O título além de sugestivo é claro e acessível, dispensando mais palavras. Não obstante Natalia Pogonina ser apenas grande mestre feminina, tem vindo a divulgar alguns textos muito interessantes para um xadrezista de clube, como se diz no nosso meio.
Fico a aguardar comentários no blogue sobre a importância de divulgação e tradução de artigos como este.
Uma das maneiras mais eficicazes de melhorar no xadrez é analisar os nossos próprios jogos. O lendário campeão mundial de xadrez Botvinnik salientou a importância desta actividade e desafiou os mestres a publicarem análises das suas partidas nos meios de comunicação. Acredito que a maioria dos leitores concordará comigo que estudando os nossos erros é mais importante do que nos determos sobre as falhas de outras pessoas. Existe apenas um pequeno problema: a maioria dos xadrezistas não tem ideia de como fazê-lo.
Ok, terminou mais uma ronda. Está cansado e preocupado com a próxima partida, então por que está preocupado em analisar a derrota de hoje? Ah, desculpe, ganhou mesmo? Uma partida ganha é ganha, por que se preocupa com ela? Parece engraçado, mas muitos xadrezistas agem desta forma.
Uma segunda opção generalizada está longe também de ser perfeita: após o final do torneio os jogadores ligam os computadores, identificam rapidamente os erros e substituem-nos (usando a barra de espaços) pelo lance “correcto” e rapidamente criam a árvore de aberturas (os lances duvidosos são substituídos pelas linhas do livro mais popular). Um quarto de hora e está feito! Todavia, esta abordagem dificilmente consegue algum efeito.
Se a descrição acima se encaixa mais ou menos a si, devia perguntar: qual é a maneira correcta de analisar partidas? Vamos falar sobre isso detalhadamente:
1. Logo após o jogo terminar deve anotar os pensamentos que teve durante a partida. Isso ajuda mais tarde a compreender a natureza dos seus erros. Por exemplo, anotar: «Eu queria colocar o cavalo em f5, mas tive receio do lance g5 das pretas». Ou, «Eu acreditava que essa troca conduzisse a uma estrutura de peões favorável, por isso quis trocar todas as peças e ganhar o final». Nesta fase não há necessidade de utilizar programas de análise de partidas. É claro, se alguém encontrar aí um buraco, pode ser forçado a corrigir as suas aberturas. Deixe o seu treinador/segundo (se o tiver) fazê-lo ou reveja você próprio a variante, mas não alimente o seu assistente de computador com toda a partida.
2. Assim que tiver tempo livre (depois do torneio), deveria lembrar-se o que aconteceu no tabuleiro. As suas anotações serão úteis neste momento. Agora terá a oportunidade de corrigir suas decisões e tentar perceber onde errou. Tente analisar a partida lance por lance e encontrar refutações tácticas, os erros posicionais, planos correctos, etc. Anote novamente a partida usando uma cor diferente, isto é, usando uma cor diferente, por exemplo, «Eu queria colocar o cavalo em f5, mas tive receio do lance g5 das pretas». «Acho que deveria ter feito isso de qualquer maneira uma vez que g5 vai para h4 com boas hipóteses de ataque para as brancas».
3. Quando terminar, finalmente pode levar ir buscar o seu programa de análises de partidas para a ajuda. Dê uma vista e olhos nos erros que cometeu antes e durante a sua análise em casa. Preste atenção especial às posições onde não conseguir encontrar a solução correcta, após duas tentativas. Por exemplo, se cometeu um grande disparate, as hipóteses são que vai ser capaz de encontrar o lance correto em casa. No entanto, se a natureza do seu erro foi mais profunda, por exemplo, não entender uma certa posição no meio-jogo ou não saber lidar com finais, as hipóteses é que vá enfrentar problemas, desembaraçando-se ainda durante o post-mortem. Neste caso, o seu PC ou o treinador podem revelar-se extremamente úteis.
4. Depois de rever a partida e anotações utilizando um programa de análise de partidas, preste atenção especial aos momentos chave da partida. Memorize os princípios associados, isto é, «em tal final de torres os peões devem estar colocados assim» ou «nesta abertura, o bispo de casas brancas não deve ser trocado uma vez que a sua conservação é essencial para proteger as casas brancas na aa de dama». Ou «em tais estruturas um peão isolado pode vir a ser uma força e não uma fraqueza». O mesmo se aplica à sua árvore de aberturas – fazer as alterações apropriadas.
Na última vez vimos uma partida do torneio Mulhouse 2010-GM que eu deveria ter vencido, mas perdi. Agora é a situação contrária: eu estava totalmente perdida, mas consegui reagir e acabei por agarrar o ponto todo. Aqui está como continuou:
Wirig, A. (2491) vs. Pogonina, N. (2501)
Mulhouse 2010 – GM | Round 5.4| ECO: D30 | 0-1
Tendo enfrentado sérios problemas na abertura, eu tinha que analisar a partida com cuidado para me certificar de que não voltará a acontecer. Além disso, graças à análise, actualizei os meus conhecimentos de finais de Torre e Dama contra Torre. Isto é benéfico para um jogador de xadrez melhorar.
P.S. Uma advertência clássica: Percebo muito bem que para muitas pessoas o xadrez é um jogo praticado por diversão, por isso não estou a dizer que todos devem seguir os passos descritos anteriormente. No entanto, para as pessoas que levam a sério o xadrez e ou estabelecem objectivos ambiciosos, este processo é quase sempre um dever fazer.