Rosa Maria Durão enviou mais uma carta à Federação Portuguesa de Xadrez. A última, segundo afirma, onde desmonta as afirmações da Chefe da Delegação da FPX, Maria Armanda Plácido, contidas na carta e no Relatório oficial às Olimpíadas de Dresden 2008. O Relatório da vingança como já ouvi dizer.
Os xadrezistas que tirem as suas conclusões pela leitura directa das fontes e não pelo que, selectivamente lhes contem ou por ter ouvido dizer. É importante ler os documentos e conhecer os argumentos e as afirmações de todos os intervenientes nesta triste história.
Uma história que ficará para os anais da História do Xadrez em Portugal que um dia uma fonte independente e isenta ousará contar.
Exmo. Presidente da Federação Portuguesa de Xadrez
Exmos. Senhores Directores
Esta é a minha resposta ao Relatório da Chefe da Delegação da FPX, Maria Armanda Plácido, às Olimpíadas de Xadrez em Dresden 2008. A menos que haja razões para isso, este será o último documento que escreverei sobre o assunto.
O Relatório da Chefe da Delegação apresentado com data de 2 de Dezembro de 2008, está cheio de mentiras, invenções e calúnias. Não poderia, por isso, permanecer silenciosa.
A fim de facilitar a leitura, analiso em blocos os factos e as situações que considero significativos do que se passou nas Olimpíadas.
I. OS CASOS
1. Jantar à chegada
Durante o jantar nem o meu marido, o MI Joaquim Durão, nem eu começámos o tema “António Fernandes” nem fizemos qualquer comentário contra a FPX.
A prepotência da Chefe da Delegação revelou-se, de imediato, na forma como pretendeu mandar calar os presentes. Ao chamar a atenção para quem iniciou a conversa e a forma como pretendeu acabar, entendeu dar o devido relevo aos factos ocorridos e à forma, deturpada, como são descritos no Relatório.
Testemunharam o facto a equipa feminina e a equipa masculina. Além do mais, isto pode ser comprovado pela leitura das cartas das jogadoras Catarina Leite, Margarida Coimbra, Ariana Pintor e Ana Baptista.
É claro que, como refere Catarina Leite na sua carta, que «se já havia pouca credibilidade, por parte da maioria dos presentes, na sua capacidade de liderança, imaginem o que se seguiu depois desta frase – “Eu, como Chefe da Delegação, proíbo que se fale deste assunto” – A verdade de é que nenhum dos presentes lhe legitimava este comportamento e foi-lhe dito, inclusive por mim.»
2. Reunião de capitães
Quando íamos para a reunião de capitães, o meu marido esteve 15 minutos à espera da Capitã de Equipa feminina que havia pedido para aguardarmos 3-4 minutos.
Porque a Capitã de Equipa não vinha e se estava a fazer tarde, acompanhados do Presidente da Federação da Guatemala, partimos para não chegarmos atrasados.
Quando a Maria Armanda chegou ao local da reunião, cerca de meia hora atrasada, em lugar de pedir desculpa pelo tempo que fez perder no hotel, ainda foi ter com o meu marido, e inclinada, pois estávamos na primeira fila a dois passos da mesa presidencial onde se encontravam os membros da FIDE e membros da Organização para, de forma menos correcta e infeliz, agradecer a amabilidade do meu marido. Tamanha insolência, do nível da sua falta de educação, foi testemunhada pelo GM Juan Manuel Bellón, que estava sentado atrás de nós. Tenho fotos que comprovam esta situação. Eu não falei nem disse nada, tudo o que a Maria Armanda diz é inventado. Como seria possível numa reunião destas e a dois metros da mesa presidencial uma cena dessas. Esta Sra. tem uma mente fértil para inventar situações e caluniar.
3. Átrio do hotel
Não vou repetir o que escrevi na minha 1ª carta.
Em Dresden tomei notas para memória futura, mas não compreendo como a Maria Armanda pôde alterar os factos de maneira tão grosseira e vergonhosa. Ainda bem que as 4 jogadoras da selecção olímpica feminina presenciaram tudo, senão, era bem possível que colocasse as ordinarices que proferiu, na minha pessoa.
No átrio do hotel, depois de ter acabado de falar com as jogadoras, pretendi falar com a Maria Armanda para lhe dizer que não era bom tratar o meu marido daquela maneira, porque estávamos no hotel bastantes dias, mas ela disse que não falava comigo. Como disse uma das jogadoras «a Rosa Maria esperou que a Maria Armanda acabasse de falar connosco».
Depois da sua ordinária e ofensiva resposta nunca mais nos falámos.
4. “Jogadoras neutrais”
A Maria Armanda afirma que as jogadoras permaneceram neutrais. Basta ler as suas cartas para comprovar que não foi assim.
5. Acompanhamento das jogadoras
Ao contrário do que afirma, a Maria Armanda não acompanhava a equipa, caso contrário não podia afirmar, como o faz, que a Margarida ia com a Catarina e a Ariana e a Ana com a Rosa Maria. Esta afirmação significa que não sabia quem ia com quem, logo não as acompanhava.
Então não sabia que a Margarida seguia sempre com a Ariana e a Ana e que a Catarina ia com o Paulo Dias juntamente com a equipa masculina e o meu marido, normalmente a pé?
Por onde andava não sabemos, mas com a equipa feminina não ia.
6. A confiança das jogadoras no 5º tabuleiro
As jogadoras não confiavam na palavra da sua colega jogadora, Capitã de Equipa e Chefe da Delegação da FPX.
Como é possível que a sua dignidade permitisse que tivesse de assinar um documento em que se comprometia em como não iria jogar? Como é possível a FPX enviar uma jogadora que não vai jogar?
7. Insulto à Ana
A Maria Armanda omite no seu Relatório que insultou a campeã nacional feminina, Ana Baptista.
8. Rex Blalock na área reservada
A Maria Armanda chamou-me a mim e ao meu marido “penetras” e “borlistas”, mas deve estar a falar de si e do seu acompanhante.
Porque não é indicado no Relatório, que afirma ser «completo» que o seu acompanhante, o Sr. Rex Blalock, se introduziu com identificação falsa no pavilhão e recinto de jogos, onde só podiam estar jogadores em competição, capitães de equipa, árbitros e pessoas com acreditação VIP?
Escuso-me de referir os problemas gravíssimos que poderia ter causado à Delegação da FPX, envolvendo o nome de Portugal, a usurpação de identidade de um jogador português, e logo, pelo acompanhante da Chefe da Delegação de Portugal.
A Maria Armanda queixa-se, no seu Relatório, que não a queriam deixar entrar na reunião de capitães por se ter esquecido da sua acreditação, e, mais tarde, faz entrar ilegalmente o seu acompanhante.
9. Ariana doente
A Capitã de Equipa diz que a Ariana se sentiu mal no último dia e que lhe foi diagnosticada uma «quebra de tensão» e que para confirmar o diagnóstico foi enviada ao Hospital Central. Isto não corresponde à verdade.
De facto, o que aconteceu foi que eu, em conjunto com a Margarida e a Ana, levámos a Ariana ao hospital pela hora de jantar. Ela estava a sentir-se mal e pediu-me para a levar ao hospital e do quarto da Ariana telefonei para a recepção a pedir um táxi. No hospital foi levada para a sala de observações na minha companhia, enquanto a Margarida e a Ana ficaram na sala de espera. Imediatamente atendida, puseram-lhe um frasco de soro e um outro mais pequeno de outro medicamento por via intravenosa e mais tarde mais duas injecções também por via intravenosa. Fizeram análises e quando já estava melhor deram-lhe alta, recomendando que quando chegasse a Portugal fosse vista pelo médico.
O poder de invenção da senhora Maria Armanda é fantástico. A jogadora sentiu-se mal e eu, juntamente com a Árbitro estivemos no médico que disse que «a tensão estava baixa, mas com um café ficava bem e em condições para continuar a partida», só que o esforço que esta jogadora fez durante a Olimpíada inteira a jogar doente, não se sentiu com forças para continuar a partida e desistiu. Depois, pediu-me para a levar ao hotel.
Nesta altura fui ter com o meu marido que estava com o presidente da FEDA, Javier Ochoa, para lhe comunicar que ia ao hotel com Ariana.
A Capitã de Equipa e Chefe da Delegação não se deu o incómodo de perguntar à jogadora o que se tinha passado com ela para abandonar a partida nem mesmo para saber porque foi ao hospital.
Onde está o Conselho Disciplinar? Situações destas não podem acontecer numa Olimpíada.
10. Convites
Tivemos convites para todas as recepções, incluindo algumas para as quais a Maria Armanda, na sua qualidade de Chefe da Delegação da FPX, não foi convidada.
Numa dessas recepções, a Ariana, que se sentia mal, pediu para vir comigo, com o meu marido e na companhia da Margarida e da Ana. Levámos as três que foram apresentadas ao deputy president Makropoulos, a Javier Ochoa e a Judit Polgar, muito nossa amiga, e com todos eles tirámos fotografias. Só que a Ariana mais uma vez se sentiu mal e fomos para o hotel, tendo o meu marido ficado na recepção.
Eu e o meu marido fomos igualmente convidados para a recepção dada pelo Primeiro Ministro da Saxónia, mas como a Ariana me pediu para ficar junto dela, não fomos. [Ver Convite]
Compreendo que a Maria Armanda ficasse incomodada quando via que estávamos nas recepções e que para ela fosse frustrante ver-nos acompanhada de gente importante e ela não ter companhia.
11. Acreditação VIP
Nenhum de nós teve que pedir a minha acreditação VIP. Foi por iniciativa do Dr. Morten Sand que me apresentou ao Dr. Jordan, solicitando que emitisse um cartão VIP para a esposa do ex-Vice-Presidente da FIDE.
12. O não pagamento da estadia
Maria Armanda diz ter documentos que provam que eu não paguei a minha estadia em Dresden.
Porque a situação não corresponde à verdade – ou a Maria Armanda Plácido está a mentir ou os documentos só podem ser falsos – já requeri à FPX a cópia desses documentos, que me respondeu que «não deu entrada na FPX qualquer documento com o teor a que faz referência». É verdade que o relatório não faz referência, mas a Maria Armanda afirma isso na sua carta de 13 de Dezembro de 2008.
Não tenho que dar quaisquer satisfações, mas pretendo demonstrar o tipo de mentiras e falsidades de que é capaz de afirmar e escrever e, por isso, permito-me divulgar as cópias dos pagamentos da minha estadia.
[Ver e doc2]
A propósito, permito-me perguntar, pois todos nós perguntamos como é que ficou uma estadia em branco e não foi uma jogadora para jogar, quando o clube de Bianca Jeremias estava na disposição de pagar as deslocações da sua jogadora às Olimpíadas?
Desta forma teria sido retirado muito sofrimento à jogadora doente, como bem disse Ariana na sua carta – «Se estivesse uma jogadora para me substituir como a Bianca Jeremias ou a Ana Ferreira é óbvio que teria pedido para descansar».
II. CONCLUSÃO
Sobre o meu marido, sempre lhe posso dizer que ele chegou muito longe no xadrez e não precisou que ninguém o apresentasse. Bastou ser um homem inteligente, competente, culto, honesto e bem-educado. A Maria Armanda não deve saber o que isso é.
O meu marido foi considerado a figura do século no xadrez, foi condecorado pelo Presidente da República, isto entre muitas homenagens que tem recebido, a última das quais na Figueira da Foz, em que a Armanda pôde comprovar porque esteve presente.
Quero salientar que apesar da Catarina Leite conviver mais com equipa masculina, em virtude de estar mais tempo com o Paulo Dias, o seu namorado, sempre manteve uma relação cordial com as suas colegas de equipa, preocupando-se com a saúde da sua companheira doente. Eis o testemunho da Catarina
E aqui tenho de ser justa e reconhecer as várias vezes que a Rosa Maria colmatou a falta que a Capitã de Equipa me fez durante algumas partidas mais demoradas.
O mais grave e vergonhoso é como a Maria Armanda deturpa a realidade com afirmações inventadas e que não correspondem minimamente à verdade.
Isto deveria ser do conhecimento do Conselho Disciplinar, pois não apenas não cumpriu as suas funções de Capitã de Equipa como está a mentir ao órgão social que a nomeou para as Olimpíadas de Dresden.
Como se pode comprovar, o meu marido e eu não fomos qualquer obstáculo, como uma qualquer investigação poderá apurar. Desde o 2º dia, limitámo-nos a ignorá-la completamente.
Recentemente, recebi uma carta da FPX, na pessoa do seu presidente, a qual me deixou satisfeita, visto reconhecer o meu trabalho junto da jogadora doente. Com consentimento do Presidente António Bravo, vou divulgar parte desta carta
Não deu entrada na FPX qualquer documento com o teor a que faz referência na alínea 15 [do Requerimento, em que a Maria Armanda Plácido, na sua carta de 13/12/2008 diz ter obtido cópia que a organização das Olimpíadas «juntou ao processo de Portugal», em como não paguei a minha estadia em Dresden] nem tal foi referido no Relatório…
Desejo salientar como Presidente da FPX alguns aspectos.
Em primeiro lugar que lamento o acontecido logo que no segundo dia da estadia, e, por ter sido com alguém que representava a FPX, como Presidente deste organismo quero apresentar-lhe desculpas, bem como agradecer-lhe o apoio prestado a uma jogadora da selecção feminina que necessitou de cuidados médicos, reconhecendo que o fez por razões de humanidade e solidariedade.
Em segundo lugar, gostaria de frisar que a responsabilidade das opiniões sobre pessoas contidas no relatório, são apenas de quem o subscreveu. Embora a nomeação da Chefe da Delegação fosse da responsabilidade de FPX, o conteúdo do relatório obviamente não o é.
Não compreendo, assim, como é que uma pessoa como a Maria Armanda que mente, deturpa, ofende e difama, pode ocupar cargos de responsabilidade nos órgãos sociais da AXL e lhe foi permitido a responsabilidade de representar Portugal numas Olimpíadas.
A terminar, se a Maria Armanda voltar a dirigir-se a mim ou ao meu marido, com ofensas, injúrias e difamações, remeto, de imediato, este assunto para as instâncias legais competentes, designadamente, a Procuradoria-Geral da República e o Instituto do Desporto de Portugal para os fins que tiverem por convenientes para salvaguarda da nossa dignidade e honra pessoais.
Se ainda não o fiz, foi por respeito ao meu marido que entendia que a situação poderia prejudicar o xadrez nacional.
Por último, quero apresentar um agradecimento especial ao blogue Ala de Rei, na pessoa do Sr. Francisco Vieira, que me ajudou a obter os documentos pela via legal – o Relatório da Chefe da Delegação da FPX e a Acta da Direcção da FPX de 8 de Fevereiro de 2009.
Com os meus melhores cumprimentos.
Lisboa, 13 de Maio de 2009
Rosa Maria Durão
Ler o Relatório da Chefe de Delegação às Olimpíadas de Xadrez Dresden 2008.
Ler o Relatório do Capitão da Equipa Masculina às Olimpíadas.
Ler outros documentos (Cartas das Jogadoras e Actas das reuniões da Direcçãoda FPX).