most titles won, etc.). FIDE could put this also up for bidding with sponsors and the title could come with the sponsor name, for example the “Microsoft Caissa award”, with a part of the sponsor’s money going to the budget for women’s chess.

 

5. Creating a GOLD ORGANIZER award

 

Our FIDE Commission for Women’s Chess can make a list of positive qualities women’s chess tournaments should have and evaluate each major tournament based on these factors. For example, level of prizes, web presence, satisfaction of players, etc. The tournaments and organizers who make the mark should be given a GOLD ORGANIZER award. The award is honorific in nature, but could carry some advantages in the future for example in scheduling tournaments. Also, FIDE could post on their web site information on all chess organizers , with a particular mention for those achieving the
GOLD status.

 

6. Increasing Women’s Prizes in Open Tournaments

 

At the moment the difference between the top prize and the top women who play in the same strong open tournament is significant, making it not at all interesting for the strongest women to play in large open tournaments. For example top men’s prize in an open could be $4000, but top woman in the open $200, which is not reasonable if there are several men GM playing, it becomes totally uninteresting for women to play or even costly since they often have to pay for they travel, hotel and sometimes trainer. This is
detrimental to the progress of women’s chess as women miss out on opportunities to play strong opens with men. FIDE could require for all FIDE rated tournaments to have a prize for the first woman to be no less than 30% (for example) of the top prize, this way with time it is sure that more women would participate in open tournaments, which would increase their levels.

 

7. Supporting women’s events with its Budget

 

FIDE is a little too silent on the way it uses its budget, as they don’t have a transparent reporting of their incomes and expenses. For example, while I am Co-Chair of the Commission, it is not clear what the budget, if any, the Women’s Commission has. It is also not clear how the budget is funded, from where. Recently I received an email asking about having the Women’s Commission support financially the Central American and Carribean Women’s Championship and we don’t know if there is a budget for this and what are the procedures to follow.

 

I think this Commission for Women’s Chess should have a budget in accordance with its duties, and the right to spend it to further Women’s Chess, in a totally open and transparent way, and taking everybody’s votes into consideration. It should be clear how the budget is funded, for example, a part of the 20% paid to FIDE from prizes of all major tournaments should go to the Commission for Women’s Chess (at least from the Women’s tournaments).

 

By this letter I ask the FIDE Secretary Mr. Ignatius Leong to inform us about the current budget for this year, as well as the correct procedure for spending it. This way we will be able to monitor the progress we make and support causes that deserve it.

 

I look forward to seeing you all on www.chessblog.com where I will inform everybody on the progress we make in all areas and you are welcome to add your comments. If you wish to contact me personally, for any reason and to add issues or suggested improvements for Women’s Chess to my list my email is alexan@kosteniuk.com This e-mail address is being protected from spambots. You need JavaScript enabled to view it.

 

Best chess wishes to all!


Alexandra Kosteniuk
Women’s World Chess Champion


www.chessblog.com

Some interesting, good and constructive ideas, IMO.

in rec.games.chess.misc

Open letter to FIDE President Kirsan Iljumzhinov (Carta Aberta da ACP à FIDE)

Sábado, Maio 30th, 2009

ACP Board [Mon May 25th, 14:32]Association of Chess Professionals.

 

To: FIDE President Ilyumzhinov K. N.

 

May 19th 2009


Dear Mr. President,

 

The Association of Chess Professionals expresses its deep concern on female tournaments’ calendar for the year 2009.

The new Grand Prix events series have been created this year, which is undoubtedly an excellent innovation in women chess.

However, the first stage of the Grand Prix (Turkey, 5-20.03) clashed with the individual European championship (Russia, 7-21.03). The second stage (China, 27.09-10.10) is scheduled for the same dates as the European Club Cup (Macedonia, 3-11.10).

Thus, professionals face a difficult choice now, as they cannot participate in both major events. The organizers cannot count on strongest players’ participation.

 

Since the calendar of female tournaments is not overloaded at the moment, and there are months free from female competitions, we kindly ask you to avoid a clash of major female competitions.

 

Best regards,

ACP Board


Contact person:

Elmira Mirzoeva

Há casos em que a vergonha não tem limites. A Vice-Presidente da Federação Portuguesa de Xadrez, Maria Armanda Plácido é um exemplo disso.

Segunda-feira, Janeiro 5th, 2009

Casa do Xadrez publicou, no passado dia 31/12, uma Carta aberta à FPX – documento que reproduzo a seguir, que as subscritoras, jogadoras da Selecção Olímpica feminina de Portugal, entenderam tornar público. O documento fala por si sobre a Chefe de Delegação portuguesa à Olimpíada de Xadrez de Dresden 2008.

 

Carta à FPX sobre as Olimpíadas de Dresden

 

Caros Dirigentes da FPX,

Escrevemos esta carta para relatar algumas situações que se passaram na última Olimpíada em Dresden e que pensamos que devem tomar conhecimento.

Antes de partirmos para Dresden em Novembro, já nos tínhamos pronunciado desfavoravelmente à escolha da nossa capitã de equipa, lugar que foi preenchido pela Maria Armanda Plácido. Infelizmente, episódios que ocorreram durante a Olimpíada vieram reforçar esta opinião. A Maria Armanda Plácido pode ter desempenhado as funções de representante da FPX no Congresso da FIDE mas não desempenhou as funções de capitã de equipa, pois não fez um acompanhamento próximo das suas jogadoras.

Infelizmente, uma das jogadoras da equipa feminina, a Ariana Pintor, sentiu-se mal no 2º dia, facto que foi presenciado pelas colegas de equipa, a Margarida Coimbra e a Ana Baptista. Em conversa com a D. Rosa Maria Durão, a Margarida e a Ana referiram que a Ariana não estava bem, e a D. Rosa Maria prontificou-se a ajudar no que fosse preciso.

A partir deste momento, a Ariana passou a pedir auxílio à D. Rosa Maria sempre que se sentiu pior, tendo pedido em algumas ocasiões que estivesse presente durante as partidas para se fosse preciso alguma coisa. A D. Rosa Maria ajudou a Ariana sempre que foi preciso, inclusive acompanhou-a ao médico da Olimpíada por três vezes e ao hospital no último dia, também na companhia da Margarida e da Ana.

Por tudo isto, e por também ter estado presente em inúmeras vezes em que foi preciso apoio moral e logístico, e por ter partilhado muitos bons momentos em Dresden com a nossa equipa, estamos muito agradecidas à D. Rosa Maria pela sua generosidade e disponibilidade.

No entanto, nunca a D. Rosa Maria expressou vontade de se tornar nossa capitã de equipa, apesar de ter sido ela a acompanhar a nossa equipa como se fosse tal. Também não tínhamos uma amizade anterior com a D. Rosa Maria, éramos apenas conhecidas de alguns torneios.

Maria Armanda Plácido [1ª da dta], Presidente da Direcção da AX Lisboa, Vice-Presidente da Direcção da FP Xadrez, "Chede da Comitiva" (Delegação da FPX) às Olimpíadas de Dresden 2008, "capitã da selecção feminina", jogadora da selecção olímpica feminina da FPX e representante da FPX ao Congresso da FIDE 2008. [Foto FPX] Infelizmente, a Maria Armanda Plácido interessou-se pouco pelas jogadoras, não tendo convivido com elas e procurado saber as suas condições físicas e psicológicas, bem como fornecer todo o apoio moral e logístico que se espera de uma capitã de equipa (já para não falar do apoio técnico xadrezístico que seria esperado de um capitão, mas que aqui não se aplicaria). Nós (Ariana, Margarida e Ana), costumávamos andar juntas, por vezes acompanhadas da D. Rosa Maria e a Maria Armanda alega que nós “fugimos” da sua presença em variadas ocasiões (eléctrico, sala de jantar), no entanto isto nunca aconteceu. O que aconteceu foi um distanciamento natural após termos presenciado alguns episódios que não foram do nosso agrado, contudo nunca rejeitámos qualquer tentativa de aproximação da nossa capitã de equipa, estas tentativas não chegaram a acontecer.

Os episódios que nos desagradaram ocorreram logo nos primeiros dias. No dia de chegada, como referiu a D. Rosa Maria na carta que endereçou à FPX, a Maria Armanda ordenou aos restantes membros da comitiva que não falassem sobre o assunto da reclamação do António Fernandes relativamente à constituição da equipa masculina. Se muitos de nós já não estavam de acordo com a presença da Maria Armanda na comitiva, esta atitude não favoreceu de todo as relações da Maria Armanda com os jogadores e com a D. Rosa Maria e o MI Joaquim Durão.

No dia seguinte, logo de manhã, enquanto a Maria Armanda falava connosco sobre alguns assuntos da equipa feminina, a D. Rosa Maria aproximou-se e disse-lhe que precisava de esclarecer alguns assuntos. Após isto a Maria Armanda tomou uma atitude incompreensível, na nossa opinião, pois disse que não falaria com a D. Rosa Maria. Depois de a D. Rosa Maria insistir que conversassem, a Maria Armanda pegou nos seus papéis para se ir embora, mas antes de sair disse à D. Rosa Maria que ela ali “não era ninguém” e ainda a insultou com expressões como “vá à merda” e “fuck you“. Não consideramos que este seja um comportamento digno de alguém que representa um país numa Olimpíada como chefe de delegação. Para além da óbvia ofensa à D. Rosa Maria, ainda revelou falta de respeito para connosco (equipa feminina) que estávamos a presenciar a situação. Naturalmente depois deste incidente as nossas relações com a Maria Armanda ficaram frias, mas também nunca houve interesse da Maria Armanda em reverter a situação.

Quando começou o Congresso da FIDE houve ainda maior distanciamento pois a nossa capitã deixou de estar presente durante os jogos e houve duas ocasiões em que a Ana necessitou da capitã por problemas de arbitragem e a Maria Armanda não estava presente para ajudar.

Posteriormente, já perto do fim do torneio, a Maria Armanda voltou a ter uma atitude ofensiva incompreensível, desta vez com a Ana.

Quando à 9ª jornada a Ana se inteirou de que tinha completado uma norma para Mestre Internacional Feminina através da Ariana, ela informou a Maria Armanda de que seria necessário confirmar se podia continuar a jogar sem comprometer a norma. Também referiu que, caso pudesse comprometer a norma, não quereria jogar as duas últimas jornadas, por forma a garantir este resultado. A Maria Armanda apenas concordou com esta situação após alguma insistência das jogadoras.

No dia seguinte de manhã, a Ana foi ter com a Maria Armanda para confirmar a situação da sua norma. Verificaram junto da organização que a Ana poderia continuar a jogar que a sua norma não ficaria comprometida. Ainda assim, a Ana desabafou com a Maria Armanda que estava “um pouco cansada”, no entanto a Maria Armanda informou a Ana de que se nós conseguíssemos um lugar no primeiro terço da tabela, teríamos acesso ao estatuto de alta competição. A Ana respondeu “Por acaso já tenho [direito ao estatuto de alta competição], mas vou jogar pela equipa.” (A Ana poderá vir a ter o estatuto de alta competição devido ao 3º lugar obtido no Montenegro, no Campeonato Europeu de sub-18 Feminino de semi-rápidas.)

Aparentemente a Maria Armanda só ouviu que a Ana disse “Por acaso já tenho [direito ao estatuto]” e insistiu com isto, levando a crer que a Ana teria uma atitude de indiferença perante a restante equipa, coisa que nós, colegas de equipa, sabemos bem que não é verdade. Quando a Ana tentou esclarecer a situação com a Maria Armanda, dizendo-lhe que não tinha ouvido bem a frase e captado o sentido correcto, a Maria Armanda recusou-se a acreditar, chamando-lhe de “mentirosa” e dirigindo-se a outras jogadoras da equipa que presenciaram a discussão, a Margarida e a Ariana, tentando criar discórdia, dizendo “Agora acreditem em quem quiserem.”

Por todos estes motivos gostaríamos que a FPX reflectisse sobre a actuação da Maria Armanda Plácido enquanto capitã de equipa da selecção feminina, e que mostrasse mais respeito sobre a nossa participação em provas internacionais no futuro, seleccionando capitães que estejam à altura do cargo.

Atenciosamente,

Ana Baptista

Ariana Pintor

Margarida Coimbra

 

 

 

Alguém tinha dúvidas sobre o que escrevi na Carta Aberta a Maria Armanda Plácido, no blogue Ala de Rei?

 

A Sra. Maria Armanda Plácido, enquanto jogadora e dirigente distrital e nacional do xadrez não está em condições de exercer com isenção, equidade e independência um cargo de elevada responsabilidade que lhe confere a posição de capitã da selecção nacional olímpica feminina em que foi nomeada pessoalmente pelo Presidente da FP Xadrez.

 

Como vai a capitã da selecção nacional olímpica feminina dialogar na Alemanha com uma jogadora – e logo a campeã nacional feminina e actual jogadora nº 1 do ranking nacional, a confirmar na próxima Lista Elo FIDE de Outubro2008 – quando em Portugal não lhe dirige a palavra?

 

A Sra. Maria, nestas condições não dá quaisquer garantias. Mais, temo que se não for impedida, possa ter alguma conduta que possa facilmente ser interpretada como “abuso de poder”, porque tem os motivos, tem as condições e tem o momento para o poder livremente fazer.

 

Nas circunstâncias actuais, descritas neste documento, considero um insulto ao xadrez português a integração da Sra. Maria Armanda Plácido, na selecção nacional olímpica feminina como jogadora – embora isso tenha a ver com a aplicação de regulamentos que permitem seleccionados de duvidosa valia técnica e desportiva representarem o país – e como capitã.

 

Por tudo o que foi dito, Sra. Maria Armanda Plácido coloque os seus lugares de jogadora e de capitã da selecção nacional olímpica feminina à disposição da Direcção da FP Xadrez para que esta possa com lucidez, competência e rigor técnico e desportivo, que se exigem, evitando desta forma, manipulações grosseiras de critérios, como foi o caso presente, escolher outra pessoa que ofereça outras garantias mais consentâneas com o seu valor sobre o tabuleiro e outra capitã que demonstre seriedade, isenção e justiça, princípios que a senhora manifestamente não apresenta como o abaixo-assinado referido comprova.

 

 

O resultado está à vista. A Federação Portuguesa de Xadrez não poderá ficar indiferente à situação. Assim, o Presidente e a Direcção da FPX têm a obrigação de instaurar de imediato um Processo de Averiguações para conhecer se os factos descritos pelas jogadores constitui um ilícito disciplinar e agir em conformidade. Situações como as descritas não podem ficar impunes em nome da credibilização do desporto e, em especial, do xadrez.

 

A FPX não pode permanecer silenciosa sobre a gravidade dos factos descritos. O próprio Presidente do Conselho Fiscal deve intervir, na ausência do Presidente e da Direcção da FPX, de imediato, solicitando os esclarecimentos que se imponham e suspendendo a infractora em causa – a Vice-Presidente da Federação Portuguesa de Xadrez.

 

O próprio IDP deverá ter conhecimento que o xadrez nacional tem personalidades deste calibre.

 

Há casos em que a vergonha não tem limites.

Não haverá alguém que se lembre de pedir o afastamento compulsivo desta personagem do xadrez federativo e associativo, antes que o seu exemplo comece a germinar?

 

 

PS

Os sublinhados são da minha inteira responsabilidade (FV).

 

Carta Aberta Natalícia à Federação Portuguesa de Xadrez

Segunda-feira, Dezembro 22nd, 2008

Meus caros amigos,

 

 

Bom, antes de mais tenho de dizer que muito provavelmente “meus caros amigos” será um exagero. Tratá-los pessoalmente assim quando a forma como tratam o xadrez e os xadrezistas é, no mínimo, caricato.

 

Para onde vai o xadrez?A razão que me leva a escrever-lhes nesta quadra festiva é chamar-lhes a atenção para a forma como estão a agir em nome da FP Xadrez, no plano interno e externo e o mal que estão a causar à modalidade e à sua credibilidade.

 

Não pretendo por em causa a legitimidade formal que constitui a vossa gestão, apoiada eleitoralmente pelas associações que reconheceram em vós capacidade, seriedade e rigor para imprimirem uma orientação homogénea, coerente, nova e credibilizadora do xadrez federativo.

 

Constato, outrossim, a ingenuidade, falta de critérios objectivos e análise crítica e a transferência ou mesmo acumulação de cargos associativos e federativos. A dança das cadeiras, isto é, dos cargos, é por demais evidente inapropriada – ou deverei dizer promíscua? – que amiúde, não sabemos quem é que representa o quê. (Consulte-se os cargos dos órgãos socais das Associações e da Federação e conte-se pelos dedos, se é que os dedos das mãos vão chegar). É igualmente susceptível de opiniões pouco abonatórias para as instituições envolvidas.

 

Com o devido respeito e salvaguardando o livre pensamento e crítica, quem vê de fora, logo, objectivamente, repara que a FPX funciona em muitos aspectos como um senhorio feudal e que as Associações, nem todas felizmente, são meros peões de estratégias individuais e de grupo, na prestação de vassalagem ao seu senhor para protecção e rendimentos.

 

Não se vislumbra uma autonomia crítica ao estado actual bem sequer intenção de a promover, mas antes comportamentos de redistribuição de um tesouro alheio, porventura pouco vigiado do padrinho governamental.

 

Se Henrique IV na sua obsessão pelo trono, considerou que a França valia bem uma missa, aqui, mutatis mutandis, considera-se que os euros do IDP valem bem o silêncio e a submissão, quando não a subserviência, como a expressão «não façam ondas» é, por si só, elucidativa. Ainda se nós fossemos uma modalidade aquática!

 

O incumprimento das disposições legais, estatutárias e regulamentares reiterado, persistente, é por demais evidente do quanto é indiferente a obediência à lei.

 

A situação já foi indiciada.

 

A vigilância já foi sugerida.

 

A investigação já foi pedida.

 

O que (me) espanta já não é apenas o incumprimento das disposições legais, estatutárias e regulamentares a que se encontram vinculados. Nem sequer a falta de zelo pelo seu cumprimento ou mesmo a falta de fiscalização do cumprimento, mas, o ter de apresentar factos que comprovem as denúncias, quando elas estão à vista de todos.

 

Mas que não seja por isso…

 

O ano de 2009 vai conhecer estou certo, mais iniquidades, nas disposições já referidas, por acções e omissões dos órgãos federativos (e também associativos). Que me engane é o meu sincero desejo.

 

Onde estão a fantasia e realidade na FPX? [© fantasyartdesign.com] A falta de vergonha no xadrez federativo só tem paralelo na impunidade em que tudo se passa, como é bem ilustrado pelas actuações dos órgãos sociais da FPX, em especial, o Presidente e a Direcção, designadamente no Caso GC Odivelas e, agora, no Caso das Olimpíadas de Dresden 2008.

 

Dois casos em dois anos de mandato dá um caso por ano – elementar, não é? Ou dito de outra forma mais dramática, mal se acaba de sair de um está, logo, outro à espreita para se manifestar.

 

O melhor exemplo do que afirmo está no comportamento da ex [?] -Vice-Presidente da Direcção da FPX, Maria Armanda Plácido. Ninguém conhece publicamente que a dita senhora se tenha afastado oficialmente da Direcção da FPX mas é voz corrente que dela não faz parte há muito. É Presidente da Direcção da AX Lisboa e durante meses ninguém viu ou ouviu falar da senhora. Não, se contentando com os dois cargos oficiais, ainda assim assumiu as funções [inscrita como] de jogadora da selecção olímpica, de capitã de equipa, de «chefe de equipa», delegada ao Congresso da FIDE? Uma super-mulher, diga-se, que faz (ia) há muito falta ao xadrez nacional! Mas foi inscrita como jogadora na selecção olímpica feminina para não jogar, como se ouviu da boca do Presidente da FPX em plena Assembleia Geral da FPX de 9 de Novembro p.p. Pergunta ingénua e maldosa: Porque foi então, inscrita como jogadora, se 72h antes de embarcar para Dresden já se sabia publicamente que não iria jogar? Todos nós aguardamos que a ditosa senhora, na sua qualidade de Chefe de Delegação de Portugal às Olimpíadas de Xadrez de Dresden 2008, apresente o Relatório final da Representação Nacional, documento a ser elaborado nos termos do art.º 6º, alínea f), do Regulamento de Representações Nacionais Nacionais, e que se encontra, porventura, em atraso há cerca de um mês. Todos nós gostaríamos de conhecer publicamente o documento.

 

Outro exemplo muito claro do que afirmo está no comportamento do Presidente da Mesa da Assembleia Geral, Fernando Castro, quanto à não convocação de uma Assembleia Geral da FPX a pedido de várias [quatro] Associações distritais. Mais do que a recusa que seria ilegítima em virtude da falta de fundamento, foi a interpretação proposta, os argumentos invocados e os termos defendidos para não convocar a AG que erradamente prevaleceram. E quanto à não aceitação da requerimento da AX RA Açores vou deixar para os comentários à AG da FPX que divulgarei no início de 2009.

 

Um terceiro caso exemplar está no comportamento do Presente da FPX, António Bravo, quando sonegou informação [uma Carta-Ofício do IDP que trazia anexo um Despacho do Sec. Estado Juventude e do Desporto] à comunidade xadrezista e aos órgãos sociais da FPX, incluindo, à Direcção. Mais recentemente, os malabarismos e piruetas semânticas, as reserva mentais e falta de seriedade e rigor informativos no processo sobre toda a constituição das selecções olímpicas e do “Caso do Seleccionador Nacional”.

 

O grotesto da situação é que a maior parte dos intervenientes no xadrez nacional e distrital pactua com estas iniquidades que degradam e descredibilizam a nossa modalidade. Mas, parece não interessar nem preocupar as mentes dos nossos dirigentes.

 

Se a maioria não se preocupa, acaso alguém dom dois dedos de testa, pode acusar quem quer que seja – eu próprio, p.ex. – de não concordar com tal situação e denunciar publicamente? E quando o faço voltar a ser censurado de «fazer mal» à modalidade?

 

A carta vai longa, eu sei. Mas é necessária. E sei que não vai ser apenas mais uma. Em 2009 algo vai mudar – tem que mudar – e, por duas razões. São elas:

 

  1. O novo Regime Jurídico das Federações Desportivas; e,

 

  1. A Listagem das Disposições Legais, Estatutárias e Regulamentares não cumpridas ou violadas pelos órgãos sociais da FPX;

 

 

O novo Regime Jurídico das Federações Desportivas – infelizmente pela forma como foi elaborado e que vai impor o seu funcionamento e menos a sua fiscalização, o IDP – vai permitir, assim se espera e deseja, que a Assembleia Geral da FPX deixe de ser dominada pelas Associações distritais que passarão a ficar em minoria. Não é a melhor solução para o Desporto federativo, mas parece ser a arma eficaz para colocar certas Associações na ordem e a funcionar democraticamente.

 

Senhores da Federação Portuguesa de Xadrez, ao contrário do que possam supor, talvez já não vão a tempo de alterar a vossa forma de conduta perante os novos tempos que se aproximam. Não é isso que me tira o sono.

 

O que me preocupa e, pelos vistos a vós não, na linha de pensamento do Prof. Olímpio Bento, é que sejam afastados da FPX mas as vossas sombras perdurem no tempo como esprectros e essas são mais difíceis de afastar. Nem com apagões.

 

A carta foi longa, é certo. Como longa é a lista das vossas maldades ao xadrez nacional. Mas, as acções ficam com quem as pratica, não é assim que diz o nosso povo?

 

Um Feliz Natal e um Bom Ano Novo também para vocês, são os meus sinceros votos nesta data.

 

Francisco Vieira

Carta Aberta a Maria Armanda Plácido

Sexta-feira, Setembro 5th, 2008

ESPELHO MEU… 

 

 

Se tu de ferir não cessas,

que serve ser bom o intento?

Mais carapuças não teças;

que importa dá-las ao vento,

se podem achar cabeças?

 

Tendo as sátiras por boa,

do Parnaso nos dois cumes

em hora negra revoas;

Tu dás golpes nos costumes,

e cuidam que é nas pessoas.

 

Nicolau Tolentino de Almeida [1741-1811]

em A Guerra

(Irmão do caloiro coimbrão, depois militar e por fim religioso António Plácido de Almeida) 

 

 

 

Pessoalmente não consigo aceitar a indiferença nem conter a indignação com certas atitudes prepóteras do dirigismo recém-chegado. Avisada como se pretende, compreenderá por si, a razão que me levou a dirigir-lhe estas linhas. Em forma de Carta Aberta. Permiti-me iniciá-la na convicção de que as palavras do Tolentino possam dar o mote e o enquadramento em que me dirijo a si.

 

Tenho para mim que a forma de me dirigir aos dirigentes do Xadrez nacional, com conhecimento a toda a comunidade xadrezista através de uma Carta Aberta vai começar a ficar com os dias contados. Vai ganhar o tédio, a indiferença e a resignação, mas, independentemente de ficar tranquilo com a minha consciência pessoal, sinto que prestei um dever à consciência social a que me dirijo e, isso, por agora, basta-me.

 

Poderia começar por uma qualquer forma, que seria legível e legítima, mas preferi iniciar por dois episódios sintomáticos quanto elucidativos de uma forma de estar no dirigismo português.

 

Primeiro. No passado dia 5/7, em pleno encontro das meias-finais da Taça de Portugal entre as equipas do GC Odivelas – GD Diana, enquanto o ex-Vice-Presidente da AX Lisboa Paulo Dias me estendeu a mão, a Presidente Maria Armanda, quando a cumprimentei desviou o olhar e abandonou de seguida a sala de jogo sem me dirigir a palavra.

 

Em função do que tenho escrito no blogue Ala de Rei, é bem possível que a Sra. Maria não aprecie a minha companhia e as minhas saudações.

 

Segundo. No passado dia 9/8, durante a 1ª sessão da fase preliminar do Camp. Nacional Indiv. Absoluto, na Amadora, a Sra. Maria Armanda entendeu não cumprimentar a Ana Baptista, a recente campeã nacional feminina.

 

A própria Ana ficou estupefacta com tal atitude, desconhecendo o que teria passado pela cabeça da Sra. Maria, para não lhe dirigir a palavra. Já não bastava não a ter felicitado pelo seu feito desportivo, agora ignora-a.

 

Estes dois episódios, são tão absurdos quanto significativos.

 

Não se conhecem as razões que terão levado a Sra. Maria Armanda Plácido, que é uma jogadora de xadrez e uma dirigente associativa, a agir daquela forma. A senhora, concentra em si mesma, os cargos de Presidente da Direcção da Associação de Xadrez de Lisboa e Vice-Presidente da Direcção da Federação Portuguesa de Xadrez. Não é, por isso, nem uma pessoa nem uma dirigente qualquer, acumula dois cargos de elevada responsabilidade na modalidade. Por isso, em qualquer posição em que se coloque, evidencia-se sempre, a sua qualidade de dirigente que presumia uma impoluta conduta social.

 

Esperava-se que o seu dever de urbanidade, exigível a qualquer cidadão para a sua conduta em sociedade, fosse exemplar, sobretudo, quando ocupa cargos no associativismo desportivo, mas parece, que nem todos se regem pelos mesmos códigos de conduta.

 

A um dirigente é exigível elevado grau de responsabilidade na forma como se relaciona com os dirigidos, sobretudo, quando está investido de poderes de autoridade, previstos legalmente, como é o caso dos titulares de uma federação desportiva dotada de Utilidade Pública Desportiva.

 

Ademais, tem acrescidas obrigações éticas expressamente reguladas pelos códigos de ética vertidos nas disposições legais e estatutárias. Como se não bastassem as disposições de direito positivo constantes da Lei de Bases da Actividade Física e do Desporto, sempre seriam aplicáveis as disposições do Código de Ética da Federação Internacional de Xadrez (FIDE) que a Sra. como Vice-presidente da FP Xadrez tão bem deverá conhecer.

 

É tudo isto que se espera de um jogador de xadrez cumpridor dos estatutos da sua federação que lhe concedeu uma licença desportiva para praticar a modalidade e, por maioria de razão, quando ele é um dirigente nacional.

 

Ou será que estarei errado nas observações?

 

E, quando esse cidadão que é jogador, que é dirigente distrital, que é dirigente nacional, que é membro de uma selecção nacional e que é capitão de uma selecção nacional, o que se esperaria? Redobrados cuidados, lisura de comportamentos e presciência.

 

Ou será que estarei errado nas asserções?

 

A Sra. Maria Armanda Plácido, enquanto jogadora e dirigente distrital e nacional do xadrez não está em condições de exercer com isenção, equidade e independência um cargo de elevada responsabilidade que lhe confere a posição de capitã da selecção nacional olímpica feminina em que foi nomeada pessoalmente pelo Presidente da FP Xadrez.

 

Como vai a capitã da selecção nacional olímpica feminina dialogar na Alemanha com uma jogadora – e logo a campeã nacional feminina e actual jogadora nº 1 do ranking nacional, a confirmar na próxima Lista Elo FIDE de Outubro2008 – quando em Portugal não lhe dirige a palavra?

 

O Xadrez e a FP Xadrez estão a 90 dias [*] de levar às Olimpíadas de Dresden uma selecção olímpica feminina que se fosse verdadeiramente nacional representava o País, mas parece que está apenas, aparentemente, interessada em fazer viajar uma dirigente que tem mostrado vocação para as viagens, mas incapacidade de se relacionar com jogadoras da selecção olímpica e com um passado que a não dignifica, como se pode comprovar na única situação em que foi chamada a exercer um cargo semelhante – capitã de uma equipa B – num clube desportivo.

 

Como se pode então manifestar confiança na sua pessoa quando, segundo informação publicada no fórum Lusoxadrez e não desmentida, um abaixo-assinado subscrito pela totalidade das jogadoras que disputou recentemente o Campeonato Nacional Feminino solicita a sua substituição, como 5º tabuleiro, quando é simultaneamente, a capitã da própria selecção.

 

Ora, senhora Maria Armanda Plácido, que garantias tem o País, que delegou competência e funções na FP Xadrez e que a designou a si como capitã, de que a Sra. vai ser objectiva, imparcial e justa, aplicando com isenção o critério que estabelece que

 

«(…)

As jogadoras serão ordenadas, sendo a ordem de selecção a da ordenação obtida. Tal não implicará contudo que tenha de ter ser essa a ordem dos tabuleiros da equipa nacional, ficando tal ordem de tabuleiros ao critério da capitã da equipa.

(…)»

 

(Nº 2, al. B) de Selecções Nacionais. Dresden 2008, critérios que já vêm de 2005) (sic)

 

 

em que a Sra. é parte interessada? Quem acredita que vai ser justa e equidistante dos seus interesses pessoais? Quem acredita que não vai utilizar o seu poder prejudicando uma qualquer jogadora da selecção olímpica – e, recorde-se, que foram todas as 4 – que subscreveu um documento a pedir a sua substituição?

 

A Sra. Maria, nestas condições não dá quaisquer garantias. Mais, temo que se não for impedida, possa ter alguma conduta que possa facilmente ser interpretada como “abuso de poder”, porque tem os motivos, tem as condições e tem o momento para o poder livremente fazer.

 

E mais, que competência manifesta para poder alterar, por sua iniciativa, «(…) a ordem dos tabuleiros da equipa nacional…», incluindo substituir uma qualquer jogadora pela sua própria pessoa, poder este que lhe foi pessoalmente conferido pelo Presidente da FPX? 

 

Nas circunstâncias actuais, descritas neste documento, considero um insulto ao xadrez português a integração da Sra. Maria Armanda Plácido, na selecção nacional olímpica feminina como jogadora – embora isso tenha a ver com a aplicação de regulamentos que permitem seleccionados de duvidosa valia técnica e desportiva representarem o país – e como capitã.

 

A FP Xadrez tem um problema olímpico? Pois tem, mas o curioso é que já o tem há muito tempo. Em boa verdade tem-no desde que foram conhecidas as alterações aos regulamentos da FIDE que aumentava o número de tabuleiros da secção feminina das Olimpíadas.

 

A situação é assim tão complicada? Não sei, mas posso assegurar que encontrei a resposta num artigo, curto mas incisivo, que uma jovem jogadora de xadrez, de 13 anos, escreveu em apenas 17 linhas e colocou no fórum Lusoxadrez. Sofia Lança, o nome da jovem, diz-nos, tão só, o que muitos adultos não ousam sussurrar, que este assunto «foi um dos temas mais abordados no recente nacional feminino». E apresenta a solução: «O Nacional desta época deveria contar» e devia ser «a Bianca a ter o direito a integrar a selecção feminina». A simplicidade vista por uma jovem que tem idade para ser sua neta.

 

Isto é, as jogadoras de xadrez que conhecem bem a sua força de jogo sobre o tabuleiro, comentaram entre si e puseram em causa a sua capacidade e competência de jogadora de xadrez que também é capitã da equipa de representar o nosso país, na selecção olímpica, mas a Vice-presidente da Direcção da FP Xadrez não consegue compreender o que se está a passar e vislumbrar o seu alcance. É deveras elucidativo!

 

Já estou a ver a situação, repetir-se na Alemanha o que se passou na Marinha Grande, quando a capitã Maria Armanda Plácido punha e dispunha de jogadores como peões de um qualquer tabuleiro.

 

Até aqui discutiam-se créditos desportivos da jogadora Maria Armanda Plácido para assumir o 5º tabuleiro. A partir do post da Sofia Lança e do comportamento da senhora com a Ana Baptista, discute-se, e já publicamente, a capacidade de liderança, de seriedade e rigor da sua putativa imparcialidade.

 

A sua persistência da em permanecer como 5º tabuleiro pode ter várias interpretações, mas trouxe-me à memória o triste “caso Fátima Vieira”, que como se recordará, relata a história com um final infeliz em que uma jogadora de xadrez do nosso país, um dia sonhou que havia de jogar nas Olimpíadas e tudo fez para cumprir o seu sonho e pertencer à selecção nacional olímpica feminina. Um episódio dramático e soez do nosso xadrez, mas que dá para pensar sobre a condição humana. A história termina com a selecção olímpica feminina a ficar apeada em Lisboa. Um verdadeiro pacto leonino de duvidosa justiça.

 

Não pretendi, nestas linhas, como nunca o pretendi sempre que me dirigi a si – sempre numa qualquer qualidade de dirigente desportiva – ofuscar-lhe a imagem, a dignidade ou a consideração pessoais. Mas, quando escolhe ocupar um cargo público, expõe-se, de imediato e publicamente, abrindo-se ipso facto, à crítica e ao comentário do escrutínio público.

 

Mas, não posso deixar caucionar o direito da liberdade de opinião e da liberdade de expressão que um cidadão livre de um país livre deve poder dispor, só porque alguém se amofina com algum reparo singular.

 

A Sra. poderá não gostar das minhas palavras e das minhas ideias. É uma pena, mas é um direito que lhe assiste. Mas fará a bondade de reconhecer que eu possa ter o direito de pensar de forma diferente e de o expressar. Pelo menos, far-me-á o favor de me deixar pensar que assim é.

 

Por vezes não é fácil encontrar o lobo, como nos ensina a história do capuchinho vermelho, sobretudo quando eles “andam por aí” à solta sem deixarem rasto.

 

Por tudo o que foi dito, Sra. Maria Armanda Plácido coloque os seus lugares de jogadora e de capitã da selecção nacional olímpica feminina à disposição da Direcção da FP Xadrez para que esta possa com lucidez, competência e rigor técnico e desportivo, que se exigem, evitando desta forma, manipulações grosseiras de critérios, como foi o caso presente, escolher outra pessoa que ofereça outras garantias mais consentâneas com o seu valor sobre o tabuleiro e outra capitã que demonstre seriedade, isenção e justiça, princípios que a senhora manifestamente não apresenta como o abaixo-assinado referido comprova.

 

Pelo exposto e a manter-se a situação, não creio que a senhora tenha condições para poder subsistir nos seus cargos directivos por muito mais tempo, mas a senhora fará a avaliação pessoal que entender razoável ou conveniente.

 

 

Omnia mecum porto (Quando tenho, comigo o trago)

 

(Bias, um dos sete sábios da Antiga Grécia)

 

 

[*] Odivelas, 13 de Agosto de 2008

 

Esta Carta Aberta está igualmente disponível no fórum Lusoxadrez.

 

 

 

 

Carta Aberta a Maria Armanda Plácido, sobre a selecção nacional olímpica feminina, na próxima semana

Sexta-feira, Agosto 29th, 2008

Na próxima semana, divulgarei uma Carta Aberta a Maria Armanda Plácido, onde me pronunciarei sobre o caso do momento no xadrez feminino portuguêsa selecção nacional olímpica feminina.

Carta Aberta ao Presidente Hu Jin-tao (RP China) de atletas olímpicos

Quarta-feira, Agosto 6th, 2008

Campaign for Tibet

Sports for Peace

 

Senhor Presidente Hu,

Esperamos que os Jogos Olímpicos de Verão na China constituam um grande sucesso e que os ideais olímpicos sejam implementados.

É por isso que lhe pedimos:

  • para possibilitar uma solução pacífica para a situação do Tibete e outros conflitos no seu país, com o respeito pelos princípios fundamentais dos direitos do homem.
  • para proteger a liberdade de expressão, a liberdade de religião e a liberdade de opinião no seu país, 
    incluindo o Tibete.
  • para garantir que os defensores dos direitos do homem não voltem a ser ameaçados nem detidos.
  • para acabar com a pena de morte.

A China está no centro da atenção mundial. A sua decisão nestes assuntos determinará o sucesso dos Jogos Olímpicos e a imagem que o mundo terá da China no futuro. 

Pedimos-lhe para respeitar os direitos do homem na China para alcançar a reconciliação e a paz duradouras.

Ver as assinaturas da Carta Aberta de altetas olímpicos ao presidente Hu Jin-tao, da RP China.

Carta Aberta à FPX

Terça-feira, Maio 13th, 2008

A Verdade gera o ódio

 

  

Carta Aberta à Federação Portuguesa de Xadrez 

 

 

I

 

No 13 de Maio do ano passado, faz hoje um ano, foram eleitos os actuais órgãos sociais da FPX. Foi com grande expectativa que muitos dos xadrezistas encararam aquele facto, tanto mais, que a anterior gestão federativa se havia demitido, fundamentalmente, por falta de entendimento e coordenação entre os seus membros.

 

Chegou a dizer-se que, desta vez, que com estes titulares, é que era, porquanto, mostravam estabilidade e coesão internas. Mas também desta vez, passado pouco mais de um mês se deu a primeira demissão na Direcção.

 

E sete meses depois de eleitos, demitiram-se mais dois membros, desta vez, do Conselho Fiscal o que fez cair este órgão – por impedimento das suas funções estatutárias e legais.

 

Não sei se há uma ‘maldição’ na estrutura federativa, que impede os titulares se manterem nos seus cargos ou que os órgãos sociais permaneçam em funções, mas, que não ficam lá muito tempo, parecer ser uma realidade indesmentível.

 

O que releva da demissão destes três titulares dos órgãos sociais da FPX é que todos eles, saíram em ruptura com o Presidente da FPX. O primeiro, porque se sentiu enganado e traído na confiança pelo Presidente e os restantes dois por recusa reiterada de acesso aos documentos que deveriam conhecer para elaboração do competente parecer.

 

Desta vez ninguém ‘desertou’, foram empurrados para sair. Fico com a sensação que eram um obstáculo ao normal desenvolvimento da actividade federativa.

 

Mais uma vez se aplicou a Lei de Grasham [a moeda má expulsa a boa] aplicada ao xadrez, no seu esplendor.

 

Tem sido dito que há dirigentes que se apresentam a sufrágio, para que o poder não caia na rua – por falta de dirigentes – e a FPX fique em posição ingovernável e o sacrossanto subsídio estatal do IDP não se perca. Pode ser uma abordagem da situação, mas está longe de corresponder à verdade.

 

Uma boa parte da situação do xadrez actual já havia sido diagnosticada, ainda que sumariamente e divulgado nas Teses para alterar o xadrez nacional, publicado em Novembro passado.

 

O xadrez nacional padece de factores endémicos, e, entre muitos outros, da falta de seriedade e rigor, a que muitos dirigentes lhes emprestam falta de ética e isenção. Uma mistura explosiva já se vê, que propicia, quando não fomenta, as maiores arbitrariedades e despotismo.

 

A gestão federativa, em muitos aspectos e situações, mais parece uma coutada privada ao serviço de uns quantos, em que princípios e valores são desprezados e em que as disposições legais, estatutárias e regulamentares são desrespeitadas e violadas.

 

Uma instituição privada instituída de poderes públicos, ultrapassa tudo e todos, fazendo a sua própria interpretação, a sua própria aplicação, a sua própria legitimação. Tudo, é claro, a bem da Federação.

 

Ora, a FPX é uma pessoa colectiva de direito privado sem fins lucrativos, constituída sob a forma associativa, a quem o Estado reconheceu o estatuto de utilidade pública (em 1978) e o estatuto de utilidade pública desportiva (em 1993) e que tem por objecto o fomento da modalidade, a organização competitiva oficial e a divulgação do xadrez a nível nacional e não apenas em certos centros urbanos e litoral do país. Tem, por isso, direitos, mas, tem também, deveres.

 

É igualmente verdade que no papel, isto é, nos Estatutos, a FPX consagra uma forma de organização interna que compreende os seguintes órgãos sociais: a Assembleia Geral, o Presidente, a Direcção, o Conselho Fiscal, o Conselho Disciplinar, o Conselho Jurisdicional e o Conselho de Arbitragem. Mas, é uma imposição legal do regime jurídico das federações desportivas com estatuto de utilidade pública desportiva.

 

E para quem não sabe, este regime jurídico é imperativo, isto é, soberano, que ordena, não admite derrogações ou reservas de qualquer espécie. Mas, este regime vai mais longe, não faculta, mas impõe princípios de organização e funcionamento das federações, baseados na liberdade, democraticidade e representatividade.

 

Na realidade da vida quotidiana desportiva do xadrez alguém sabe o que cada órgão social, democraticamente eleito, faz realmente? O que discute e aprova? Quem fiscaliza, o quê, onde e quando? Alguém, alguma vez, leu uma acta que seja de um qualquer órgão social, com excepção das reuniões da Assembleia Geral?

 

E, no entanto, o regime jurídico atrás citado, dispõe que das reuniões de qualquer órgão colegial das federações desportivas é sempre lavrada a acta. Mais claro não pode ser, e, no entanto…

 

A título de exemplo, as assembleias gerais são convocadas ou fora do prazo ou não são expedidas para os associados; os documentos constantes da ordem de trabalhos, quando são divulgados dentro de prazos razoáveis para conhecimento e análise, ou estão incompletos ou não cumprem as normas estatutárias e legais; as ordens de trabalho propõem discussões e deliberações de documentos não divulgados ou que não existem e discutem-se a aprovam-se documentos não constantes das ordens de trabalho.

 

Não há rei nem roque. É uma partida jogada sem tabuleiro.

 

Para cúmulo, há associações que não questionam a manifesta ilegalidade ou a razoabilidade dos documentos. É o reino do vale tudo.

 

II

 

Apesar das poucas críticas e comentários que a publicação das Teses para alterar o xadrez nacional suscitou, algumas ideias nelas expressas, tiveram repercussão, o que mostrou que existe, ainda, uma ‘bolsa de resistência’, que defende o pensamento crítico como a melhor forma para contrapor ao pensamento dominante, objectivamente subserviente, que corrói a nossa modalidade.

 

No entanto, por razões ainda pouco claras, a maioria prefere a indiferença, a ignorância e o silêncio. Pensarão que não é nada com eles, quando, na realidade, é também com eles.

 

Mas, o aspecto mais relevante, a meu ver, é a campanha que se move contra alguém que ousa frontalmente – seja ele quem for – levantar o véu, assumir, publicamente, opinião diferente e crítica e dar a cara. Não é bem visto, e, no entanto…

 

Há pessoas que parece viverem num regime totalitário, em que a boca fechada é a melhor opinião.

 

Não estou a propugnar a liberdade de expressão, porque ela é um direito que se pretende adquirido – assim espero – no nosso país e em associações democráticas, e, por isso é uma questão que não se coloca.

 

A própria FPX, nos termos do regime jurídico das federações desportivas já referido é bem claro sobre isso: a democraticidade é um dos princípios por que se regem as federações desportivas. E, no entanto…

 

Por vezes, algumas vezes mais do que seria de supor uma excepção, as críticas são entendidas, na impossibilidade da sua supressão, como ataques pessoais.

 

Mas como calar essas vozes incómodas que se atrevem a pôr em causa o domínio, as acções dos titulares dos poderes democraticamente eleitos? Se é verdade que não foram eleitos títeres, também o é que o escrutínio público e democrático é uma forma legítima e normal de abordar criticamente um modo de estar e de agir, muito pouco claro com contornos, por vezes algo nebulosos, para ficarmos por aqui.

 

Mas, não de pode ir mais longe, mesmo no domínio do livre exercício da crítica objectiva e pública e afirmar que certas acções e comportamentos podem e devem ser consideradas arbitrariedades e configurarem abuso de poder?

 

Temos, entre os dirigentes associativos, formas de estar próximas de ‘senhorios’, que administram, a seu belo prazer as suas propriedades e os seus coutos, do que titulares de órgãos sociais de associações, que como o nome indica, são estruturas, sem fins lucrativos, que se criam por interesses comuns.

 

Mas, como a dificuldade de conviver com a crítica livre – e estamos longe dos tempos do regime salazarista – utiliza-se, por vezes, um argumento indecoroso de má memória – quem não está connosco, está contra nós.

 

Os tempos do Estado Novo foram-se, mas os usos e costumes e as práticas ficaram, como o pelo da raposa.

 

E, como se tudo não bastasse já, salta da cartola mais um coelho – o síndroma de Calimero, no seu melhor estilo – a vitimização. Pode ser um argumento relho, mas em tempos de crise.

 

Porque é que não se pode falar livremente sobre a FPX e as Associações e dos seus titulares, enquanto membros dos órgãos sociais?

 

Pode ser que trocar liberdade por subsídios seja uma forma típica de existir, de estar e mesmo de ser, mas rejeito esse estilo de vida.

 

Não pretendo com a minha tomada de posição pública provocar a queda dos órgãos sociais da FPX, nem provocar qualquer mau estar onde exista a concórdia e a harmonia, bens preciosos nos tempos que correm.

 

Destarte, não pretendo, igualmente, lançar qualquer anátema sobre os titulares dos órgãos sociais federativos.

 

Limito-me a pedir algum pudor, e, mesmo pundonor, por parte dos dirigentes federativos nas suas acções e comportamentos, respeitando as disposições legais, estatutárias e regulamentares em vigor, que, em grande parte foram aprovadas por esses mesmos órgãos que insistem reiteradamente em não cumprir. Ou terei de esperar por um milagre?

 

O Xadrez agradece.

 

Dura lex, sed lex (a lei é dura, mas é a lei)