Publiquei aqui em Ala de Rei dois posts, sobretudo relacionados com dois vídeos.
O primeiro, sobre a entrevista do Professor de Psicobiologia e director do Centro de Neurociências Cognitivas da Universidade Complutense de Madrid, Manuel Martín-Loeches, sobre “o poder do cérebro”, a propósito das conclusões da investigação de uma equipa multidisciplinar de oito cientistas de diversos institutos e laboratórios japoneses, constantes de um artigo científico publicado na muito prestigiada revista científica Neuron. Nesta entrevista, o Prof Loeches afirmava [a entrevista era de 2008] de forma muita clara que este estudo o que nos revela é que «se abre uma porta para poder ler o pensamento».
No segundo, apresentava a conferência do biólogo Prof Dr Rupert Sheldrake dada nas Google Tech Talks, em 2008, onde o Prof Sheldrake ia mais longe e afirmava, de firma sustentada, que «as pessoas podem influenciar os outros à distância apenas a olhar para elas».
Com os vídeos, apresentava fortes argumentos para sustentar a justeza das críticas do grande mestre de xadrez suíço, de origem soviética, Viktor Korchnoi, o qual se queixava das interferências do parapsicólogo da comitiva soviética, Vladimir Zhukar, um espião de novo tipo, psíquico – termo infeliz mas aceitável para o nível de conhecimentos daquela altura – e ia mais longe ao indiciar que a situação, além de estranha e bizarra(?) para a opinião pública, não deixava de ser real e verdadeira e fora, tanto quanto possível, camuflada pela contra-espionagem soviética. De facto, quem foi ridicularizado foi Korchnoi passando o polícia secreto quase despercebido.

Dr Vladimir Zhukar o parapsicólogo membro da KGB
Diversos artigos e vídeos foram produzidos desde então que nos mostram também aqui a rivalidade da guerra fria em mais um tabuleiro: a espionagem psíquica, isto é, a parapsicologia ao serviço da guerra e da supremacia ideológica das super potências. Um dos canais temáticos por cabo português transmitiu há alguns anos dois documentários sobre as experiências efectuadas sobre as orientações da CIA e do KGB, onde se ia bastante mais longe do que as já [há 30 anos] vulgares experiências de telepatia e de psicoquinesia, designadamente através de viagens fora do corpo que ficaram congeladas durante mais de 30 anos por impossibilidade de comprovação da descrição do médium americano.

Naqueles dois posts fazia referência a dois académicos de créditos firmados na investigação e estudo da Consciência e da mente, o Prof. Dr. Amit Goswami, norte-americano de origem indiana, que tenho o grato prazer de conhecer pessoalmente, numa das suas visitas regulares a Portugal há cerca de 15 anos e que tinha acabado de ver, no Brasil, traduzido para português, talvez a melhor obra que um académico produziu nos últimos tempos sobre os estudos da consciência individual e universal e da mente não localizada, recorde-se que a sua especialidade é a física quântica, em que defende de forma clara, a inversão do actual paradigma científico dominante. De acordo com o Prof. Goswami não é o matéria que cria a consciência mas o inverso como aliás consta do subtítulo da sua obra mais importante e de maior repercussão mundial - O Universo Auto-Consciente [ed. Rosa dos Tempos (Brasil)], o seu seminal work, em que defende uma “ciência monista” por oposição à actual “ciência dualista”.
O Prof. Dr. Rupert Sheldrake, pela sua grande contribuição na investigação
e estudo da proposta do modelo dos «campos morfogenéticos» em que defendeu a existência de «regiões ou campos de influência não materiais» ou uma «memória da natureza» que não perde o conhecimento total mesmo quando amputada dos seus membros. Os fundamentos teóricos foram apresentados há 20 anos no fascinante livro, chave do seu pensamento, A New Science of Life, em que afirma a existência de «invisíveis estruturas organizadoras, capazes de formar e organizar cristais, plantas e animais, determinando até o seu comportamento».
O interessante disto é que os Profs. Amit Goswami, director e Rupert Sheldrake e Elisabeth Targ, ambos investigadores, estão todos ligados ao Institute of Noetic Sciences, fundado pelo astronauta norte-americano Edgar Mitchell, um estudioso da parapsicologia e participante nas experiências de Percepção Extra-Sensorial a bordo da nave espacial Apollo 14. Ele próprio haveria de escreve um artigo, An ESP Test from Apollo 14, para The Journal of Parapsychology, em Janeiro de 1971.
Os Prof Sheldrake e Goswami encontram-se próximos do movimento espiritual teosófico onde participam regularmente em seminários e conferências internacionais, bem como a Dra. Elisabeth Targ e o seu pai, o Dr Russel Targ.
Em virtude da passagem desta investigadora para outros planos da existência em 2002, não fiz referência à sua existência nem à importância das suas investigações. Mas é no domínio dos fenómenos psíquicos, em especial da ESP (Extra-Sensorial Peception), em que se encontrava envolvida na parapsicologia desde os 12 anos, que influenciarão decididamente o seu futuro e o rumo das suas pesquisas e investigações na medicina, relacionadas sobretudo com a doença e as investigações sobre o corpo e a mente – a psicoimunologia, como comprova o artigo publicado no prestigiado Western Journal of Medicine. Este artigo mostra com o poder da crença e da oração contribuíram, ainda que de forma não completamente estabilizada e segura, para a melhoria do estado de saúde dos doentes, numa situação mista de auto-cura e de cura à distância, própria dos grupos espirituais. O trabalho académico publicado não convenceu todos mas indiciou algo que merece ser estudado e aprofundado.
A Dra Targ era “sujeito” e simultaneamente “objecto” de investigações, o que não acontece com os dois académicos referidos e estava identificada na Escola Médica de Stanford como “experienced psi-experimenter and remote viewer.” A Parapsychological Association escreveu-lhe um memorial, curiosamente reproduzido por Kevin Spraggett no seu blogue.
Para conhecer melhor a vida e a obra da Dra Elisabeth Targ, em especial, as suas investigações e pesquisas, pode ler-se, com proveito, o artigo que Martin Gardner lhe dedica em 2001, no ano anterior à sua partida, no Skeptical Inquiry.
Se trouxe à colação a Dra Targ e a sua investigação é porque considero importante reconhecer os fenómenos que investigaram e estudaram ao longo das suas vidas, os mesmos que foram sentidos por Korchnoi quando foi incomodado em 1978, durante o match para o título mundial.
De facto, os trabalhos do Dr Russel e da sua filha Elisabeth são bastante importantes, em especial, nos campos de investigação da chamada “visão remota” e é aqui que se cruzam estes académicos com o que se passou no tabuleiro de Baguio em 1978, em que a sinistra figura soviética sentada numa cadeira da assistência punha as ondas em movimento.
Ao contrário do que se possa pensar, os soviéticos estavam bastante avançados na investigação e nos estudos de parapsicologia, em especial, “à distância”. Até à morte de Estaline estes assuntos, não eram muito divulgados, não obstante o ditador soviético apreciar os serviços do famoso médium internacional Wolf Messing.
Com a sua morte, o Kremlin não só deu “luz verde” para recuperar o tempo perdido como «prioridade absoluta» a estes estudos e é assim que é criado o primeiro laboratório de parapsicologia dirigido pelo Dr Vassiliev, um galardoado com o Prémio Lenine, na Univ de Leninegrado. É verdade que o laboratório surge com cerca de 2o anos de atraso em relação ao americano do Prof Rhine, na Univ Duke, mas depressa vai recuperar o atraso.
Um coisa é certa, os Profs Rhine, na América e Tenhaeff, na Holanda e o Dr Vassiliev, na União Soviética, estão na vanguarda da investigação parapsicológica, conduzindo investigações que irão, em especial, serem aproveitados pelos serviços secretos americanos e soviéticos para controlo da mente e espionagem psíquica à distância.
Por agora, creio serem suficientes os dados apresentados para mostrarem como a ideologia no poder se compatibilizou com o controlo da mente para fins sociais, militares e de espionagem.
Chegados aqui quem se espanta com o que passou nos gabinetes secretos das centrais de informações americana e russa. Para se ter uma ideia do que foi a espionagem psíquica e porque os serviços de informação da CIA e KGB se envolveram nas investigações e estudos da parapsicologia, apresento aqui um vídeo sobra a realidade russa.
Em breve retomarei este fascinante tema e dos perigos envolvidos quando utilizado para controlo da mente para fins políticos.
Produção industrial: Ren-TV [Documentário]
Realizador: Alexander Merzhanov, Rússia, 2007, 41m 56s
Segundo a CIA, só em 1975 na URSS terão sido gastos cerca de 70 milhões de rublos em pesquisas no campo da parapsicologia. A sua função, na União Soviética, era atrair cientistas de renome mundial e Vernadsky Chizhevsky. Todo o trabalho foi realizado sob a supervisão pessoal do Marechal Tukachevski. Após a Segunda Guerra Mundial a
parapsicologia “de combate” cresce.
Este documentário é o primeiro vídeo a mostrar algumas das experiências da polícia secreta soviética com a médium Nina Kulagina de telequinese [movimentação de objcetos com a força da mente] e da «leitura da mente» por Karl Nikolayev. No entanto, os serviços de segurança não estudaram apenas a parapsicologia, obrigaram os seus empregados à prática dessas experiências, o que permitiu não só receber informação mas também programar as pessoas. Em meados dos anos 80, um dos agentes secretos foi programado para o assassinato. Em alguns países, o comportamento do programa foi definido por diplomatas de nível inferior sem o controlo dos serviços secretos. Esta não é uma lista exaustiva das questões que concordam efectuar para cobrir os serviços de segurança e do contacto com a imprensa cujos factos, em muitos aspectos, ficaram fora de controlo.
parapsicologia “de combate” cresce. 



Agradeço reconhecido Pedro Fonseca a sugestão dos seguintes vídeos de xadrez (disponíveis em 



