Archive for the ‘Entrevista’ Category

Ana Baptista entrevistada pelo jornal ‘i’

Sábado, Novembro 21st, 2009

Ana Baptista, bicampeã nacional feminina e campeã nacional absoluta de sub-20, concedeu uma entrevista a Mariana Pinheiro, do jornal i, a propósito da sua participação numa simultânea de 20 tabuleiros de jovens com o ex-campeão mundial de xadrez, Garry Kasparov, em 1999. 

 

 Ana Baptista 2008 © FPXAna tinha nove anos quando defrontou Kasparov pela primeira vez. Hoje tem 19, é campeã nacional feminina sénior e campeã nacional de sub20 absolutos, categoria que inclui rapazes e raparigas. E estava a estudar para um exame quando falou ao i.

Que perguntava a Kasparov se o reencontrasse?

Perguntava-lhe se se lembrava de uma miúda que há dez anos jogou com ele uma simultânea em Lisboa. E também gostava de saber se não tem saudades da competição. Ele agora está mais voltado para a política.

O que recorda desse dia?

Na altura, eu era uma miúda e ele era um dos meus ídolos, um dos melhores do mundo, senão o melhor e, claro, andava entusiasmada. Pensar que o ia ver ao vivo era completamente surreal. Perdi o jogo, como é óbvio, mas no fundo a vitória foi minha. Era uma alegria estar ali e ter tido a oportunidade de jogar com ele.

Dizem que o Kasparov fica muito tenso. É verdade?

De facto, costumam dizer isso., mas eu achei-o descontraído. Ele não tinha muito com que se preocupar [risos].

Como é que surgiu essa vontade de jogar xadrez ainda tão jovem?

Comecei a jogar na primária. Por acaso, foi engraçado porque, quando eu era pequena, era irrequieta. O normal seria não me interessar pelo xadrez. As pessoas olham para este desporto como uma actividade enfadonha e praticada sentada, o que não corresponde totalmente à verdade. O xadrez consegue ser um desporto bastante dinâmico, tem imensas combinações e diferentes ataques. Se pensarmos bem, são dois exércitos que se estão a defrontar numa batalha. Qualquer criança fica entusiasmada com isso.

Entrevista com a MI e GMF Anna Muzychuk da Eslovénia

Quarta-feira, Novembro 11th, 2009

Recebi do segundo vice-presidente do Ateneo de Cáceres, Ignacio García, a informação de ter sido publicada no sítio do clube, uma entrevista com a jogadora da Eslovénia, a MI e GMF Anna Muzychuk [533 FIDE]. De acordo com Ignacio García,

Anna é uma jovem jogadora de 19 anos, número 1 do ranking do seu país e nº 6 do mundo. Em Julho deste ano, alcançou 2542 pontos Elo FIDE e caminha para os 2600.

Com esta impressionante carreira e com a intenção de promover o xadrez feminino, continuamos com esta série de entrevistas a grandes talentos do xadrez feminino internacional.

A terminar a entrevista, Anna comenta uma partida que destacou das que já disputou até ao momento. Como sempre, a entrevista é publicada em inglês e espanhol.

A terminar Ignacio García diz-nos que,

Espero que sea de su agrado y den la máxima difusión a la entrevista.

Un cordial saludo, Ignacio García (Vicepresidente Segundo Ateneo de Cáceres)

Entrevista com a WGM Natalia Pogonina

Segunda-feira, Novembro 2nd, 2009

Recebi do Ateneu de Cáceres o seguinte pedido

Estimados amigos:

Iniciamos una serie de entrevistas a jugadoras de ajedrez con las que pretendemos contribuir a aumentar la presencia femenina en este deporte.

Hoy contamos con Natalia Pogonina, y hemos realizado la entrevista en dos idiomas: Inglés y Castellano. Los enlaces:

Female Chess: Natalia Pogonina

AJEDREZ FEMENINO: Natalia Pogonina

Rogamos den la máxima difusión de los artículos. Gracias.

Quem é a WGM Natalia Pogonina?

Natalia Pogonina (n.1985) é uma das melhores e mais prometedoras jogadoras de xadrez da actualidade.

Encontra-se em 14º no ranking mundial e em 3º no seu país, onde já ganhou uma medalha de ouro pela selecção nacional feminina do seu país.

Ultrapassou a barreira dos 2500 pontos Elo FIDE e é uma séria candidata ao título mundial feminino.

Partilha a sua carreira no xadrez com a actividade de modelo.

Encontra-se a escrever – com o seu marido Peter Zhdanov (n.1986), um especialista nas T.I., xadrezista, blogger e administrador do sítio pogonina.com – sítio oficial de Natália Pogonina – o livro O Kamasutra do Xadrez que, segundo Natalia, «o título é pouco provocador, no entanto, vai ser um apaixonante livro sobre xadrez e sexo».  

Na sua entrevista abordou os “estereótipos de género”, resumindo o que tinha escrito no artigo publicado na ChessBase e reproduzido no seu sítio pogonina.com, considerando-os ou misógenos ou feministas.

Azerbeijão é o novo campeão da Europa

Sábado, Outubro 31st, 2009

A selecção do Azerbeijão sagrou-se campeã europeia de xadrez na 17ª edição da prova que se disputou na cidade sérvia de Novi Sad, sucedendo à Rússia, que desta vez, se teve de contentar com o segundo posto.

À partida para esta última ronda estas duas selecções eram as favoritas, pois encontravam-se em igualdade pontual com dois pontos à maior sobre os seus mais directos perseguidores. E, tendendo ao claro favoritismo de qualquer das duas para o confronto de ontem, a Rússia frente à Espanha e o Azerbeijão frente à Holanda, seria de prever que o sistema de desempate tivesse que ser utilizado para se encontrar o campeão. No entanto, uma improvável ajuda dos espanhóis, ao imporem um inesperado empate, permitiu ao Azerbeijão isolar-se com uma vitória tangencial obtida in extremis.

Na terceira posição classificou-se a Ucrânia, em igualdade pontual com a Arménia, ficando nos lugares imediatos, entre os 38 participantes, a Alemanha, a Espanha e a Polónia.

Jorge Guimarães, em Público, 31 Outubro 2009

Segundo a PanARMENIAN.Net, antes da última ronda  da Taça da Europa, o capitão da equipa do Azerbeijão, Zurab Azmaiparashvili afirmou que não esperava a vitória do encontro Rússia-Arménia.

«Faço figas pelo empate. A Rússia é a equipa mais forte da prova, mas devemos preocupar-nos com o nosso próprio encontro», divulgou a azerisport.com, citando o capitão azeri.

Mais informações no sítio oficial da 17ª Taça da Europa de Nações e a reportagem completa sobre esta Taça na ChessBase.

Poderão ler também, com agrado, a entrevista com Faik Gasanov, o pai do xadrez do Azerbeijão, publicada na ChessBase (14/3/2007).

«Sempre tive o sonho de ser Grande Mestre» afirma o MI Ruben Pereira em entrevista ao portal scn

Quarta-feira, Outubro 7th, 2009

Por estar ocupado com outras actividades não tenho acompanhado tão de perto, como gostaria, alguns espaços noticiosos.  Recentemente, o portal SCN publicou uma entrevista com o MI Ruben Pereira, o mais recente campeão nacional individual absoluto da modalidade.

Desta entrevista, publicada na passada 6ª feira, 2/10, permito-me transcrever um excerto, remetendo desde já, os leitores para a mesma que pode ser lida na totalidade em SCN.

SCNNo passado havia expressado que não pretendia fazer do xadrez um modo de vida, nem profissão, alguma coisa mudou entretanto?

RP – Não foi só o ano passado que expressei essa opinião, foi desde da altura em que comecei a jogar xadrez, ou seja aos 9 anos, que sempre exprimi essa opinião. Passado quase 10 anos continuo com a mesma decisão, já me encontro a estudar no ensino superior e se algum dia deixar de estudar, não será quase de certeza absoluta por causa do xadrez. Embora que também sempre afirmei que não iria desistir de jogar e, por conseguinte, sempre que tenha disponibilidade tentarei dar o gosto ao dedo e ao cérebro.

SCNEm entrevistas ao scn, António Fernandes queixou-se da falta de apoio das instituições para o xadrez em Portugal, tendo o ex-campeão europeu Sergei Tiviakov apontado a necessidade de haver um maior envolvimento do estado, para o desenvolvimento do xadrez nacional. Qual a sua visão em relação ao xadrez português?

RP – Tanto o Fernandes como o Tiviakov são jogadores que já estão no mundo xadrez há muitos anos e as suas opiniões já se tornam fruto de vários acontecimentos. No meu caso, não poderia dar uma opinião tão fundamentada como eles, mas do pouco que vejo e já presenciei tendo a ter a mesma opinião. Em Portugal a única modalidade que obtém destaque é o futebol, pelo simples facto que um jogador de futebol em Portugal não precisa de chegar ao topo para ser reconhecido, enquanto que qualquer outro desportista de outras modalidades precisa de ser campeão olímpico/mundial/europeu (e mais que uma vez!) para obter reconhecimento público. Nestas condições torna-se muito difícil de conseguir apoios e criar planos para o desenvolvimento da modalidade. Pegando no caso do Fernandes, que foi o único atleta português a obter uma medalha numa olimpíada de xadrez, facto este que só é conhecido pela comunidade xadrezista ou pessoas relacionadas com a mesma, o que é inadmissível para o carácter internacional que têm uma Olimpíada.

Uma entrevista oportuna, onde a lucidez do novo campeão nacional não esmorece face à apatia e indiferença dominante. O xadrez está condenado a ser uma modalidade ou se se quizer, uma actividade menor? Ou será a menoridade que passeia pelas cabeças?

“En el ajedrez una cosa es jugar y otra competir”, entrevista al GM argentino Jorge A Rubineiti

Terça-feira, Julho 21st, 2009

“En el ajedrez una cosa es jugar y otra competir, la competencia no es tan buena. A mí me gusta la idea de hacer torneos donde jueguen todos los chicos sin resultados. Nadie le ganó a nadie, yo juego con vos, no contra vos. El éxito no está en que el niño gane sino en que la pase bien, entrene su mente y que le sirva para otras actividades… Los chicos pueden ganar o perder, pero adquiere un significado distinto si el profesor lo acentúa. No descalificar al que pierde, sino ver cómo jugó, más que si ganó o perdió: otra forma de evaluar.”

Verónica Castro e Carlos Cavallo de Educar (O  portal educativo do estado argentino)  publicou uma interessante entrevista com o GM Jorge A. Rubinetti. Escrevem na sua introdução à entrevista que

El ajedrecista Jorge Rubinetti obtuvo en 1991 la norma de Gran Maestro Internacional, otorgada por la Federación Internacional de Ajedrez. Representó a la Argentina en numerosas Olimpíadas, desde 1968, y ganó alrededor de 50 torneos, nacionales e internacionales. Desde 1993 dirige la Sala de Ajedrez del Jockey Club de Buenos Aires.

En esta entrevista habla de la importancia de reconocer el ajedrez como un juego, sobre todo cuando se trata de la enseñanza de ajedrez para chicos, y recuerda la época de oro del ajedrez en la Argentina y su falta de prestigio actual. Habla también de un presente donde todo va más rápido: chicos que ya saben jugar a los tres años, computadoras que le ganan a más del 99 % de los ajedrecistas y torneos exclusivamente entre computadoras. Las palabras de Jorge Rubinetti rescatan el entusiasmo que despierta este juego milenario y permiten imaginar nuevos futuros para el desarrollo del ajedrez nacional.

Ler entrevista completa em educar.

O massacre da Praça da Paz Celeste na China foi há 20 anos.

Quinta-feira, Junho 4th, 2009

Tien An Men (Praça da Paz Celeste) 1989 [c) googlepages.com] 
 

 

 

To mark the events at Tiananmen Square in 1989, Human Rights Watch launched a special web page, Tiananmen, Fifteen Years On.

 

The new page updates the stories of those labeled “the most wanted” by the Chinese government, and revisits Human Rights Watch’s in-depth reporting on some of the prominent pro-democracy activists during June 4, 1989, and afterwards.  

 

Beginning on June 12, 1989, the Chinese government issued “wanted lists.”   

 

“Human Rights Watch has copies of three:

 

  • “Wanted List 1: The 21 Beijing Student Leaders,”
  • “Wanted List 2: Three Workers Leaders,” and a
  • “Ministry of Public Security Compilation No. 2″ in which sixty-two people are listed.

 

It claimed that those involved had instigated a “counterrevolutionary rebellion” and deserved punishment. That official government verdict remains unchanged today. It denies redress and public acknowledgement of their losses to those whose sons, daughters, wives, husbands were killed. It prevents those who escaped from returning to China to visit their families, to mourn parents, even to be reunited with their own children. For those who stayed in China, the intervening years have been harsh.

Authorities refused them permission to return to their studies, employers fired them after security personnel came calling, banks refused them loans to start their own companies. Some were rearrested for continuing to call for human rights, political pluralism, and their right to speak out.” 

Human Rights Watch

  

PúblicoO Público publica hoje uma entrevista com Andrew Small, especialista em questões chinesas do German Marshall Fund dos EUA, que não prevê uma reforma política na próxima década. Mas a futura nomeação da liderança de Pequim pode expor algumas fragilidades. «Haverá uma diminuição de poder a cada ronda de novos líderes», disse Small em entrevista, antes de uma conferência em Lisboa a convite do Instituto Português de Relações Unternacionais (IPRI).

«O meu sonho é disputar o título de campeão do Mundo» (Evgeny Tomashevky)

Sexta-feira, Maio 22nd, 2009

Em entrevista exclusiva a Jaime André do jornal de desporto scn, o campeão europeu Evgeny Tomashevky, falou da conquista seu título e expectativas para o futuro.

 

Tendo-se sagrado campeão europeu no final do passado mês de Março em Montenegro, atingindo o feito de ser o mais jovem campeão europeu de sempre, o scn conversou com Evgeny Tomashevsky.

 

Nesta entrevista exclusiva Tomashevsky aborda a sua conquista, bem como as suas expectativas para o futuro.

 

Conhece o xadrez português ou algum jogador?Campeão Europeu de Xadrez Evgeny Tomashevky. [© scn sportcanal sa]

Já joguei contra xadrezistas portugueses no Europeu de Jovens e no Campeonato do Mundo. Penso que o vosso país não tem uma forte tradição de xadrez, principalmente aliada à organização de competições de topo. Um super-torneio em Portugal, poderia trazer desenvolvimento e maior interesse no xadrez, e aí os resultados dos jogadores talentosos (que Portugal obviamente tem!) será mais notório.

 

Ler a entrevista completa no jornal desportivo scn.

‘No fue Damiano’, entrevista con Mário Silva Araújo

Quinta-feira, Maio 21st, 2009

Rehabilitación tardía de Damiano, el gran ignorado de la historia del ajedrez, pelo Dr. René Gralla, Hamburgo, com a tradução de Carlos García Hernández, Berlín.

Na literatura sobre xadrez, a defesa com 1.e4 e5 2.Cf3 f6?!? foi muitas vezes atribuída ao português, Pedro Damião. Damião, que em 1512 publicou em Roma um dos primeiros manuais de xadrez e que acabou por ser um bestseller intitulado Questo libro e da imparare giocare a scachi et de le partite em que faz referência a esta variante, que estava na moda no seu tempo e que ficou a ser identificada mundialmente com o seu nome. Para reabilitar o bom nome do seu paisano, o lisboeta Mário Silva Araújo gerente bancário reformado (1), de 84 anos apresentou um estudo monográfico Damião. O Português e a sua obra.

A situação é que Damião nunca aconselhou esta defesa. Mais, ele próprio demonstrou ser inferior. OMário Silva Araújo, junto da sua biblioteca de xadrez, na sua casa, em 14.Maio.2009 [© Francisco Vieira] jornalista alemão, Dr. René Gralla realizou uma entrevista a Mário Silva Araújo (na foto) e demonstra como apesar de tudo se pode triunfar com esta defesa, pelo menos em algumas situações e até contra Bobby Fischer.

No passado fim de semana disputou-se o XXII open Internacional Xadrez Damiano 2009 na cidade natal de Damião, Odemira (Portugal) que foi ganho pelo GM venezuelano Eduardo Iturrizaga.

Eis o artigo Rehabilitación tardía de Damiano, el gran ignorado de la historia del ajedrez [Reabilitação tardia de Damião, o grande ignorado pela história do xadrez], pelo Dr. René Gralla, Hamburgo, com a tradução de Carlos García Hernández, Berlín.

 

(1) Mário Silva Araújo, pediu-me para corrigir na tradução publicada em Ala de Rei, que a sua profissão não foi de gerente bancário mas sim de empregado bancário.

TSF entrevistou o MI Joaquim Durão

Terça-feira, Abril 21st, 2009

A TSF entrevistou o MI Joaquim Durão na série de Vidas em Prova no passado dia 8 de Abril. Eis oTSF texto introdutório disponível no sítio da TSF.

 

O MI Joaquim Durão entre o GM Luis Galego (E) e MI Diogo Fernando (D) [© www.chessbase.com]Joaquim Durão, 78 anos. Mestre internacional  de xadrez, liderou o ranking nacional durante 19 anos, durante os quais venceu 13 campeonatos. No auge da carreira conseguiu 6 apuramentos para Mundiais e participou em 7 olimpíadas. Como dirigente, foi líder da Federação Portuguesa de Xadrez em 3 mandatos e vice-presidente da Federação Internacional.

Vidas em Prova. Áudio disponível aqui. (Este conteúdo necessita do Adobe Flash Player)Obter aqui.

Xadrezismo entrevistou o GM António Fernandes (parte III)

Quinta-feira, Abril 2nd, 2009

GM António Fernandes [© foto de sol.sapo.pt/blogs/xadrezismo]

O blogue xadrezismo colocou online a terceira e última parte da entrevista do GM António Fernandes.

Esta entrevista merece ser comentada, o que farei em breve.

 

O GM António Fernandes e o xadrez nacional foram muito mal tratados pelo Presidente da Mesa da Assembleia Geral e pela Direcção da Federação Portuguesa de Xadrez.

 

E nem um simples pedido público de desculpas recebeu.

Xadrezismo entrevistou o GM António Fernandes (parte II)

Quarta-feira, Abril 1st, 2009

O blogue xadrezismo publica a parte da entrevista que efectuou ao GM António Fernandes.

 

A entrevista é bastante extensa, mas simultaneamente elucidativa e esclarecedora do pensamento do actual campeão nacional.

 

Permito-me, desde já, transcrever a primeira questão levantada nesta segunda parte da entrevista, porque ela esclarece a razão de A. Fernandes não ter pretendido responder e portanto esclarecer a razão da sua saída da sua equipa – a Academia de Xadrez de Gaia.

 

Tiveste um final de época atribulado e tumultuoso com esse episódio da selecção e agora com este Europeu também ele atribulado, por certo que esta época não se iniciou da forma que desejarias. Pelo meio uma surpreendente mudança de clube, com a saída da Academia de Xadrez de Gaia (AXG) e o ingresso num dos rivais o Grupo Diana de Évora. Também aí houve rumores sobre os reais motivos que estiveram na origem dessa troca de clubes. A que se deveu afinal a tua decisão?    

 

Bom, vou falar publicamente disto pela primeira vez. Numa entrevista ao “Ala de Rei” [N.R.:Blog de xadrez, a quem António Fernandes concedeu esta entrevista, no auge da polémica Olímpica] há uns meses, optei por não o fazer mas acho que o melhor é esclarecer de vez o assunto:

 

Em determinada altura, com o desenrolar do “caso selecções Olímpicas”, a Associação de Xadrez de Faro apresentou a todas as restantes Associações, uma petição por forma a promover a convocação de uma Assembleia Geral Extraordinária da FPX, onde o assunto pudesse ser discutido de forma ampla e com total transparência.

 

Embora tenha havido a anuência das Associações necessárias para que o Presidente da Mesa Assembleia convocasse obrigatoriamente a mesma reunião, este não o fez argumentando, em Assembleia Geral no dia 9 de Novembro de 2008, que faltaria o voto favorável de mais uma Associação para que fosse convocada a dita reunião. Escusando-se sequer a mencionar o nome da Associação de Xadrez dos Açores, a qual havia votado favoravelmente a essa petição. [N.R.: pode consultar a acta da referida Assembleia Geral, publicada pela FPX] Outras Associações houve que acharam por bem manifestarem-se publicamente sobre a sua tomada de posição relativamente a essa convocatória e aí “é que o gato foi às filhoses…” a minha própria Associação, a AXP achou por bem inquirir os vários clubes seus filiados, sobre a sua opinião, por forma a deliberar em reunião própria, bem como a apresentação de um comunicado, tornado público, baseado num parecer da autoria do, actual Presidente do Conselho Jurisdicional da AXP, que posteriormente reconheceu que esse mesmo parecer que elaborara, não estava de todo correcto. Comunicado esse, no qual a AXP começa por tecer-me exacerbados elogios, bem como ao próprio clube Academia de Xadrez de Gaia, mas… acabando por referir que por decisão unânime votariam contra essa convocatória. [N.R.: pode consultar o parecer referido por Fernandes].    

 

Ora numa reunião promovida pela própria AXP, em que o meu clube esteve representado, na qual decidiram votar contra, pior do que isso tomaram essa decisão por unanimidade, impedindo que o assunto em causa pudesse ser discutido, esclarecido e corrigido se fosse caso disso.

 

Claro que, perante esta situação, considerei não estarem reunidas as melhores condições nem as necessárias garantias, na presente época, para continuar a representar um clube que eu estimo e sempre respeitei incondicionalmente. Quando o seu principal responsável que sempre estivera do meu lado, me dera razão e o seu apoio (como posteriormente me manifestou), permitiu que alguém em representação do seu/meu próprio clube tomasse uma decisão que iria contra os meus interesses, os do próprio clube e do desporto nacional, unicamente porque entendeu não permitir que o assunto em questão pudesse sequer ser devidamente esclarecido. 

 

 

Ler aqui a entrevista do GM António Fernandes ao xadrezismo.

SCN entrevista Fernando Carapau, dirigente do GD Diana

Segunda-feira, Março 30th, 2009

O portal scn falou com o Fernando Carapau, responsável da secção do xadrez do GD Diana, acerca do clube e do panorama do xadrez em Portugal e da ausência deste no europeu de clubes que começa já no dia 5 de Abril.

 

Convidado a comentar as palavras do GM António Fernandes em recente entrevista ao scn onde falouscn Sportcanal, da falta de reconhecimento e carinho que o xadrez tem em Portugal, respondeu

 

Penso que a FPX em colaboração com as Associações e os clubes devia promover acções específicas, inovadoras e objectivas para que a modalidade do xadrez seja reconhecida pela sociedade como uma disciplina/desporto indispensável na formação intelectual e cívica dos jovens. A FPX devia desenvolver todos os esforços possíveis para que o xadrez seja uma notícia atractiva para as tv´s, jornais e rádios. É preciso mostrar à sociedade que existe esta modalidade ímpar.

 

Uma entrevista de Jaime André no scn para ler com atenção, em especial, pela sua qualidade de dirigente desportivo no interior do país.

Xadrezismo entrevistou o GM António Fernandes (parte I)

Segunda-feira, Março 30th, 2009

Impunha-se falar com o nosso Campeão, cuja prova fora bastante irregular, marcada porEntrevisao ao GM António Fernandes, campeão nacional 2008-09 [foto © sol.sapo.pt/blogs/xadrezismo ] alguns resultados negativos contra adversários inferiores nas primeiras sessões, o que não é habitual. Foi uma conversa franca e aberta que durou mais de 3 horas, onde António Fernandes respondeu a todas as perguntas, sem se furtar a abordar qualquer dos temas propostos. Sempre directo e por vezes polémico, o Campeão Nacional nunca hesitou em nenhuma das perguntas. 

 

Falou-se, claro, do Europeu mas também de muitos outros temas do xadrez Nacional: da formação e do fim de alguns Planos de Desenvolvimento autárquicos, do papel do treinador no xadrez actual, do profissionalismo do jogador de xadrez, mas também de alguns casos polémicos recentes em que António Fernandes esteve envolvido (o “caso” selecção Olímpica, a saída inesperada da Academia de Xadrez de Gaia), numa breve viagem ao passado, Fernandes recordou alguns episódios dos seus primeiros tempos na modalidade. Isto e muito mais poderá aqui encontrar a partir de hoje.

 

Dada a extensão da entrevista, irei reparti-la por três artigos. O primeiro é este, estando prevista a publicação das duas restantes partes durante a próxima semana, muito provavelmente terça, 1 de Abril e quinta, 3 de Abril, caso a disponibilidade pessoal e a “agenda da actualidade” o permitam.

 

Em Xadrezismo: a entrevista foi dividida em três partes. A primeira já se encontra disponível, aqui.

«Federações Desportivas devem aumentar financiamento privado»

Sábado, Novembro 15th, 2008

O Presidente do Instituto do Desporto de Portugal (IDP), Dr Luis Sardinha, concedeu há 3 anos ao Diário Entrevista Pres IDP (DN 21Out05)de Notícias uma entrevista, a que este diário atribuiu o sugestivo título de «Federações Desportivas devem aumentar financiamento privado». Eis um pequeno excerto:

Sobre o corte de verbas ao IDP superiores a 25%, que afecta necessariamente as federações, respondeu o Pres do IDP

 

Vivemos todos no mesmo país e sabemos que há necessidade de contenção. Isso leva à exigência de novas ideias. Por isso, vamos fomentar a procura de financiamentos privados por parte das Federações.

 

[Como?]

 

Há margem para se optimizar o sistema com decisões que não têm a ver com o financimento estatal. Vamos rever a legislação do mecenato desportivo, que está morta. O actual enquadramento legislativo cria dificuldades e não clarifica a distinção entre publicidade e mecenato.

 

Ler a entrevista do Presidente do IDP.

«Estou muito orgulhoso por ter ganho por tal margem» (Anand)

Quarta-feira, Novembro 12th, 2008

Entrevista do GM Viswanathan Anand

O GM indiano Viswanathan Anand, concedeu uma entrevista ao jornalista Rakesh Rao, do jornal indiano online The Sportstar on net, I am very proud that I could win by such a margin («Estou muito orgulhoso por ter ganho por esta margem»).

 

‘Ala de Rei’ entrevista o Campeão Nacional de Xadrez, GM António Fernandes

Sábado, Novembro 8th, 2008

 

Entrevista concedida pelo GM António Fernandes ao blogue Ala de Rei esta semana.

 

A proximidade das Olimpíadas de Dresden e uma Assembleia Geral da FPX que deveria abordar a “questão olímpica” são apenas dois aspectos de um processo que foi desde o início mail dirigido e que ainda se encontra longe de uma solução satisfatória para o actual campeão nacional que corre o risco de ficar em Portugal a ver jogar…

 

O Presidente da FPX, António Bravo, que já se defrontou com uma questão semelhante nas Olimpíadas de Calvià, em 2004, não aprendeu a lição e volta a insistir no mesmo erro. Mas será que é apenas um erro? António Fernandes, na entrevista que concedeu à jornalista do jornal Expresso, vai mais longe e afirma claramente que o Presidente da FPX praticou «tráfico de influências».

 

Mas passemos a palavra ao GM António Fernandes, o actual Campeão Nacional de Xadrez:

 

Como é que tudo começou? Quando é que reclamaste, a quem e porquê?

 

Efectivamente tudo começou quando, em Julho passado, para meu espanto, me apercebi da rapidez com que a Direcção da FPX estava a tomar as decisões a este respeito, ou seja, a divulgação no seu sítio na Internet, dos jogadores que deveriam integrar as selecções nacionais. Porque tanto quanto sei, nestas situações as direcções anteriores sempre salvaguardaram as provas mais importantes do país, como é o caso dos campeonatos nacionais.

 

Considero ser esse o procedimento mais adequado e utilizado por qualquer Federação isenta que se preze. Agindo com bom senso e em conformidade para garantia da melhor selecção nacional disponível, como foi sempre a postura de anteriores direcções da FPX e como obviamente é o caso actual de várias federações internacionais, como a da nossa vizinha Espanha por exemplo, a qual, em Junho passado, obteve a garantia da organização da Olimpíada para uma inscrição definitiva dos representantes da sua selecção até ao mês de Setembro, caso entendessem necessário efectuarem alguma substituição.

 

Desta forma, e perante a atitude intempestiva da Direcção da FPX, vi-me forçado a tentar perceber os resultados, finais, apresentados numa lista de performances relativamente aos seis primeiros jogadores da mesma. Tendo apurado algumas irregularidades, denunciei-as ao Sr. Fernando Castro e ao Sr. António Bravo. Devo referir que não me foi possível efectuar com rigor a confirmação detalhada dos resultados apresentados, uma vez que esses dados, embora pedidos com alguma insistência, nunca me foram fornecidos.

 

Posteriormente, com a conclusão do Campeonato Nacional Absoluto, no qual me consagrei campeão nacional, tendo tomado conhecimento público de possíveis irregularidades cometidas por parte da Direcção da FPX, nessa altura sim, efectuei um protesto, enviado à minha associação que, por sua vez, reencaminhou para a FPX, relacionado com a forma descuidada e inapropriada como todo o processo foi conduzido. A partir desse momento assistia-me, por direito próprio, de acordo com o regulamento [o Regulamento das Representações Nacionais (RRN)] em vigor, de integrar a selecção nacional.

 

Foi por isso que pediste a convocação de uma Assembleia Geral da FPX?

 

Sim. Bem, pedi a quem tinha competências para o fazer, nos termos dos estatutos da FPX. Desse modo dei a conhecer às respectivas associações as minhas pretensões em virtude das ilegalidades ou simples irregularidades cometidas pela Direcção da FPX.

 

O Presidente da Mesa da Assembleia Geral não convocou a Assembleia nem a teu pedido nem a pedido das várias Associações distritais. Como interpretas a sua recusa?

 

Não compreendo a razão para a não convocação, pois estando reunidas os requisitos e as condições que os Estatutos exigem para a sua convocação, não entendi a posição nem as explicações do Presidente da Mesa da Assembleia Geral. Tanto quanto sei, o Presidente da Mesa deveria limitar-se às funções inerentes ao cargo que desempenha e não intrometer-se no processo, com as suas interpretações estatutárias sobre a competência dos órgãos que além de não estarem correctas impossibilitaram a realização do órgão máximo da Federação. Houve, no mínimo, excesso de zelo da sua parte, sobretudo, quando ninguém lhe pediu para emitir as suas opiniões pessoais.

 

Foi por isso que resolveste escrever ao Sec. Estado da Juventude e do Desporto?

 

Claro. Depois de apresentados factos concretos sobre o assunto, depois de um indeferimento ao protesto apresentado, depois de vetada a marcação de uma Assembleia Geral, proposta por várias associações, as quais revendo-se nas denúncias apresentadas ou simplesmente tentando apurar o esclarecimento da verdade e a responsabilidade dos actos, perante as tomadas de decisão da Direcção da FPX, não me restou outra alternativa do que abordar o assunto com organismos superiores.

 

O que esperas do Secretário de Estado?

 

Espero que o Secretário de Estado de acordo com as suas competências e perante a gravidade da situação, actue em conformidade o mais rapidamente possível.

 

Como avalias a conduta do Presidente da FPX, António Bravo e as suas declarações à comunidade xadrezista [na página oficial da FPX] e ao jornal Record?

 

Lamentáveis.

 

E dos restantes membros da Direcção em todo este “processo das selecções olímpicas”?

 

Lamentavelmente, uns pecam pela falta de opinião e outros, aqueles que proferiram afirmações sobre o assunto, falam demais, desconhecendo as irregularidades cometidas ou simplesmente estiveram afastados de todo este processo. Espanta-me que ninguém tivesse dúvidas sobre o procedimento adoptado pelo Presidente, mesmo quando as ilegalidades ou simples irregularidades estavam à vista de todos ou já estavam a ser denunciadas na blogosfera e mesmo na comunicação social, como foi o caso do jornal Record.

 

Consideras que existe incompatibilidade da Maria Armanda Plácido, na acumulação de cargos na FPX e AX Lisboa [M. Armanda Plácido é a Vice-Presidente da Direcção da FPX e a Presidente da Direcção da AX Lisboa]?

 

À primeira vista assim parece.

 

Parece existir um claro conflito de interesses, se analisarmos atentamente o desenrolar de todo o processo (excepção do torneio de mestres e não excepção do nacional feminino) leva a que se possa até crer em favorecimento para além de existir uma falta de intervenção da AX Lisboa, a maior e mais importante Associação do país, neste processo (por interesse?). Penso que estes organismos devem pautar por uma total isenção de interesses pessoais e se olharmos ao passado verificamos que no caso Calvià 2004 a intervenção da AX Lisboa foi determinante para o desfecho do processo.

 

Uma intervenção activa da AX Lisboa no actual caso, também, teria sido decisiva para o apuramento da justiça e da verdade desportivas. Perante tal atitude e postura da AX Lisboa, é óbvio, compreensível e passível de ser interpretada por dedução lógica uma reposta, e creio que todos estarão de acordo, quando se questiona o porquê destas atitudes totalmente diferentes perante casos totalmente semelhantes.

 

E notas uma concertação de posições entre o Presidente, a Direcção e a Mesa da Assembleia Geral da FPX?

 

Comungando ambos da opinião de que a decisão da Direcção da FPX, por muito errada que seja, é soberana e não pode ser alterada, sim.

 

Qual a importância que atribuis à situação que se está a passar quanto às selecções olímpicas, do ponto de vista do prestígio da modalidade?

 

É bastante grave, pois uma modalidade que à primeira vista é encarada como praticada por alguém que sabe pensar, ponderar e agir de acordo com uma razão lógica, acaba por ser encarada mais como qualquer outra modalidade banal que afinal nem sequer sabem discernir e aplicar os regulamentos. Posso afirmar com conhecimento de causa, de que a actual situação está a ter repercussões negativas a nível internacional, incrédulos perante tal situação.

 

Qual a análise que fazes ao dirigismo associativo que temos?

 

Sou um pouco suspeito para comentar, uma vez que estou envolvido num diferendo com a própria Direcção da FPX. Mas, como já comentei por diversas vezes e até numa recente entrevista, considero que as actuais directrizes do dirigismo associativo pecam no seu todo; por um lado ao nível do desenvolvimento, promoção e dinamização da modalidade e por outro ao nível da competição internacional, tal como eu, também já o GM Luís Galego criticou a actual Direcção, como exemplo, verifica-se o procedimento adoptado no que respeita à convocatória de ambas as selecções nacionais ou ao tratamento que a mesma dá aos melhores jogadores do país, abandonando a participação em uma das provas mais importantes do calendário internacional, como é o caso do Campeonato da Europa a nível de selecções.

 

Porque te consideras prejudicado moral e desportivamente?

 

Porque me ensinaram a lutar pelos objectivos a que me proponho. Como tal, tentei dar o meu melhor para que de acordo com os regulamentos pudesse ainda integrar a nossa selecção. Penso ter conseguido esses objectivos e valeu a pena o esforço e o empenho envolvidos, pena é que a Direcção da FPX não queira reconhecer tal mérito, pois ao contrário de todas as outras, o título de Campeão Nacional sempre foi “sagrado” no que respeita à selecção nacional.

 

Desportivamente, além de ser privado de lutar por outra medalha olímpica e apesar de ter um longo curriculum desportivo, tenho também por objectivo lutar por um recorde mundial. O qual consiste no facto de poder vir a tornar-me o xadrezista em todo o mundo com maior número de representações olímpicas. Por exemplo o Korchnoi participou em 16 olimpíadas, eu participei até ao momento em 14.

 

Como esperas ser ressarcido?

 

Em tempo oportuno o meu advogado prestará todas as informações que forem relevantes serem divulgadas publicamente.

 

Porque envolveste a comunicação social, contactando a LUSA?

 

Porque foi a única forma que encontrei de se poder divulgar tamanhas atrocidades cometidas por alguém que persiste em não corrigir os seus erros, perante o cepticismo de alguns e as dúvidas de outros, perante uma modalidade que eu decidi em miúdo praticar durante toda a vida, perante o meu país e acima de tudo para repor a verdade desportiva.

 

Qual o apoio que recebeste do teu clube [AX Gaia] e da tua Associação [AX Porto]?

 

Gostaria de não comentar no preciso momento tais atitudes, talvez num futuro próximo.

 

E da Associação de Mestres [APMX]?

 

A APMX, pelo menos fez aquilo que a própria Direcção não quis fazer, se não vejamos: A APMX promoveu um debate interno, aberto à opinião de todos aqueles que, sendo membros, pretendessem intervir, de forma a adoptar uma posição coerente com a actual situação. Por outro lado a Direcção da FPX pretendeu fechar as portas às suas associações, através de uma simples frase do seu Presidente que disse; «… a decisão tomada é válida e irreversível», bem como através de elementos da própria Direcção, com interesses comuns em organismos associativos, emitiram opiniões em nome destes últimos, defendendo simultaneamente a própria Direcção da FPX, pretendendo, dessa forma, deixar transparecer perante as demais associações de que tudo foi bem feito.

 

 

E os membros que compõem a selecção nacional absoluta?

 

Fiquei bastante surpreendido não só com alguns desses elementos, como também de outras pessoas, as quais, com benefícios próprios directa ou indirectamente segundo determinada decisão. Uns preferiram não emitir qualquer comentário, possivelmente com o receio de algumas represálias perante acordos previamente estipulados conjuntamente com a Direcção da FPX, outros emitiram determinadas afirmações, parecendo telecomandados, das mais descabidas possíveis.

 

Mas, felizmente que nem todos pensam assim e o GM Luís Galego, ensinou a muito boa gente que afinal nem todos são semelhantes na sua maneira de estar, mostrando como ele bem sabe jogar dentro do tabuleiro e também fora dele. É que para algumas destas pessoas, como é o caso, é mais importante defender os seus princípios e valores éticos do que algum benefício material que advenha porventura de uma determinada tomada de posição irreflectida ou propositada, pisando tudo e todos não olhando a quem.

 

E a feminina?

 

Relativamente à selecção feminina, tomei conhecimento de que a jogadora Bianca Jeremias efectuou um protesto, logo após a conclusão do Campeonato Nacional Feminino, que fez chegar à Direcção da FPX, mas que até agora o mesmo não teve qualquer resposta. Por outro lado, fui informado através de um comunicado de três das jogadoras da selecção de que as mesmas haviam informado a Direcção da FPX através de um abaixo assinado em forma de protesto, no qual manifestavam a sua total discordância e desagrado pela forma como foi definida a 5ª jogadora da selecção.

 

O MI Joaquim Durão [nomeado capitão da selecção nacional absoluta pelo Presidente da FPX] encontra-se ao corrente da situação? O que é que ele pensa disto tudo?

 

Sim claro. O Sr. Joaquim Durão como sabes, já foi por diversas vezes Presidente da FPX e foi também por inúmeras vezes “olímpico” como jogador, capitão e delegado ao Congresso da FIDE. É uma pessoa bastante experiente e muito bem informada no que concerne aos meandros da Federação Internacional de Xadrez (FIDE), tendo sido, inclusive, Vice-Presidente da FIDE.

 

O que ele me disse foi que isto, e cito de memória, é uma situação extremamente lamentável e desnecessária, e que pela primeira vez na história do xadrez em Portugal, o facto do Campeão Nacional não ser convocado para integrar a selecção nacional é inédito e inaceitável. Ele não concorda em absoluto com a decisão da Direcção da FPX. Podes confirmá-lo.

 

Já falou contigo?

 

Sobre este tema, sim várias vezes. Disse-me que tinha todo o seu apoio, explicando-me que havia sido contactado pelo Presidente da FPX, o Sr. António Bravo, com quem se reuniu e lhe explicou a sua total discordância perante a actual situação, dizendo-lhe, inclusive, que não concordava com esta atitude e com a não inclusão na selecção do actual campeão nacional. A mesma explicação foi também transmitida, após ter sido contactado em conversa telefónica ao Presidente da Mesa da Assembleia Geral da FPX, o Sr. Fernando Castro.

 

Estás de acordo com a afirmação proferida pelo Presidente da FPX no jornal Record, na qual considera que a selecção nacional, não sai lesada com a referida convocatória, uma vez que os valores são semelhantes?

 

Bem reconheço que fazia uma ideia completamente errada da competência técnica desse senhor. Só uma pessoa que não perceba nada da modalidade ou que tenha estado afastado da mesma há mais de 40 anos, poderá fazer uma afirmação sem sentido como essa.

 

Retirar-se de uma selecção o campeão nacional e o melhor português com rating internacional, colocando em seu lugar qualquer outro xadrezista que nunca conseguiu sequer ser campeão nacional e dizer que a selecção não foi lesada porque os valores são semelhantes, no mínimo, só pode ser uma afirmação muito infeliz.

 

 

© Ala de Rei (2008). Autorizada a reprodução desde que citada a fonte.

Ylon Schwartz, jogador de backgammon, poker e xadrez…

Quinta-feira, Novembro 6th, 2008

Ylon Schwartz [© 2008 PokerNews.com]Ylon Schwartz, de 38 anos, natural de Brooklyn, Nova Iorque, é um homem que gosta de jogos. Também conhecido como um dos November Nine, para além do poker e ex-jogador de backgammon, joga xadrez. Tal como o mestre de xadrez e antigo campeão das WSOP [World Series of Poker], Dan Harrington e antigos jogadores profissionais de backgammon, Erik Seidel Gus Hansen, Schwartz também teve sucesso nestes jogos que o ajudaram na transição para o poker. A presença na mesa final das WSOP 2008, representa o seu maior prémio conquistado até hoje e a possibilidade de reclamar o maior titulo no mundo do poker. 

 

Ylon Schwartz começou a jogar xadrez com apenas 13 anos nas famosas ruas da Washington Square Park, em Manhattan, onde ganhava $100 por dia. Durante três anos viveu do xadrez e do backgammon na East Village, em Nova Iorque. Aos 23 anos já era considerado um mestre no xadrez e tendo juntado ao seu reportório de jogos, o golfe e os dardos.

 

Saber mais com entrevistas em WSOP ‘November Nine’ – Ylon Schwartz.

O “doping” no xadrez é uma aberração!

Quarta-feira, Outubro 29th, 2008

Excerto de uma entrevista concedida em Dezembro de 2007, pelo MF João Cordovil à jornalista Carla Branco num trabalho em jornalismo desportivo para a Univ. Lusófona. Entrevista inédita.

 

A maioria das pessoas pensam que o xadrez é um desporto intelectual e por isso não faz sentido falar em doping dos jogadores. Portugal foi um dos países pioneiros a adoptar regras de anti-doping, de que forma olha para este assunto?

 

É uma aberração! As medidas anti-doping foram introduzidas no xadrez apenas porMF João Cordovil interesses económicos! Isto é, pretendeu-se inscrever o xadrez como modalidade olímpica, para se obterem os apoios inerentes, e tiveram que se sujeitar às regras do COI. Uma vergonhosa subserviência, tanto mais que o xadrez não tem nenhum futuro como verdadeiro aspirante a disciplina olímpica.

 

Deve-se entender por doping as drogas (ou qualquer outra coisa) que sirvam para viciar resultados com eventuais prejuízos (a médio ou longo prazo) para a saúde. Está para ser atribuído um prémio Nobel a quem conseguir que um jogador de xadrez potencie verdadeiramente os seus resultados (isso pode medir-se em pontos ELO) à base de qualquer substância das listagens do doping ou não. Um medicamento desses, capaz de aumentar as capacidades mentais das pessoas, seria naturalmente muito útil para a humanidade.

 

Recentemente surgiram notícias sobre “estimulantes cognitivos”, como uma nova geração de medicamentos (aparentemente sem efeitos indesejáveis) capazes, entre outras coisas, de eliminarem as necessidades de sono…E para que é que isso serve para o xadrez, mesmo que fossem saudáveis? Durante uma partida de xadrez um jogador tem, por exemplo, de obter o máximo autocontrole sobre o seu sistema nervoso mas não pode tomar calmantes para isso, entre outras coisas porque lhe vão afectar a atenção (ver as bulas: trabalho com máquinas, condução, etc.); por outro lado, fases da partida há que exigem genica (adrenalina), acções de reflexos muito rápidos (nos apuros ou escasseio de tempo habituais) e não se pode mudar de comprimido como quem muda de módulo num computador, conforme as exigências das aberturas (memória), meio-jogo (cálculo e planeamento geral) e finais (técnica).

 

Há que referir ainda que o xadrezista está em actividade dos sete aos setenta anos de idade ou mais, e isto não é uma força de expressão, pelo que de nada lhe adiantaria procurar formas de potenciar resultados num determinado período que o (auto) condenariam no resto da carreira. Mas essa longevidade indica também que estará sujeito, ao longo da vida, a ter de lutar com algumas doenças que por vezes se transformam em crónicas. Uma das mais frequentes é a hipertensão arterial que se combate, creio, com determinados beta-bloqueantes; este grupo de medicamentos figurava na lista de drogas proibitivas (se não houver receita médica) para os xadrezistas, mas a pedido da própria FIDE (Federação Internacional de Xadrez) foi eliminada essa inibição desde 2006.

 

Num recente comunicado da FPX pode-se ler que um jogador acusou positivo numa prova nacional disputada em 2007. Não se explica qual poderá ter sido a substância. Mas posso assegurar o seguinte: era o 78º. da lista e terminou a prova em 76º. Nem com doping…Não sejam ridículos!

 

Entretanto tardam em se tomar medidas de fiscalização preventiva sobre o que sem dúvida irá representar, cada vez mais, a ameaça de batota no xadrez: a utilização de micro-computadores. E no dia em que a investigação banalizar os implantes de chips com efeitos concretos…acabou!

 

 

O GM indiano Anand, segundo o xadrez vigoroso, que cita Robert Huntington, da Associated Press, pronunciou-se nestes termos sobre o doping

 

“A conferência de imprensa após a partida atrasou-se mais de meia hora devido aos testes anti-doping obrigatórios. Questionado sobre estes, Anand considerou-os «completamente desnecessários» e apontou os computadores como a principal forma de fazer batota no xadrez. «Os testes anti-doping foram pensados para outros desporto», sustentou Anand”.

Entrevista do campeão mundial Vishy Annand

Domingo, Outubro 5th, 2008

Numa rara entrevista, a menos de duas semanas do início do Campeonato do Mundo, em Bona, na O actual campeão do mundo de xadrez, o GM indiano Viswanathan Anand [Der Spiegel].Alemanha, o actual campeão Viswanathan Anand fala sobre o match do título contra o russo  Vladimir Kramnik, sobre o seu treino, o papel das emoções e o seu encontro com Bobby Fischer.

A história está na revista alemã, Spigel, que ChessBase traduziu e publicou no passado 1.Out. A reportagem

The interview was conducted by SPIEGEL editors Ansbert Kneip und Maik Großekathöfer. The original German version is to be found in the latest issue of SPIEGEL Magazine and on Spiegel Online, Europe’s largest news portal. Translation into English by Frederic Friedel. © SPIEGEL.

Ler a entrevista Chess is like acting, no ChessBase.

O GM António Fernandes acusa a Direcção da FPX de falta de cumprimento do regulamento das selecções nacionais de Portugal

Sexta-feira, Outubro 3rd, 2008

GM António Fernandes (no I Campeonato Iberoamericano de Ajedrez, em Ayamonte, Huelva, España, 2006.O GM António Fernandes (AX Gaia), concedeu uma entrevista ao 16×16, onde questiona os critérios que estiveram na origem da selecção olímpica, denunciando a Direcção da FPX de falta de cumprimento do regulamento em vigor sobre as selecções nacionais, absoluta e feminina, de xadrez de Portugal.

Evidentemente que sim, mas segundo me apercebi tanto nos blogues de xadrez existentes como nos próprios torneios, existe uma indignação generalizada.


Eu não só questiono, como fiz mesmo um protesto que enviei por email à Associação de Xadrez do Porto, onde me encontro filiado, a qual o reenviou para a FPX. Este protesto teve por base, única e exclusivamente o incumprimento do actual regulamento em vigor por parte Direcção da FPX no que respeita à convocatória das selecções nacionais, prejudicando a nível particular vários jogadores e de um modo geral as próprias selecções nacionais tanto a absoluta como a feminina.

Recebi posteriormente um email do presidente da FPX indeferindo o mesmo, com algumas (in)explicações, as quais, todas elas «desculpas», foram por mim rebatidas sem que até ao momento houvesse alguma outra evasiva a justificar tal procedimento.

Ler a entrevista de António Fernandes.