Ala de Rei

a opinião e a crítica sobre a legalidade e a justiça no xadrez e no desporto em geral.

«Recent research at Stockholm University shows that equally strong male and female chess players employ different opening strategies» Paper by Swedish researcher Patrik Gränsmark

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The males tend to play aggressive openings against female opponents of the same playing strength, even if it increases the probability of losing the game. That has to be classified as irrational behavior. Paper by Swedish researcher Patrik Gränsmark.

Read more ChessBase.

Read Paper by Swedish researcher Patrik Gränsmark.

The figure displays how the judges reasoned when labeling an opening as either aggressive or solid.

«Melhorando no Xadrez: o erro crítico a evitar» por Natalia Pogonina

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O Vice-presidente do Clube de Xadrez de Florianópolis (CXF) e Campeão actual de Florianópolis, Daniel Brandão, informa no seu excelente blogue Xadrez Dojo que traduziu o artigo Getting Better in Chess: The Critical Mistake to Avoid, da grande mestre feminina Natalia Pogonina que esta publicou em Chess.com.

É para esta tradução de Daniel Brandão que publicou no sítio do CXF, que remeto os leitores, permitindo-me transcrever um excerto, a título de introdução.


Para GMs jogar xadrez é como andar de bicicleta. É difícil e não há como descrever em detalhes como se consegue, mas depois de um tempo de prática você fica bastante hábil.

Natalia Pogonina


Todos os dias recebo várias mensagens de fãs (obrigado, pessoal!) e muitas delas são dedicadas ao assunto sempre atual “como posso melhorar no xadrez?”. Faço o melhor para oferecer boas orientações para cada um, no entanto há um caso comum que pode ser comentado nessa coluna. Mostrarei uma das mensagens recentes (um pouco editada por questão de discrição):


Gostaria de perguntar sobre como aprender a pensar em xadrez corretamente. Espero que você tenha tempo para responder. Se não tiver, entenderei. Sou um amador e tenho trabalhado muito para melhorar. Na última semana li o livro The Improving Chess Thinker de Dan Heisman. Ele trata do nosso processo de raciocínio no xadrez. Tenho a impressão agora que minha maneira de refletir enquanto jogo não é sempre estruturada e disciplinada como deveria ser. Às vezes movo sem pesar suficientemente as consequências.

Agora minha pergunta é: como você acha que nós (amadores) poderíamos desenvolver uma maneira correta de pensar durante a partida? Você recebeu algum treinamento em relação a isso? Qual seria seu conselho? Espero não lhe tomar tempo com essas questões.

E aqui está a minha resposta (também com algumas edições e acréscimos):

Se você realmente quiser melhorar na prática, não deveria cometer o erro crítico dos amadores. Isto é, acreditar que xadrez necessita de um conhecimento especial, um QI incrível, memória fenomenal, etc. Isso ajuda, mas não é essencial a menos que você queira passar dos 2700 pontos de rating.

WGM Natalia Pogonina  © Mikhail Savinov


Como vi no Chess.com e em outros sites, o problema típico é que muitas pessoas gastam tempo demais lendo livros sobre teoria, meio-jogo, etc. sem jogar com frequência. E aí vem a história clássica:

Quando o campeão mundial Mikhail Tal estava realizando uma simultânea no exterior (fora da União Soviética) pela primeira vez, inicialmente ele ficou bastante receoso. Ele foi até Sosonko e disse algo como: «às vezes perco para amadores soviéticos em simultâneas, mas esses caras parecem verdadeiros profissionais – sabem tanto de teoria quando eu!». Sosonko riu e disse: «relaxe, depois de 15 lances eles começam a jogar por si mesmos…». E, de fato, depois disso vários oponentes perderam em cerca de dez lances, já que eles não sabiam realmente jogar xadrez, apenas memorizaram aberturas…


O artigo de Natalia Pogonina continua aqui.

(Sublinhados da responsabilidade de Ala de Rei).

Agradeço ao Daniel a informação desta tradução no sítio do seu clube e ao quem desejo as maiores felicidades na divulgação do xadrez.

«Uma daquelas coisas que nos distinguem dos Neanderthals»

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Eis como o Grande Mestre Michal Krasenkow descreve o xadrez nas suas respostas a perguntas dos leitores no sítio Crestbook. Outros tópicos incluem títulos falsos, como a “teorização” do xadrez e os pensamentos de Krasenkow ao emigrar da Rússia para viver na Polónia.

Michal Krasenkow foi o primeiro grande mestre a participar no projecto “Conferências KC” em Crestbook. KC quer dizer KasparovChess, o nome do fórum onde os membros foram convidados a fazer perguntas.

O grande valor da abordagem, além de deixar os fãs do xadrez interagir com GMs de elite, é a visão mais profunda que fornece quer nos jogadores quer no mundo do xadrez. Como as questões são mais universais do que tópicos, o facto de ter aparecido pela primeira vez na Rússia em Setembro de 2009, tem pouca importância, embora seja interessante ver, por exemplo, como os comentários de Krasenkow sobre a imprevisibilidade no topo do xadrez parecem parcialmente desactualizados com o predomínio crescente de Carlsen.

A minha [o autor de Chess in Translation] tradução integral das respostas de Krasenkow pode ser encontrado em Crestbook.

Ler a tradução inglesa em Chess in Translation.

«Como analisar uma partida de xadrez» por Natalia Pogonina

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O sítio Chess.com divulga o artigo da GMF Natalia Pogonina, How to Analyse Chess Games, do qual me permiti traduzir para melhor conhecimento daqueles menos familiarizados com o inglês.

O título além de sugestivo é claro e acessível, dispensando mais palavras. Não obstante Natalia Pogonina ser apenas grande mestre feminina, tem vindo a divulgar alguns textos muito interessantes para um xadrezista de clube, como se diz no nosso meio.

Fico a aguardar comentários no blogue sobre a importância de divulgação e tradução de artigos como este.

Uma das maneiras mais eficicazes de melhorar no xadrez é analisar os nossos próprios jogos. O lendário campeão mundial de xadrez Botvinnik salientou a importância desta actividade e desafiou os mestres a publicarem análises das suas partidas nos meios de comunicação. Acredito que a maioria dos leitores concordará comigo que estudando os nossos erros é mais importante do que nos determos sobre as falhas de outras pessoas. Existe apenas um pequeno problema: a maioria dos xadrezistas não tem ideia de como fazê-lo.

Ok, terminou mais uma ronda. Está cansado e preocupado com a próxima partida, então por que está preocupado em analisar a derrota de hoje? Ah, desculpe, ganhou mesmo? Uma partida ganha é ganha, por que se preocupa com ela? Parece engraçado, mas muitos xadrezistas agem desta forma.

Uma segunda opção generalizada está longe também de ser perfeita: após o final do torneio os jogadores ligam os computadores, identificam rapidamente os erros e substituem-nos (usando a barra de espaços) pelo lance “correcto” e rapidamente criam a árvore de aberturas (os lances duvidosos são substituídos pelas linhas do livro mais popular). Um quarto de hora e está feito! Todavia, esta abordagem dificilmente consegue algum efeito.

Se a descrição acima se encaixa mais ou menos a si, devia perguntar: qual é a maneira correcta de analisar partidas? Vamos falar sobre isso detalhadamente:


1. Logo após o jogo terminar deve anotar os pensamentos que teve durante a partida. Isso ajuda mais tarde a compreender a natureza dos seus erros. Por exemplo, anotar: «Eu queria colocar o cavalo em f5, mas tive receio do lance g5 das pretas». Ou, «Eu acreditava que essa troca conduzisse a uma estrutura de peões favorável, por isso quis trocar todas as peças e ganhar o final». Nesta fase não há necessidade de utilizar programas de análise de partidas. É claro, se alguém encontrar aí um buraco, pode ser forçado a corrigir as suas aberturas. Deixe o seu treinador/segundo (se o tiver) fazê-lo ou reveja você próprio a variante, mas não alimente o seu assistente de computador com toda a partida.


2. Assim que tiver tempo livre (depois do torneio), deveria lembrar-se o que aconteceu no tabuleiro. As suas anotações serão úteis neste momento. Agora terá a oportunidade de corrigir suas decisões e tentar perceber onde errou. Tente analisar a partida lance por lance e encontrar refutações tácticas, os erros posicionais, planos correctos, etc. Anote novamente a partida usando uma cor diferente, isto é,  usando uma cor diferente, por exemplo, «Eu queria colocar o cavalo em f5, mas tive receio do lance g5 das pretas». «Acho que deveria ter feito isso de qualquer maneira uma vez que g5 vai para h4 com boas hipóteses de ataque para as brancas».


3. Quando terminar, finalmente pode levar ir buscar o seu programa de análises de partidas para a ajuda. Dê uma vista e olhos nos erros que cometeu antes e durante a sua análise em casa. Preste atenção especial às posições onde não conseguir encontrar a solução correcta, após duas tentativas. Por exemplo, se cometeu um grande disparate, as hipóteses são que vai ser capaz de encontrar o lance correto em casa. No entanto, se a natureza do seu erro foi mais profunda, por exemplo, não entender uma certa posição no meio-jogo ou não saber lidar com finais, as hipóteses é que vá enfrentar problemas, desembaraçando-se ainda durante o post-mortem. Neste caso, o seu PC ou o treinador podem revelar-se extremamente úteis.


4. Depois de rever a partida e anotações utilizando um programa de análise de partidas, preste atenção especial aos momentos chave da partida. Memorize os princípios associados, isto é, «em tal final de torres os peões devem estar colocados assim» ou «nesta abertura, o bispo de casas brancas não deve ser trocado uma vez que a sua conservação é essencial para proteger as casas brancas na aa de dama». Ou «em tais estruturas um peão isolado pode vir a ser uma força e não uma fraqueza». O mesmo se aplica à sua árvore de aberturas – fazer as alterações apropriadas.


Na última vez vimos uma partida do torneio Mulhouse 2010-GM que eu deveria ter vencido, mas perdi. Agora é a situação contrária: eu estava totalmente perdida, mas consegui reagir e acabei por agarrar o ponto todo. Aqui está como continuou:

Wirig, A. (2491) vs. Pogonina, N. (2501)

Mulhouse 2010 – GM | Round 5.4| ECO: D30 | 0-1

Ver a partida

Tendo enfrentado sérios problemas na abertura, eu tinha que analisar a partida com cuidado para me certificar de que não voltará a acontecer. Além disso, graças à análise, actualizei os meus conhecimentos de finais de Torre e Dama contra Torre. Isto é benéfico para um jogador de xadrez melhorar.

P.S. Uma advertência clássica: Percebo muito bem que para muitas pessoas o xadrez é um jogo praticado por diversão, por isso não estou a dizer que todos devem seguir os passos descritos anteriormente. No entanto, para as pessoas que levam a sério o xadrez e ou estabelecem objectivos ambiciosos, este processo é quase sempre um dever fazer.

Ler o artigo de Natalia Pogonina em  Chess.com.

(Sublinhados da responsabilidade de Ala de Rei)