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O Jogo de Xadrez enquanto metáfora do Direito

Domingo, Dezembro 13th, 2009
Artigo de Honório de Medeiros (Mestre em Direito; Professor de Filosofia do Direito da Universidade Potiguar (Unp); Assessor Jurídico do Estado do Rio Grande do Norte; Advogado (Direito Público), publicado no seu blogue pessoal.

 

Suponhamos dois circunstantes que se disponham a jogar uma partida de xadrez. 

Para iniciá-la, deverão estar previamente concordes quanto às regras a serem seguidas. Sabem que descumpri-las é fatal: haverá sanção (no jogo de damas, cartas, ou outro qualquer, as regras surgirão, também, através de acordo preliminar). 

Uma vez iniciada a partida, ela desenvolver-se-á em dois planos: no primeiro, sob a égide de regras que disciplinam o jogo, e que são oriundas de fatores a ele externos, tais como as decisões da Federation Internationale Des Echecs (FIDE), entidade que congrega e ordena a atividade enxadrística em nível internacional ou mesmo o regulamento do torneio do qual estão participando os contendores; no segundo, deverão (ou não) serem observadas, pelos contendores, regras (técnicas) imanentes à própria disputa, ao jogo-em-si, descobertas ao longo do tempo pelos estudiosos para que se obtenha a vitória almejada: noções estratégicas, táticas, questões atinentes às aberturas, defesas, e assim por diante. 

Quanto ao segundo plano pode-se falar em duas realidades distintas: a estática e a dinâmica. A primeira diria respeito à estrutura que a configuração das peças, em determinado momento da partida, origina em termos de vantagem para um ou outro (algo como, numa batalha interrompida, a quantidade de soldados, tanques, armas das quais disporia cada exército); a segunda corresponderia à variáveis puramente abstratas e nos daria uma idéia acerca de quem, por exemplo, detém a iniciativa no jogo (comanda a ordem dos acontecimentos). 

O observador cognoscente pode analisar esse objeto cognoscível (o jogo) de três formas diferentes: na primeira, enquanto não-participante, ao se perguntar acerca da história dessa disputa, as causas do seu surgimento, a psicologia dos participantes e, nesse caso, estará trabalhando enquanto historiador, psicólogo, ou sociólogo. Se o analisa enquanto metáfora da guerra, ou empreende a construção de uma teoria política utilizando a luta, o debate, o jogo como paralelos, desenvolve uma atitude filosófica. 

A terceira forma impõe o raciocínio dedutivo e nos surpreende atuando enquanto participante do jogo, às voltas não somente com aquelas regras impostas de fora para dentro pela FIDE ou Direcção do Torneio, mas, também, com as outras exigidas pela estratégia e tácticas para a obtenção da vitória: aqui é-se um protagonista da cena enxadrística. 

Assim também o é o Direito, do qual o Xadrez pode ser uma metáfora, atento a quanto ele o é da guerra em si. 

‘Desporto’… em Portugal

Quinta-feira, Dezembro 10th, 2009

O Sociólogo Mário Bacelar Begonha escreveu hoje no Diário de Notícicas

É dificil, em “Portugal”, falar de “Desporto” quando a maioria traduz tal conceito por futebol (profissional). Trata-se de um “conceito” que numa sociedade desenvolvida significa parte integrante da Educação Física, hoje versus Motricidade Humana que, com o é sabido, engloba ginástica, jogos e desportos. Segundo alguns autores deveria ainda juntar-se a “iniciação desportiva”.

Só que a confusão, e a ausência de conhecimento, levaram o poder político a não perceber que não pode, nem deve, abdicar de uma “Secretaria de Estado do Desporto” integrada no “Ministério da Educação”.

Absurdo dos absurdos é a existência de uma Secretaria do Desporto para o sector profissional. Bastava uma Direcção-Geral dos Espectáculos Desportivos.

Há que destrinçar entre desporto profissional e desporto amador. Por outro lado, há que perceber que a juventude que é “obrigada” à escolaridade até ao 12.º ano deve estar vinculada ao Ministério da Educação.

A educação é um fenómeno global e segundo o “Gestaltismo” o homem é um todo, uno e indivisível. Por isso não existe uma educação do “corpo”, outra do “espírito” e outra da “alma”, o que existe é tão-só “educação”.

E assim sendo, não compreendemos como o poder político ignora tal facto, ou parece ignorar, já que afirma publicamente, a sua grande preocupação com a formação da juventude.

O poder político tem de se preocupar com a sua “eficácia”, pois é a partir dela, ou em resultado dela, que se pode legitimar a sua continuidade na governação da grei.

Ler mais em DN online.

«Os licenciados e as profissões do desporto» pelo professor António Vicente

Quarta-feira, Novembro 25th, 2009

O professor António Vicente publicou no blogue Artigos de Opinião DespUBI, um artigo relacionado com a profissão de professor do ensino secundário na área do desporto e a publicação do diploma legal que estabelece o regime de acesso e exercício da actividade de treinador de desporto.

 

Os licenciados e as profissões do desporto

Actualmente existem em Portugal 25 cursos no Ensino Superior Público que formam Licenciados na área do Desporto. Desses, 9 são no ensino Universitário (em 7 instituições diferentes) e 16 são no ensino Politécnico (em 12 instituições diferentes).

Temos assim, e só no Ensino Superior Público, um total de 1075 vagas (todas preenchidas este ano lectivo mais uma vez, refira-se) para formar licenciados na área do Desporto (naturalmente prescindimos a referência aos dados do Ensino Superior Privado o que acrescentaria, julgamos, mais algumas centenas de vagas na área).

Em 30 de Março de 2009 entrou em vigor o Decreto-Lei nº 248-A/2008, de 31 de Dezembro, que estabelece o “regime de acesso e exercício da actividade de treinador de desporto”. Este diploma veio regular o acesso à profissão de treinador de desporto dispondo, de uma forma simplificada, que só pode exercer a referida profissão quem possuir uma “cédula de treinador de desporto” cuja obtenção passa a estar dependente do Instituto do Desporto de Portugal, sendo estas reguladas pelas Federações desportivas.

Tal significa que, para se poder ser treinador no desporto é necessária uma cédula que depende essencialmente das Federações desportivas, e serão estas a decidir que formações dadas nos cursos superiores permitirão ter equivalência à mesma (aos níveis iniciais, é claro). Estamos assim numa situação onde a experiência desportiva ou umas poucas dezenas de horas de “formação” resultarão numa qualificação superior a um licenciado que trabalhou e estudou mais de 4500 horas na respectiva área.

Este é apenas um exemplo mas poderíamos referir muitos outros na área do Desporto (como os ginásios, as autarquias, o turismo, a fisioterapia, a reabilitação, etc.) em como as licenciaturas em Desporto foram ultrapassadas. Deixaram-se ultrapassar por outras áreas que ocuparam um espaço deixado vago pelos especialistas em Desporto (ou supostos especialistas) ou ficaram até reféns de outras áreas e interesses.

Se não havia grande problema (ou assim se julgava) enquanto existiam muitas profissões da área e muitas vagas que podiam albergar as centenas de licenciados que todos os anos eram formados em Desporto no Ensino Superior, actualmente as implicações têm muito mais impacto.

Ser professor no Ensino da Básico e/ou Secundário é já praticamente impossível e assim continuará, previsivelmente, nos próximos anos (vão ainda existindo algumas vagas nas AEC’s no 1º Ciclo mas por pouco tempo…). No treino agora já não podem entrar, ou então ficam como auxiliares do “treinador à séria”. Na “animação desportiva” não são bem-vindos. Na fisioterapia ou reabilitação há anos que já nem se atrevem a tentar. As alternativas nos últimos anos estavam assim limitadas aos ginásios e clubes desportivos locais, mas sempre trabalhos muito mal remunerados (isto caso fossem remunerados…).
Estamos assim numa situação em que o desemprego dos licenciados em Desporto começa a aumentar significativamente e, pelo contrário, as ofertas na área continuam escassas ou inexistentes.

Este é, assim, um momento de crise em que é preciso agir, em que urge tomar decisões que mudem o rumo desta tendência. Fazer alguma coisa passa, certamente, por actuar ao nível da legislação. Mas passa também e fortemente por definirmos as competências de um licenciado, o conhecimento que deve dominar, as capacidades que deverá ter e, sobretudo, exercer. A mudança, se vamos de facto fazê-la, será feita já sobre uma crise existente. É como fazer a manutenção do navio quando a tempestade já estalou, não é claro a melhor altura, mas antes de irmos ao fundo ainda haverá possibilidades. Há mais de vinte anos que os avisos abundam, mas caíram, como se vê, em saco roto.

Mas também é possível continuar “na desportiva”, sem fazer nada, à espera do “milagre salvador”. Não nos podemos, é esquecer que não fazer nada é uma decisão como outra qualquer, também com consequências e implicações.

Covilhã, 22 de Novembro de 2009

António Vicente

Nota: Os dados apresentados são referentes ao ano lectivo em curso (2009/2010) e estão disponíveis em www.dges.mctes.pt/DGES/pt

«E o campeão é…», artigo de José Manuel Meirim no Público

Quinta-feira, Novembro 12th, 2009

Embora ligeiramente atrasado, divulgo, o artigo que o Prof. José Manuel Meirim, publicou no Público, no passado domingo.

O artigo desta semana versa sobre o futebol, mas a sua real importância reside no facto de se falar de direito no futebol. Claro está que se está a falar do Conselho de Justiça.

O primeiro parágrafo, no entanto, tem uma importância extraordinária. Constitui mais um manifesto contra os tiranetes que se passeiam pelos poderes instituídos. Como dizia o outro, «vocês sabem do que eu estou a falar».

 

1. Este espaço é um exercício de liberdade de expressão. Por isso quem escreve sofre as devidas (?) consequências, e em particular encontra-se sujeito às represálias dos poderes instituídos. Mas a liberdade de expressão envolve ainda danos pessoais. Auto censura-se quem, em nome da amizade, do «conhecimento», ou de outras razões, cala aquilo que, em outras ocasiões, com outros protagonistas, sempre diria. Há que dizer o que tem que ser dito.

2. A semana «futebolística» viu-se abalada com a decisão do Conselho de Justiça (CJ) relativa ao jogo de juniores, entre o Sporting e o Benfica, decisivo para a atribuição do título de campeão nacional da época passada. Foram proferidas declarações eivadas de contra-informação, num primeiro momento, em particular, pelo Benfica. Era claro que a decisão do Acórdão do CJ só tinha uma leitura possível: a atribuição do título ao Sporting.
3. É uma muito má decisão.

Mas deixemos o nefasto folclore que sempre rodeia estas matérias e vejamos a decisão do CJ, destacando o possível.

O CJ não “gostou” de decidir. Tal é patente nas observações iniciais. Critica a acção policial e a própria Direcção da FPF. Que chatice a força policial não ter agido como devia. Que grande chatice não ter a FPF instado os clubes a repetir o jogo, impedindo que um campeonato fosse decidido na “secretaria”. Com base em que norma, sem atropelo do Regulamento Disciplinar, o poderia ter feito?

Como é possível o CJ ver a sua decisão como um acto de “secretaria”? Não lhe cabe repor a legalidade e impedir que os campeonatos não se ganhem «no terreno» violando as normas?

4. Um sério e bem preocupante erro é a afirmação de que nos encontramos no domínio da responsabilidade objectiva dos clubes, isto é, em breve, não se aplicam os princípios do direito sancionatório público, como o princípio da culpa: ninguém pode ser punido sem ter culpa.

Para o CJ a responsabilidade decorre do risco próprio inerente ao exercício da actividade desportiva. Tipo instalação de gás?

Ora, o Tribunal Constitucional em 1995 (!) firmou o princípio da culpa no domínio da violência dos adeptos quando reportado aos clubes de que são seguidores. Os clubes têm deveres, desde logo o de vigilância, mas ainda o da promoção, junto dos seus adeptos, dos valores da ética desportiva. E isso perdura na lei portuguesa. Mas se o CJ não gosta desta doutrina e lê na lei e nos regulamentos uma responsabilidade objectiva, só lhe resta um caminho, o qual tem sido seguido pelos tribunais franceses e italianos: não aplicar normas que são inconstitucionais e ilegais por violarem esses princípios.

O CJ não existe para aplicar cegamente os regulamentos federativos, mas antes o Direito.

5. Por último, e aqui confessamos que estamos a ir um pouco além do que devíamos (pois todos nós não conhecemos os elementos de prova), uma palavra sobre os factos dados como provados no CJ: quando os adeptos do Benfica passaram por trás de uma das bancadas onde estavam adeptos do Sporting voltaram a acontecer situações de insultos e os primeiros apedrejamentos simultâneos entre adeptos. Ora isto foi antes ou depois da fuga – legítima – para o relvado das pessoas que se encontravam na bancada? Se foi antes faz toda a diferença, pois o CJ entende que foram apedrejamentos simultâneos.Infelizmente (palavras do próprio), os regulamentos obrigavam à instauração de um processo disciplinar no âmbito do qual competia, em exclusivo, aos órgãos jurisdicionais a decisão de mandar ou não repetir a partida (outro chateado com os próprios regulamentos, mas pelo menos, ao contrário do CJ, parece que os conhece).

6. O título deve ser atribuído ex aequo e há dois campeões: o CJ e o Presidente da FPF.

Este, no passado dia 2 (devia estar em Lisboa) fez uma declaração à nação do futebol. Diz ele que quando ocorreu a «coisa» estava fora do país defendendo, no entanto, que se mandasse imediatamente repetir ou continuar o jogo a partir do momento da interrupção. 

“Mais uma vez, uma tomada de decisão célere da FPF, defendida por mim e outras pessoas, esbarrou nos velhos problemas do futebol português. (…) Como se sabe (…) a Direcção que lidero apresentou uma proposta de novos estatutos (…) que poderia abrir caminho a algumas soluções, nomeadamente reforçando os poderes do executivo para tomar medidas céleres e adequadas a várias situações (…)”.

Traduzindo: tivesse eu poder absoluto e isto não tinha chegado ao que chegou, sendo certo que embora esteja consciente dos “velhos problemas” convivo com eles há muito tempo. É uma chatice, ainda por cima quando temos que respeitar normas. É tudo uma enorme chatice. O futebol está cheio de masoquistas. 

Mais palavras para quê?

O Prof. Meirim não podia ser mais claro. Como se vê um artigo sobre o futebol em que personagens principais são o Presidente e o Conselho de Justiça da FPF.

O desporto no seu melhor! 

«O sistema desportivo nacional – dir-se-ia mesmo o país – não tem uma boa relação com a lei» (José Manuel Meirim)

Quarta-feira, Novembro 4th, 2009

O Prof. José Manuel Meirim escreveu no Colectividade Desportiva, mais um artigo de opinião sobre o cumprimento das disposições legais, batalha pessoal que venho travando desde há vários meses a esta parte. 

O artigo é simplesmente excelente e mais uma vez devia merecer a atenção de todos aqueles que defendem a legalidade e a verdade no xadrez como no desporto em geral. Estes e todos os outros!

Num momento em que se intensificam críticas e ataques a quem pugna pela transparência, pela democraticidade e pela legalidade no xadrez e no desporto, este artigo vem demonstrar quanto as minhas acções não são actos isolados e têm apoios naqueles em que as palavras não são apenas figuras de retórica.

 

«É chegado o tempo do incumprimento»!

 

 Depois de uma leva legislativa – foi sempre assim no passado como que se afirmando uma norma desse sentido – segue-se inevitavelmente, neste infeliz país, uma situação de incumprimento das novas normas.

O sistema desportivo nacional – dir-se-ia mesmo o país – não tem uma boa relação com a lei.
A regra vai ser, pois, não temos dúvidas, não respeitar e incumprir as leis que se aprovaram.
Neste domínio do incumprimento até é possível, à semelhança de outras experiências, estabelecer uma lista dos principais incumpridores.

E, não se pasme – ninguém já se choca com a afirmação – o principal incumpridor, vai ser o Estado.

Dezenas e dezenas de novas normas passaram a polvilhar o tecido desportivo, do sector federado a outros sectores, e os operadores privados, sejam federações desportivas ou outras entidades, vão jogar com esse notável curriculum público de incumprimento legal.
Vai funcionar muito o telefone móvel e as conversas de circunstância, as contrapartidas de apoio aos poderes instituídos e os fluxos financeiros públicos imprescindíveis à vivências das organizações desportivas privadas.

O amiguismo, o clientelismo, as lojas, as seitas, os corredores, o medo de represálias, o interesse do partido, as vaidades pessoais, vão desempenhar o papel de «fortes argumentos jurídicos». 

As relações jurídicas vão ser – sempre foram – substituídas por perniciosas relações pessoais.
Para nós, resta-nos auxiliar, dentro das nossas capacidades, aqueles que acabarão inevitavelmente por serem vítimas deste estado de coisas.

«O que diz um Velho do Restelo», artigo de José Manuel Meirim

Segunda-feira, Outubro 26th, 2009

O Prof. Dr. José Manuel Meirim, publicou ontem, em Colectividade Desportiva, o artigo seguinte. Permito-me chamar à atenção para a subtileza dos comentários apresentados. Um excelente exercício de escrita e de crítica. Apreciem.

Em tempos de implosões e na ausência de cegos anónimos militantes que aguardam a renovação da legitimidade eleitoral e carreirista, seja-nos permitido espreitar a oportunidade para avivar a memória da coerência, sempre presente, de Laurentino Dias.

Ninguém se esquecerá – ou muitos já não se lembram – da suprema indignação desse membro do Governo responsável (?) pelo desporto, aquando da acção de propaganda que teve lugar a 13 de Agosto passado, um dia antes do prazo que lhe concedi.

Fingindo conscientemente que estava disposto a fazer cumprir a lei – no que respeita à reforma estatutária das federações desportivas imposta pelo novo regime jurídico das federações desportivas e do estatuto de utilidade pública desportiva – Laurentino Dias olhava para a Federação Portuguesa de Futebol e via uma entidade que vivia à margem da lei e da modernidade. E teimosa: «Estas federações [onde se inclua a de futebol] não entenderam a necessidade e potencialidade dos novos estatutos, mas vão ter que entender.»

E parece que se abriu um inquérito tendente a aplicar uma qualquer medida sancionatória.

Dois meses depois, Laurentino Dias, à custa do erário público, directo – pelas verbas do orçamento – ou indirecto – por convite da Federação Portuguesa de Futebol – lá foi à Suíça, prazenteiro, como sempre em matéria de viagens à volta do Mundo – são as vantagens do desporto ser um fenómeno global – dar o seu aval a um projecto de uma federação que, segundo o próprio, pratica ilegalidades, antiquada e teimosa.

Coisa de menos, o que é preciso é trazer chocolates e queijo para a família (quiçá uma bola de futebol ortografada por alguém). Isso sim, é o que se leva da vida. 

«Os Princípios do Manifesto Eleitoral», uma explicação didáctida por Carlos Sirgado

Quarta-feira, Outubro 21st, 2009

Carlos Sirgado, membro do Projecto Gâmbito e primeiro candidato pela Lista A dos praticantes a Delegados à Assembleia Geral da FPX publicou no blogue do Projecto Gâmbito o texto Os Princípios do Manifesto Eleitoral.

A importância do artigo reside no facto de  explicar didacticamente cada uma das palavras chave dos princípios do Manifesto Eleitoral apresentado. Em jeito de síntese, o autor termina da forma seguinte

Carlos SirgadoPoderão questionar os entendidos e os não entendidos nestas matérias, “O que é que isto traz de novo que eu não soubesse já?” Obviamente que estes princípios não trazem nada de novo. Qualquer um os pode chamar a si e proclamá-los. Mas, tendo em conta as múltiplas ocorrências dos últimos anos na modalidade, considerámos que, dar a garantia aos praticantes que vamos defender intransigentemente estes princípios na AG da FPX seria o nosso melhor comprometimento para com aqueles queiram dar voz à Lista A.

O nosso compromisso não será só com os praticantes, será também com a legalidade e a verdade no Xadrez.

«A unidade de esforços», uma reflexão sobre o Projecto Gâmbito

Terça-feira, Outubro 20th, 2009

Publiquei no blogue do Projecto Gâmbito mais um texto A unidade de esforços, integrado num conjunto de Reflexões Pré-Eleitorais.

Excerto final do artigo

Pretendemos o debate livre e elevado, sério e honesto, rigoroso e verdadeiro, dentro e fora da Assembleia Geral da FPX. Com todos os que nos quiserem acompanhar.

Não estamos mancomunados contra ninguém, mas unidos em defesa de um projecto em que acreditamos ainda ser possível estar no xadrez – no respeito pelos regulamentos e pela verdade desportiva.

«Como tudo começou», uma reflexão sobre o Projecto Gâmbito

Segunda-feira, Outubro 19th, 2009

Publiquei no blogue do Projecto Gâmbito um texto Como tudo começou, integrado num conjunto de Reflexões Pré-Eleitorais.

Excerto final do artigo

Se havia um momento de afirmar publicamente a nossa discordância com o rumo que o xadrez nacional tem trazido era este. Apresentar-se a jogo e não apenas no exercício de crítica, por mais legítima, verdadeira e séria que fosse.

Assim nasceu o Projecto Gambito, um grupo de discussão para a elaboração de um projecto alternativo para o xadrez nacional, aberto e disponível a todos que estejam disponíveis para dialogar e agir.

«Vaclav Klaus com o futuro da Europa nas suas mãos» (Diário Económico)

Sábado, Outubro 17th, 2009

Pode um peão sobreviver isolado num jogo de Xadrez?  

Depois de oito anos de debate, a elite política dos 27 arrancou a ferros a aprovação do Tratado de Lisboa a todas as instâncias democráticas nacionais, superando ventos e tempestades (três referendos negativos), para agora travar diante de um homem, que se recusa a assinar o documento.

Podia ser a história de um herói mas em Bruxelas, Vaclav Klaus, o presidente checo, é visto como o vilão, um déspota que se interpõe contra a vontade dos seus pares e mesmo do seu Parlamento.

Lido na edição impressa do Diário Económico.

(E, quando um peão está na 8ª casa, continua a ser peão?)

«À atenção do associativismo desportivo», artigo de Fernando Tenreiro

Sexta-feira, Outubro 16th, 2009

PúblicoDivulgo um excelente artigo de Fernando Tenreiro publicado no jornal Público e também em Colectividade Desportiva.

A notícia da fusão das confederações patronais AEP, AIP e CIP como primeiras subscritoras deveria fazer pensar ao COP e à CDP se a razão das primeiras não será mais útil ao desporto.

As instituições empresariais irão “ser uma estrutura empresarial na qual venham a estar representados todos os sectores de actividade económica de todas as regiões do país”. A novel Confederação Empresarial Portuguesa receberá as competências e atribuições actualmente exercidas pela AEP e AIP na área institucional, sendo também implementadas novas funções, entre as quais se destacam a “representação de todas as actividades confederadas” junto das outras instituições, a “intervenção em negociações colectivas de trabalho e em convenções colectivas”, a participação “na preparação de reformas junto do Governo e de outros parceiros económicos e sociais” e a participação em organizações congéneres nacionais ou internacionais.

Esta estrutura e funções deveriam pôr a tocar todas campainhas do associativismo desportivo português.

Já o disse na Academia Olímpica que o COP deveria liderar o associativismo desportivo. Disse-o, acautelando em primeiro lugar que não era candidatado a nenhum lugar ou cargo no COP.

As federações devem compreender que sem uma instituição líder não têm uma imagem que as represente e capte os recursos necessários ao desenvolvimento.

O que está em causa é se dentro de vinte anos conseguimos dar desporto a mais de 50% da população como fazem os países europeus com maior bem-estar.

As instituições do desporto têm estado desfocadas destes objectivos maiores e accionaram o lóbi dos Jogos Olímpicos em Lisboa com prazo e dinheiros ilimitados. Esta fuga para a frente significa que o fracasso de Pequim fez o seu caminho.

Verificando a incapacidade do COP de conquistar medalhas olímpicas, eliminando qualquer veleidade de atribuição pelo COI dos JO, voltam-se para a candidatura à organização para falhar porque “concorrendo já se ganha”. O lóbi dos Jogos Olímpicos de Lisboa também fala de estudos económicos. Isto para quem nunca se deu ao trabalho de os utilizar tem o objectivo simples de encomendar a quem diga que sim senhor, dar uns milhões para perder é excelente para o país, e para os atletas que até não têm de competir.

As federações devem evitar estes maniqueísmos que não servem o desporto e são eticamente reprováveis. Esta proposta não é séria.

As federações devem eleger o seu responsável máximo, de entre os melhores que se candidatarem, definir o seu objecto maior e consensualizá-lo com a sociedade e exigir ser financiadas para um programa de longo prazo de desporto sem as políticas habituais que transformaram o desporto português no mais pequeno da Europa.

São precisos estudos sobre o programa realizar sobre o associativismo, sobre a gestão dos projectos desportivos em geral e dos olímpicos em particular, possivelmente, das inúmeras áreas técnicas da prática de alto rendimento, assim como, apurar o que de essencial tem o desporto português e o lançamento de investimento para as escolas de modalidade com investigadores, laboratórios, publicações científicas portuguesas de primeira água e técnicos nas instituições desportivas que saibam o que é preparar a feitura de uma lei, lançá-la, acompanhar a sua aplicação e ter a capacidade de analisar os resultados do seu impacto nos agentes privados e na produção desportiva, por fim, reiniciando o processo.

A situação actual é iníqua e eticamente reprovável para as gerações do passado, actuais e as do futuro que poderiam beneficiar mais do consumo desportivo, e para os seus profissionais e instituições novas oportunidades floresceriam.

O Professor Carlos Cardoso e o Comandante Vicente Moura deveriam ser capazes de constituir alternativas de futuro e resolver tantos problemas que são verdadeiramente importantes como a produção de quantidade e qualidade da prática desportiva em taxas de crescimento dos praticantes federados superiores a 6% ao ano. Aglutinar a Confederação e Comité Olímpico foi um objectivo longe destes líderes no passado. Ou talvez das federações.

Todos eliminam a hipótese de ficarem na história do desporto português com um acto que os empresários resolveram concretizar, também depois de tanto tempo.

Certamente que as associações patonais se asseguraram junto do Governo e dos principais partidos da viabilidade e benefício deste projecto. Como empresários devem ter feito as suas contas… A decisão não surge apenas da iniciativa dos privados mas justifica o consenso público e a promoção junto da sociedade como se observo no anúncio público, ontem, 15 de Outubro.

Chasing the king of chess, by Peter Nicholas in Los Angeles Times

Quarta-feira, Setembro 23rd, 2009

What made Bobby Fischer so brilliant yet so bizarre? Could the truth about his father unlock the puzzle?

By Peter Nicholas, in Los Angeles Times.

Like a lot of kids in the summer of 1972, I was riveted by a strange spectacle unfolding in Iceland: a chess match between Soviet grandmaster Boris Spassky and Bobby Fischer, the mercurial young American.

The games weren’t televised — Fischer permitted no cameras — so chess experts replayed the moves on public television using oversize boards. Through long summer days, I puzzled over poisoned pawns and bishop pairs as Fischer, after nearly walking out on the match, crushed the Russian champion.

Through solitary study and determination, Fischer had toppled a Soviet chess establishment that had every advantage: better coaching, state stipends, access to the latest games and opening theory.

I got caught up in the chess mania that swept the country after Fischer’s victory. The craze quickly faded, but my fascination with Bobby never did.

Read more.

«Contas com leis», por José Manuel Meirim

Quarta-feira, Setembro 16th, 2009

Anónimo a cavalo de um texto sobre as claques – sobre o qual nada diz, embora aí se afirmasse algo sobre uma novel solução legislativa – ofereceu-nos um entusiástico balanço da iniciativa legislativa do XVII Governo Constitucional. E o fervor é tanto que é legítimo suspeitar que o anónimo se trata, a final, do próprio membro do Governo ou de algum dos seus porta-vozes.

O anonimato começa por nos dar conta da «parte desportiva» do Conselho de Ministros do passado dia 5 de Agosto.

Nessa reunião, o Conselho de Ministros aprovou os seguintes diplomas:

a) Decreto-Lei que estabelece as medidas específicas de apoio ao desenvolvimento do desporto de alto rendimento;

b) Decreto-Lei que estabelece a responsabilidade técnica pelas actividades físicas e desportivas desenvolvidas nas instalações desportivas;

c) Decreto-Lei que estabelece o regime jurídico dos contratos-programa de desenvolvimento desportivo.

Depois da notícia, assim fala (?) o anonimato:

“Assim, quase seja ao fim, em 4 anos apenas, a maior e mais profunda reforma legislativa no sector do Desporto na história da democracia portuguesa.
De um lado, a propaganda e o ataque pessoal. Do outro lado, os resultados e a obra efectivamente feita.

À vista de todos sem embustes mediáticos, nem montagens televisivas, ou bloguistas.
Digam lá, ò doutos de vocês da Colectividade, no fundo da vossa consciência, se o truque político das «oposições» não foi tentar esconder do Povo estes resultados, e esta capacidade de realizar, com os insultos e os ataques pessoais?

A sério?”

Colocando de parte o que só interessa ao anonimato, centremo-nos, serenamente, no destaque que efectuámos, para a seu propósito tecermos algumas considerações.
Olhando, por ora, somente a quantidade, quanto errado está o anónimo.
Caso me esqueça de alguma medida legislativa, estou certo que o anonimato me corrigirá.

Assim temos:

1. Lei nº 5/2007, de 16 de Janeiro (Lei de Bases da Actividade Física e do Desporto), a qual determinava, no seu artigo 51º, que a sua regulamentação, nas matérias que não sejam reserva da Assembleia da República, deve ser objecto de regulamentação, por decreto-lei, no prazo de 180 dias;

2. Decreto n.º 4-A/2007, de 20 de Março, que aprova a Convenção Internacional contra a Dopagem no Desporto;

3. Decreto-Lei nº 169/2007, de 3 de Maio, que cria o Instituo do Desporto de Portugal, acompanhado de duas declarações de rectificação do seu texto – uma publicada em 15 de Junho e outra a 2 de Julho – existindo, assim, por via delas, no espaço de dois meses, três regimes de exercício de funções para os dirigentes do IDP;

4. A Portaria nº 662/2007, de 31 de Maio, procedeu à aprovação dos Estatutos do IDP, todavia, um ano depois, a Portaria nº 573/2008, alterou tais estatutos dado que a “experiência entretanto colhida demonstrou que a estrutura interna dos serviços centrais carece, ainda, de pequenos ajustamentos que visam garantir uma melhor adequação desta estrutura à prossecução da missão e atribuições do IDP, I. P.”;

5. Decreto-Lei n.º 315/2007, de 18 de Setembro, que veio estabelecer as competências, composição e funcionamento do Conselho Nacional do Desporto; o seu texto viu-se rectificado em 26 de Outubro e já em 2009 foi objecto de alteração por via do Decreto-Lei n.º 1/2009, de 5 de Janeiro;

6. A Lei n.º 50/2007, de 31 de Agosto, veio estabelecer um novo regime de responsabilidade penal por comportamentos susceptíveis de afectar a verdade, a lealdade e a correcção da competição e do seu resultado na actividade desportiva;

7. O Decreto-Lei n.º 248-A/2008, de 31 de Dezembro, ocupa-se da actividade de treinador de desporto;

8. O Decreto-Lei n.º 248-B/2008, de 31 de Dezembro, estabelece o regime jurídico das federações desportivas e as condições de atribuição do estatuto de utilidade pública desportiva;

9. O Decreto-Lei n.º 10/2009, de 12 de Janeiro, estabelece o regime jurídico do seguro desportivo obrigatório;

10. O Decreto-Lei n.º 141/2009, de 16 de Junho, estabelece o regime jurídico das instalações desportivas de uso público;

11. A Lei n.º 27/2009, de 19 de Junho, estabelece o regime jurídico da luta contra a dopagem no desporto, diploma já rectificado a 4 de Agosto;

12. A Lei n.º 39/2009, de 30 de Julho, estabelece o regime jurídico do combate à violência, ao racismo, à xenofobia e à intolerância nos espectáculos desportivos, de forma a possibilitar a realização dos mesmos com segurança.

De boa vontade aditamos os três que anunciou.

Ora, a “marca alcançada” parece-nos ficar bem atrás da obtida pelo XIII Governo Constitucional, liderado por António Guterres, não havendo legitimidade, assim se crê, para homologar o record pretendido.

Eis alguns dados da “maior e mais profunda reforma legislativa no sector do Desporto na história da democracia portuguesa”:

1996 – Reforma da Lei de Bases do Sistema Desportivo, criação do Gabinete Coordenador do Desporto de Escolar, alteração do diploma sobre o apoio à alta competição;

1997 – Diploma sobre a prevenção e combate à dopagem, regime de segurança social especial para o basquetebol (algo agora nunca alcançado para o andebol, em manifesta violação do princípio da igualdade), portaria sobre o regime de alta competição, diploma sobre os clubes de praticantes, diploma sobre as associações promotoras do desporto, regime jurídico das sociedades anónimas desportivas, regime fiscal das sociedades anónimas desportivas, alteração do regime jurídico das federações desportivas, diploma sobre a instalação e funcionamento das instalações desportivas de uso público, criação de três institutos públicos na área do desporto (IND, CAAD e CEFD), criação do Conselho Superior do Desporto;

1998 – Lei sobre a violência no desporto, lei do contrato de trabalho desportivo e do contrato de formação desportiva, portaria sobre a livre entrada nos recintos desportivos, três portarias relacionadas com o regime da alta competição e plano oficial de contabilidade para as federações desportivas, associações e agrupamentos de clubes;

1999 – Diploma sobre o enquadramento da formação desportiva, decreto-lei sobre medicina desportiva, estatuto do mecenato, decreto-lei sobre o regime de responsabilidade técnica nas instalações desportivas, qualificação das competições desportivas profissionais e regime disciplinar das federações desportivas.

E, na actualidade, o vento soprou a favor, pois não havia, na altura, maioria absoluta.

Mais. O resultado agora obtido não foi em 4 anos apenas.

A primeira reunião do Conselho de Ministros do XVII Governo Constitucional teve lugar a 17 de Março de 2005 e, como é público e notório, esta legislatura viu-se alongada no tempo para além dos quatro anos.

Ao invés, o XIII Governo Constitucional (1995-1999) tomou posse a 28 de Outubro de 1995 e a 25 de Outubro de 1999 tomava posse o XIV.

Aqui sim, apenas quatro anos.

Eis o exercício quantitativo. Pela extensão, as desculpas. Mas sempre fica um registo.
Voltaremos para outros.

José Manuel Meirim em Colectividade Desportiva.

O desporto nos programas partidários para as Legislativas 2009

Quinta-feira, Setembro 10th, 2009

José Manuel Constantino escreveu em Colectividade Desportiva um texto sobre as ideias que os partidos representados no Assembleia da República apresentam nos seus programas para as Eleições Legislativas 2009.

A desvalorização dos programas eleitorais é a desvalorização da política. É o empobrecimento da democracia. É a cedência ao espectáculo mediático. É a submissão à parafernália de meios de encenação e de dramaturgia comunicacional. É a subordinação das escolhas politicas a opções sobre pessoas, carismas e idiossincrasias pessoais.

É-me indiferente se as pessoas lêem ou não os programas eleitorais. Menos ainda se as suas opções eleitorais decorrem do que cada força politica apresenta como programa. Mas um programa eleitoral é uma obrigação e um compromisso. Sela um contrato entre quem propõe e quem apoia. E se quem apoia o faz por outras razões que não as programáticas está no seu direito. Mas assina um cheque em branco.

Quem se dispõe a governar um país não pode deixar de apresentar as suas ideias e projectos para os diferentes sectores da governação. Se o não faz é porque não sabe ou porque desvaloriza essa realidade. Não é um ritual que se cumpre porque seria escandaloso não o fazer. Ou que se faz por fazer porque se percebe que não é por aí que o poder se conquista. Um programa eleitoral é um marcador de seriedade política.

Todo este arrazoado para entrar no essencial: as politicas propostas às próximas eleições legislativas no que respeita ao desporto. E não tanto para avaliar do mérito ou demérito das propostas, mas para perceber como é politicamente “pensado” o “país desportivo”.

O que encontramos é diverso. Nuns casos pura e simplesmente não é “pensado”. Assim se passa com o CDS/PP e  com o  BE. À extrema da direita e da esquerda o desporto não conta. Pelo menos não encontrámos qualquer referência programática ao desporto.

O PCP, um partido com experiência e responsabilidades no sector e que dispõe de quadros qualificados, opta por uma versão minimalista com breves linhas de referência e um conjunto de lugares comuns. Surpreende que tudo quanto consiga dizer em relação ao futuro seja tão pouco.

O PS e o PSD têm desenvolvimentos mais significativos designadamente o PS cujo enunciação exaustiva se aproxima de um programa de governo.

O programa do PS acentua e desenvolve a matriz que nos seus traços essenciais desenvolveu em onze dos últimos catorze anos. Com singularidades distintas, é certo, mas mais devidas aos titulares da governação que à substância das propostas. O modelo é o mesmo, reservando ao Estado um papel regulador e interventor e tocando a generalidade dos tópicos que têm constituído a sua agenda politica.

A proposta do PSD é um conjunto de princípios gerais cuja tradução politica se ignora o que seja, se é que existe algum conhecimento político que saiba traduzir os princípios enunciados, designadamente quanto ao papel do Estado.

A conclusão é relativamente simples: o PS diz o que quer e expõe-o de forma clara. O PSD limita-se a trabalhos mínimos não se percebendo se tem, se quer ou se sabe ser alternativa. O PCP reconhece-se em vulgaridades. E os outros têm mais que fazer.

As propostas reflectem a legislatura: hegemonia do governo (PS); ausência de oposição.
Pobre desporto que tão pouco engenho requer.

E.T. No Programa do PS lá está, uma vez mais, o “desporto para todos” que, por aqui, tinha sido, surpreendentemente, dado como extinto. Afinal a informação era falsa ou a fonte não era fidedigna. Vai dar ao mesmo.

Sei que a análise de JM Constantino é caseira, mas nem por isso deixa de ser necessário conhecer “a visão” que tem sobre esta matéria.

A sua conclusão, é pessoal, de que continue tudo como está se o partido do governo renovar o seu contrato eleitoral com os portugueses. Ah, e já agora não se esqueça de incluir o secretário do desporto no elenco. A(lguma)s federações desportivas agradecem.

A não ser que o partido da oposição mude para que tudo se mantenha para que a(lguma)s federações desportivas fiquem contentes.

Assim vai o desporto (e os programas partidários) na nossa terra.

«A Metáfora Política das Organizações Desportivas», por José Pinto Correia

Sexta-feira, Setembro 4th, 2009

Há algum tempo atrás publiquei um texto, relativamente extenso, no Forum Olímpico de Portugal que explicava as organizações federadas do desporto português como decorrentes do que denominei de A Metáfora Política das Organizações Desportivas.

Passo aqui a apresentar um pequeno excerto inicial desse texto que, porventura, poderá ajudar a compreender o que nos relata a Maria José Carvalho e que sabemos se tem repetido em outras modalidades desportivas.

Assim passo a citar:

«Em Portugal predomina largamente no discurso mais aprofundado teoricamente ou no discurso corrente do homem comum a “metáfora política das organizações desportivas».

É através desta metáfora e dos seus ingredientes fundamentais que se discorre sobre os problemas de funcionamento, as estratégias ou falta delas, os mecanismos de poder, a representação das estruturas organizacionais e outros temas das organizações do nosso sistema desportivo federado.

Então de que se compõe essencialmente esta visão metafórica e que implicações origina para o entendimento do funcionamento das referidas organizações desportivas? Porque apresenta ela tanta vigência e importância explicativa no discurso sobre a estruturação e funcionamento das organizações do desporto entre nós? E quais as consequências para o nível da governação desportiva em Portugal?

Desde logo assumem papel destacado nesta compreensão metafórica política das organizações desportivas os aspectos relativos ao poder e ao conflito, suas formas, intérpretes principais e manifestações, perdendo valor os aspectos mais formais e programados da vida organizacional.

A racionalidade, traduzida na possibilidade de previsão de decisões e comportamentos dos actores e das estruturas, perde fulgor interpretativo da vida organizacional. O consenso e a integração que a perspectiva funcionalista premeia também são desvalorizados em favor de uma imprevisibilidade e conflitualidade dos actores sócio-organizacionais.

Passam a ter mais importância as coligações de vontades e de pessoas no interior das organizações, muitas vezes sendo alternativas umas em relação a outras. Formam-se internamente centros de poder, legitimando interesses agrupados em volta de líderes situacionais, que disputam entre si as legitimidades, a influência e a capacidade de determinarem os caminhos da organização.

O conflito passa a estar, por conseguinte, no centro da compreensão do funcionamento da organização. E a clarificação da evolução da organização depende dos vários conflitos intra-organizacionais, da estruturação e desestruturação que eles implicam, das vontades vencedoras e da sua capacidade de mobilizarem recursos e promoverem decisões eficazes.

Nestas “organizações politizadas” há perdas de eficiência flagrantes que decorrem do pequeno grau de formalização e programação que nelas existe e da tendência para se afirmarem lógicas de decisão e acção menos reguladas e estritamente definidas.

As “zonas de incerteza” são, por isso, evidentes e nelas emergem os “jogos de poder e de influência” liderados por actores sociais internos que procuram afirmar-se e reforçar os seus poderes respectivos. As alianças e as relações de coligação e de antagonismo crescem internamente.

A estratégia joga-se quase exclusivamente no interior destas organizações e não surge da adaptação aos constrangimentos ambientais externos como postula a abordagem sistémica e contingencial. E a organização desportiva transforma-se, assim, numa “arena política” onde se enfrentam interesses diferenciados coligados em núcleos de poder que estruturam objectivos, valores, desejos, expectativas e, sobretudo, vontades e ambições.” (fim de citação).

P. S.: A quem estiver interessado lembro que o site do FOP é em www.forumolimpico.org

José Pinto Correia, Mestre em Gestão do Desporto num comentário a Estória curta e conturbada de Maria José Carvalho, em Colectividade Desportiva.

«Onde pairam os poderes públicos?», por José Manuel Meirim

Segunda-feira, Agosto 24th, 2009

Percorrendo ainda o acidentado trilho da reforma estatutária empreendida pelas federações desportivas, detemo-nos agora sobre a forma desordenada como o Estado olha o exercício de poderes públicos por parte desses entes. Não vamos, neste espaço, mirar os dezasseis anos de quase contínua omissão pública. Situamo-nos apenas no último exemplo – paradigmático – que nos foi oferecido na conferência de imprensa (aqui já abordada) do Secretário de Estado da Juventude e do Desporto, realizada no passado dia 13.

O sistema desportivo federado, todos o sabem, encontra-se escorado de forma que não levanta dúvidas: simplificando, o Estado, mediante o estatuto de utilidade pública desportiva, delega o exercício de poderes públicos nas federações desportivas.

Assim sendo, o Estado tem o poder-dever de fiscalizar, nos termos da lei, parte significativa da actividade dessas organizações desportivas.

E, bem se compreenderá, a sua primeira obrigação – dir-se-ia básica – é saber, com todo o rigor, quem, em seu nome, exerce os «seus poderes».

Da mencionada conferência de imprensa resultou, com suficiente clareza, que o Estado julga que são 60 as federações desportivas que exercem poderes públicos (“51 das 60 federações desportivas responderam positivamente à reforma dos estatutos”).

Contudo, um anónimo veio a este blogue – em comentário(?) ao nosso texto já referido – aditar a Federação Portuguesa de Petanca, a qual, segundo a sua preciosa indicação, também respondeu à chamada do legislador, embora tal conhecimento tivesse chegado após a conferência de imprensa.

Ao que parece, pois, não são 60, como afirmou o Secretário de Estado da Juventude e do Desporto, mas 61.

Porém, na página do Instituto do Desporto de Portugal, consultada no passado dia 20, com alguma dificuldade lá ficamos a saber que são publicitadas, como titulares do estatuto de utilidade pública desportiva, 62 federações desportivas.

A insegurança adensa-se: quem exerce, então, poderes de natureza pública?

60, 61 ou 62 federações desportivas? Ou serão 63?

Aproveitámos a “maratona” e na mesma data consultámos as páginas indicadas pelo IDP.

Somente 25 federações desportivas disponibilizam os seus novos estatutos. Isto é, cerca de metade das 48 (ou 49?) federações desportivas que procederam à revisão estatutária ainda não cumpriram o disposto na lei quanto à publicidade a conferir à sua magna carta.

Merece destaque, pela positiva, a reposta que nos oferece a Federação Portuguesa de Tiro com Armas de Caça.

Não falamos do conteúdo das suas normas estatutárias – que não analisámos -, mas ao cumprimento do artigo 8º do novo regime jurídico das federações desportivas e do estatuto de utilidade pública desportiva.

Com efeito, na sua página, esta federação desportiva confere destaque de assinalar aos dados que tal preceito obriga a publicitar.

Ler o artigo do Prof.  José Manuel Meirim em Colectividade Desportiva.

«Finalmente estudos no desporto, mas mais é preciso!», de José Pinto Correia

Sexta-feira, Agosto 21st, 2009

O Dr. José Pinto Correia, escreveu no seu blogue PortugalMente um extenso mas importante artigo sobre a importância de se fazerem estudos e estatísticas e publicá-los de imediato.

Anunciaram-se na passada semana os primeiros estudos de toda a legislatura sobre o desporto português. O que é espantoso mesmo é a administração pública desportiva finalmente, ao final de toda uma legislatura, fazer estudos e eles não estarem de imediato e gratuitamente, como bem público puro que deveriam ser, na Net, nos sites do Governo ou do IDP.

E isto acontece num Governo que até se ilustra de ser tecnologicamente da linha da frente, o que é no mínimo contraditório ou mesmo lamentável. Assim, neste momento ainda só é possível dispor da débil e muito sintética informação que sobre aqueles estudos foi veiculada pelos media (que não foram os jornais desportivos como se poderia justificadamente supor).

Mas como dizíamos, o Governo e as autoridades da Administração Desportiva não entenderam razoável e eficiente colocar de imediato nos seus sites aqueles estudos públicos, pagos com os dinheiros dos contribuintes nacionais certamente. E dessa forma expedita e não discriminatória colocarem o conhecimento assim produzido ao dispor de toda a comunidade interessada no desporto e na sua evolução e desenvolvimento.
Bastaria a estas autoridades desportivas nacionais que governam o nosso desporto irem ver o que se faz em todos os países que compõem a Grã-Bretanha, onde existe nos sites oficiais das várias organizações governamentais públicas ou para-públicas todo um vastíssimo conjunto de estudos que são feitos em permanência e aí utilizados para darem forma devida, apostada nas evidências reais, às respectivas políticas públicas desportivas.

Mas aí, no Reino Unido, será, penso eu modestamente e sem ser o intérprete mais avisado, outro socialismo mais fiel e em íntima relação à comunidade e aos desportistas e eleitores/contribuintes. Governação também aí mais exigente e rigorosa, mais transparente, mais escrutinada pública e mesmo privadamente, com revelação de maior responsabilidade em prestar contas à sociedade das políticas e dos usos dos dinheiros públicos.

Lembre-se também a este propósito que em Portugal durante os últimos anos o IDP e a Secretaria de Estado não promoveram quaisquer outros estudos sobre as realidades desportivas nacionais.

E eu que até gosto do desporto como área de estudo e de investigação fiquei em branco nesse importantíssimo imperativo de quem governa e administra publicamente o desporto nacional. E pelos vistos vou ainda ter de pagar o livro que editará os estudos agora concluídos, que dizem que será dado à estampa lá para Setembro próximo pelo nosso governo socialista.

Os estudos são indispensáveis, obviamente que sim, mas muitos e permanentemente, incluindo as boas bases estatísticas que permitam ir avaliando temporalmente as diferentes características fundamentais do desporto nacional. É que as boas políticas públicas têm de se fundar nas evidências que a realidade apresenta e apontarem para o futuro, numa perspectiva de melhoria qualitativa e quantitativa.

Ler o artigo completo em  PortugalMente.

O desenvolvimento do desporto em Angola

Sexta-feira, Agosto 21st, 2009

António F. Ribeiro publicou no blogue Clube dos Pensadores um artigo sobre o desenvolvimento do desporto em Angola.

O autor traça um retrato negro da divulgação desportiva naquele país em que a comunicação social e não se preocupa em divulgar competições e  as empresas não se interessam em patrocinar as modalidades praticadas no país, que, por via disso não se desenvolvem.

Na maior parte dos desportos em Angola, nota-se uma ausência da media, nacional e internacional e a ausência dos responsáveis desportivos, gerando-se assim uma fraca divulgação dos desportos e dos atletas.

Nota-se uma total ausência de “PATROCÍNIOS” ou seja, fraco poder económico das Federações desportivas por ausência de patrocínios e de empresas apoiando os diversos desportos.

Qualquer empresa saudável financeiramente, inserida num contexto de desenvolvimento do país, está interessada minimamente em apoiar os desportos desde que estes se apresentem bem organizados, eficientes e eficazes.

Todas as empresas, pequenas e médias, para evoluírem precisam de se inserirem cultural e socialmente nos ambientes aonde estão instaladas pois esse é o melhor caminho para crescerem, numa visão de economia sustentada.

Nota-se uma falta de programação anual das actividades ou campeonatos nacionais e internacionais a serem desenvolvidos pelas Federações.

Se não houver uma programação bem definida e uma organização visivelmente capaz, com certeza a media não será atraída e terá pouco interesse em divulgar essas actividades.

Se a media não participar com bastante empenho na divulgação dos eventos desportivos e dos patrocinadores, com certeza as empresas não estarão interessadas em apoiar financeiramente os eventos devido à ausência de um retorno do investimento feito, marketing, pois é disso que as empresas sobrevivem e podem crescer.

Se houver uma fraca divulgação dos desportos, por mais nobres que sejam, com certeza os prováveis futuros atletas dessas modalidades nunca serão atraídos para as mesmas, gerando-se um fraco desenvolvimento desse desporto devido à ausência de atletas e de competitividade.

Os desportos não podem desenvolver-se no seu máximo potencial sem que os aspectos financeiros sejam cuidados, tanto para os atletas como para os que organizam os eventos.

Além disso, os Clubes e Academias devem desenvolver um especial cuidado com os atletas femininos e com os atletas mais novos.

Seria importante que as Federações, Associações, Clubes e Academias tivessem departamentos femininos e departamentos para os mais novos para cuidar, zelar, desenvolver divulgar, patrocinar estes atletas de modo a que não desanimem e não abandonem estes desportos.

É importante que se cuide bem dos dois géneros, em todas as idades.

Continuamos a ver cada vez mais jovens “largados” nas ruas do descaso quando através dos desportos, muitos deles encontrariam um rumo melhor para suas vidas, longe das drogas e da delinquência.

Ler o artigo completo no blogue Clube dos Pensadores.

De onde vem a inteligência, artigo de Nelson Marques no Expresso online

Quarta-feira, Agosto 19th, 2009

O Expresso disponibilizou hoje online o artigo que publicou este fim de semana De onde vem a inteligência, do jornalista Nelson Marques.

Com contributos de cientistas, como Helson S. Lima (neuropsicólogo), Leandro Almeida (psicólogo), Hamilton Correia (biólogo) e Mário Cordeiro (pediatra), aquele jornalista apresenta-nos, na minha opinião, um dos artigos mais importantes do jornalismo português publicados sobre esta matéria nos últimos tempos.

A afirmação do pediatra Mário Cordeiro sobre a inteligência – «não há pessoas mais inteligentes do que outras» – sendo conhecida de há muito dos neurocientistas como o Prof. António Damásio, merece destacado relevo.  Este artigo, a não perder, propicia excelentes pistas para percebermos porque é que os melhores xadrezistas não são, necessariamente, mais inteligentes.

A capacidade de raciocínio é um puzzle complexo que mistura componentes genéticos e o ambiente onde crescemos. Leia aqui as respostas às perguntas inteligentes.

[Diagramas retirados de Study of eye movements as an indicator of chessplayers' cognitive processes and heuristics. Principal Investigator: Fernand Gobet, da Universidade de Nottingham (em colaboração com o Prof. Adriaan de Groot, da Universidade de Groningen)].

Resolver uma equação. Compor uma sinfonia. Escrever um romance. Ganhar uma partida de xadrez. Inventar a cura para uma doença rara. O que têm todas estas situações em comum? São átomos de uma anatomia complexa: a inteligência. E, contudo, não me lembro da última vez que resolvi uma equação, não me sinto capaz de compor uma sinfonia, não me interesso pelo xadrez, sinto-me ainda longe de escrever um romance e muito mais ainda de encontrar a solução para uma doença rara. Nunca tinha pensado nisto desta forma e começo a ficar inquieto: serei menos inteligente do que pensava? Como podemos aferir a nossa inteligência?

Para responder a estas questões precisamos dissecar primeiro o conceito: o que significa, afinal, ser inteligente? O neuropsicólogo Nelson S. Lima, director do Instituto da Inteligência em Portugal, define a inteligência como «um conjunto complexo de habilidades mentais diferenciadas que permitem o saber pensar, fazer escolhas, decidir e agir com êxito nos desafios da vida». Ser inteligente, explica ao Expresso, é ter a capacidade de «enfrentar e resolver as exigências e problemas decorrentes da nossa interacção com os outros». Nesse sentido, mais do que falar em inteligência, faz sentido admitir a existência de diversos tipos de inteligência, como a inteligência social ou a inteligência lógico-matemática.

A associação da inteligência ao funcionamento do cérebro impõe uma outra questão: será a inteligência inata? «A participação dos genes na construção do sistema de nervoso, tal como acontece no resto do organismo, permite concluir que as estruturas cerebrais que estão envolvidas nas actividades do pensamento, da criatividade e da aprendizagem recebem uma forte influência genética», admite Lima.

Contudo, sozinhos, estes fundamentos biológicos não são suficientes para resolver o puzzle da inteligência. «É a interacção do indivíduo com o meio, de onde recebe uma enorme carga de estímulos, que vai decidir sobre a expansão e a funcionalidade dos recursos mentais que intervêm no exercício da inteligência», revela. Mais do que inata, a inteligência é, por isso, “educável”. Desenvolve-se ao longo da vida através de várias actividades que a estimulam.

 O genoma, o ambiente e a comida 

 
 
 

Ainda que a alquimia da inteligência permaneça em grande parte um mistério, há dois ingredientes que sobressaem: a genética e o ambiente. Primeiro a biologia, depois a cultura ou a educação. «Os reflexos biológicos iniciais ganham um significado na interacção com o outro, sendo esse significado interiorizado e dando origem ao pensamento e à linguagem, duas das formas de expressão da inteligência», explica Leandro S. Almeida, psicólogo e autor de várias publicações e testes psicológicos na área da inteligência, aprendizagem e treino cognitivo.

«Qual das componentes é mais importante? É uma falsa questão», responde o biólogo da Universidade de Coimbra Hamilton Correia, que se tem dedicado ao estudo da inteligência e da sua importância na salvaguarda da espécie. «Se uniformizarmos os factores ambientais, então o que vai determinar a diferença de inteligência entre as pessoas é sobretudo o genoma. Se uniformizarmos a componente genética, então o que irá distinguir os indivíduos em relação à inteligência serão os factores ambientais». O biólogo dá um exemplo: «Imagine que existiam dez bebés clones, com a mesma constituição genética. A partir deles podemos ‘criar’ dez indivíduos com uma diferença abismal nos resultados dos testes de QI. Isto porque os factores ambientais variaram significativamente entre eles durante o desenvolvimento». Por exemplo, o tipo de alimentação durante os três primeiro anos de vida é fundamental para o “desenvolvimento da inteligência”.

 

A importância da mãe

Muito menos consensual é a teoria do antigo inspector das escolas públicas britânicas Chris Woodhead, que no seu mais recente livro, The Desolation of Learning (A Desolação da Aprendizagem, numa tradução literal), coloca todo o peso da balança da inteligência no comportamento dos genes. Segundo o autor, os rapazes e as raparigas tendem a ser mais inteligentes se forem filhos de professores, advogados ou académicos. Quem foi menos bafejado pela genética será pouco inteligente, mesmo que tenha a melhor educação do mundo. «Porque é que temos a pretensão de pensar que conseguimos tornar uma criança mais inteligente do que aquilo que Deus a fez?», perguntou durante uma entrevista ao diário britânico The Guardian.

Ainda que o determinismo da polémica teoria de Woodhead esteja ultrapassado pelo compromisso que existe hoje na comunidade científica entre o papel do inato e do adquirido na inteligência, é inegável a influência da genética no desenvolvimento cognitivo e intelectual. «Parece existir um conjunto de genes directa ou indirectamente relacionados com algumas hormonas que funcionam como factores de crescimento e de desenvolvimento dos neurónios», revela Hamilton Correia. «A actuação destas hormonas, conhecidas como neuroesteróides, sobretudo durante a gestação e nos primeiros anos de vida, irá influenciar em grande medida a capacidade cognitiva dos indivíduos». O biólogo salienta ainda a existência de alguns genes relacionados com os neurotransmissores que influenciam a velocidade de transmissão do impulso nervoso e, consequentemente, «a rapidez de processamento de informação –  uma das vertentes da inteligência».

Segundo Correia, a influência da hereditariedade na inteligência faz-se sentir sobretudo pelo lado da mãe. «A maioria dos genes descobertos que quando mutados dão origem a deficiências cognitivas encontram-se no cromossoma X. Por outro lado, existem algumas hormonas (sobretudo androgénios) que estimulam o crescimento e ramificação dos neurónios. Ora, o gene RA (gene do receptor dos androgénios) que se encontra no cromossoma X possui um efeito significativo na velocidade de transmissão neuronal e, portanto, na inteligência. Por esta razão, o sexo feminino é mais importante que o sexo masculino na transmissão da inteligência para a geração seguinte».

Este facto explica uma realidade que pode parecer surpreendente: segundo um estudo realizado pelo biólogo no Departamento de Antropologia da Universidade de Coimbra, «os homens tendem a casar com alguém mais inteligente que eles, pois terão mais probabilidades de terem filhos inteligentes». Ainda que o façam inconscientemente, a inteligência acaba por ser um importante critério de selecção sexual na espécie humana.

Hamilton Correia acredita que os avanços no estudo dos genes ligados à inteligência poderão permitir estimular a expressão desses genes e, desse modo, influenciar positivamente o desenvolvimento cognitivo. «Existem algumas biomoléculas que podem potenciar significativamente a inteligência estimulando os factores de crescimento do tecido cerebral. Este fenómeno será tanto mais importante quanto mais precoce for em relação ao desenvolvimento do indivíduo». O investigador está já a estudar os efeitos de algumas dessas moléculas no aumento da inteligência humana, mas ainda não foram revelados os resultados.

 

«O QI é um teste de burrice»

Mas o que faz ao certo uma pessoa mais inteligente que a outra? Como se faz essa avaliação? A ferramenta mais familiar são os testes que medem o quociente de inteligência (QI), mas mesmo estes não são consensuais. Mário Cordeiro, pediatra, pai de cinco filhos, consultor do Conselho Nacional de Educação, e autor de O Grande Livro do Bebé, O Livro da Criança e O Grande Livro do Adolescente, é feroz na crítica. «O QI é um teste de burrice… de quem o aplica pensando que está a avaliar alguma coisa. O 2+2, sozinho, não serve para nada. Daniel Goleman e António Damásio, entre outros, foram os que mais directamente mostraram a falência desse modelo e dessa forma de pensar».

Não há uma inteligência racional, sustenta Cordeiro. Há sim «capacidades várias de responder a situações novas, a problemas complexos, a questões nunca antes resolvidas». Uma inteligência com várias facetas ou, então, várias inteligências, diferentes peças nesse puzzle complexo que é a capacidade de resolução de problemas. A alquimia perfeita não inclui apenas a Razão, a informação, o conhecimento ou a lucidez. «É preciso também a Emoção, repleta de sentimentos, circunstâncias e contextos». A evidência, sublinha o pediatra, é óbvia: a maioria das situações que uma pessoa precisa de resolver ao longo da vida são «de natureza social, de cidadania, de respostas afectivas, de estratégias várias».

 

«Não há pessoas mais inteligentes»

Por isso, «não há pessoas mais inteligentes do que outras». Há sim pessoas que, por razões individuais, familiares, sociais ou de privilégios vários, tiveram a hipótese de desenvolver as várias facetas da sua inteligência. «Muitas crianças não têm essa hipótese, por razões familiares, desinteresse dos adultos, escolas abaixo de cão, professores doentiamente desinteressados (a não ser na questão da sua avaliação, o que já consumiu três anos lectivos) e um sistema de ensino caduco e ultrapassado com um ministério napoleónico quase patético». A estes factores acrescem as desigualdades sociais e económicas, «que são das maiores causas dessas diferenças.

Mais do que uma mera questão de QI, o insucesso escolar, alerta Cordeiro, é sobretudo um sintoma de disfunção na vida da criança, que pode começar logo na gestação. «Há factores, um dos quais a ingestão de álcool durante a gravidez, que podem causar dificuldades escolares». Outras causas, acrescenta o pediatra, incluem dormir mal, ter um ambiente desestabilizador em casa, ser pobre, ter frio, fome ou viver sem espaço vital habitacional.

«O que interessa é que todos temos talentos, capacidades, mais-valias, e que não é o QI que as mede, mas a assertividade, a resiliência, a força do querer, a vontade do aperfeiçoamento, a humildade de saber que não se sabe tudo mas que se pode saber um pouco mais, abrindo a porta também a mais ignorância que estimulará novas abordagens e pesquisas».

O neuropsicólogo Nelson Lima concorda. «Aquilo que faz uma criança revelar-se mais inteligente do que outra deve-se mais ao aproveitamento que saiba fazer dos seus recursos (capacidade de aprender, de motivar-se e de agir no e sobre o mundo) do que a mera exibição de raciocínios brilhantes».

Ver o artigo De onde vem a inteligência.

Ler igualmente com proveito, o estudo dos Professores William M. Bart e Michael Atherton, da Universidade do Minnesota (USA) dirigido aos educadores e treinadores de xadrez de crianças e jovens A Base Neurocientífica do Jogo de Xadrez: Aplicações ao Desenvolvimento do Talento e da Educação [pdf] (Abril2003).

António P Santos recorda Emanuel Lasker e a sua maioria de peões brancos no flanco de rei

Quarta-feira, Agosto 19th, 2009

É conhecido que o alemão Emanuel Lasker (campeão mundial entre 1894 e 1921) tinha uma especial predilecção pela variante das trocas da abertura espanhola com troca de damas.

Com ela obteve uma retumbante vitória sobre Capablanca no famoso Torneio de Sampetersburgo, em 1914. Foi também com esta variante que venceu a primeira partida do campeonato do mundo de 1908 contra o seu rival Siegbert Tarrasch. Nessa partida conseguiu fazer valer o tema principal da variante: a maioria de peões brancos no flanco de rei.

António P Santos, no Diário de Notícias [17/8/2009]

Saber mais sobre Emanuel Lasker e as suas 441 partidas em chesscorner.

Estatisticamente falando

Terça-feira, Agosto 18th, 2009

A administração pública desportiva (IDP) divulgou os resultados de um estudo de recenseamento dos praticantes desportivos federados actualizando, supomos, o ultimo estudo publicado em 2005. Conhecemos do trabalho agora anunciado apenas o que foi divulgado na comunicação social, designadamente no jornal Público.

Os estudos sobre a demografia desportiva são escassos, a autoridade estatística nacional (INE) parece que se mantém afastada, ignoramos, se por vontade própria se alheia, e trabalhos que na base do levantamento estatístico permitam sustentar o aprofundamento da realidade desportiva só podem ser bem-vindos. É de saudar a iniciativa e reconhecer o mérito devido à entidade promotora e aos técnicos responsáveis.

Artigo de José Manuel Constantino em Colectividade Desportiva.

«13: um novo dia das mentiras», por José Manuel Meirim

Segunda-feira, Agosto 17th, 2009

O Público publicou ontem, mais um texto cáustico do Prof. José Manuel Meirim sobre a forma como o Secretário de Estado da Juventude e do Desporto está a “gerir” a adaptação dos estatutos das diversas federações ao novo regime jurídico das federações desportivas.

«Quando receber o resultado do inquérito, vou despachar, caso se justifique, a medida sancionatória adequada, embora confie que não seja necessária».

«Apenas 3 federações recusaram adequar-se à modernidade, ou seja 5 %».

Laurentino Dias elogiou ainda os dirigentes desportivos das restantes federações que protagonizaram «uma verdadeira revolução no funcionamento destas instituições».

O que dizer, de forma sucinta, como reclama este espaço?

Em primeiro lugar, perdo-se-nos a ousadia, remeter para algo que já escrevemos.

Em segundo lugar, que é inteiramente falso que haja 48 (ou 51) federações desportivas que tenham os seus estatutos em conformidade com a lei.

Laurentino Dias – não a lei – basta-se com uma aprovação de estatutos dentro de um prazo legal erroneamente fixado. Não lhe interessa o conteúdo desses novos estatutos. E porque a dificuldade será encontrar um estatuto que respeite integralmente a lei, deixemos somente cair um ou outro exemplo, sem qualquer intenção prossecutória quanto às federações desportivas em causa, ficando a aguardar pelos casos verdadeiramnete «revolucionários».

Os primeiros exemplos, oferece-nos o próprio Governo, na conferência de imprensa. Com efeito, que diferença jurídica existe entre as 3 federações desportivas que rejeitaram propostas de estatutos – “dentro do prazo” – e aquelas que vão realizar assembleias gerais em Agosto, ou seja, para além do prazo? E uma destas, pelo menos – caso do karate –, até já reprovou uma revisão estatutária “dentro do prazo”.

Como se pode falar em cumprimento da legalidade quando uma federação – a de automobilismo e karting –, tem 144 delegados na sua assembleia geral, quando a lei impõe um limite máximo de 120?

E a Federação Portuguesa de Atletismo que concede dois delegados por associação distrital, quando apenas é possível haver um? E que dizer quanto ao triatlo que mantém poderes regulamentares na assembleia geral, quando a “revolução”, as «enviou» para a direcção?

E o que dizer sobre as outras dezenas de federações desportivas?

Um inquérito do IDP?

Basta um despacho fundamentado do Secretário de Estado. É só comparar textos: a lei e os estatutos e regulamentos eleitorais federativos. Nada mais.

Obrigado a cumprir a lei?

Não é verdade. O que Laurentino Dias se encontra obrigado é a cumprir um simulacro do cumprimento da lei. A sua obrigação é ganhar as eleições a 27 de Setembro.

Ler o artigo 13: um novo dia das mentiras.

Excelente texto! É simplesmente confrontar o que se diz e o que se escreve.

Quanto aos comentários que este artigo suscitou são igualmente dignos de leitura – independentemente do seu conteúdo – sobretudo porque todos eles assinaram como “anónimo”. Porque será que ninguém está disposto a dar a cara e o nome quando se debate(m) seriamente ideias?

As regras de apoio e os objectivos desportivos de Pequim 2008 e Londres 2012

Terça-feira, Agosto 11th, 2009

Alfredo Silva apresentou, em Colectividade Desportiva, uma análise comparativa entre os contratos que estabelecem as regras de apoio à preparação da comitiva portuguesa aos Jogos Olímpicos de Pequim (2008) e de Londres (2012), destacando, em especial, a falta de fixação de objectivos para os próximos Jogos Olímpicos.

A assinatura do contrato que estabelece as regras de apoio à preparação dos praticantes desportivos com vista à participação nos Jogos Olímpicos (JO) de Londres 2012, foi assinalada no passado dia 3 de Junho. O Estado Português contratualizou com o Comité Olímpico de Portugal (COP) a concessão dos apoios financeiros para a olimpíada em curso. Face aos elementos que vieram a público pretendemos fazer uma breve reflexão comparativa com o período homólogo relativo aos JO de Pequim 2008. (…)

a última diferença significativa: Os objectivos. Efectivamente o contrato programa Londres 2012 que transfere meios financeiros de avultado montante – 14,6 milhões de euros – contrariamente ao contrato homólogo Pequim 2008, não estabelece objectivos desportivos para serem alcançados. (…)

Todo o desporto de alta competição, por lei, artigo 8.º, do Decreto-Lei n.º 125/95, de 31 de Maio, quando recebe apoios públicos, é obrigado a definir objectivos desportivos. Sendo a preparação e participação Olímpica o topo do desporto de alta competição, não se compreende esta opção de não fixar objectivos no início do programa desportivo. E não me venham com a demagogia, ainda por cima no mundo do desporto, de que os objectivos podem funcionar como uma pressão sobre os praticantes desportivos que é contraproducente para a obtenção de resultados.

Lembram-se do que faltou à nossa comitiva em Pequim: Um desígnio nacional, uma liderança forte e um objectivo comum capaz de mobilizar a motivação e a superação de todos.

Ler o artigo completo em Colectividade Desportiva.

Já se podia ler no Site Oficial da Missão de Portugal aos Jogos Olímpicos da XXIX Olimpíada  [16.07.2008], que

O Ministro da Presidência, que tutela a área do Desporto, confirmou hoje a intenção de prosseguir com vista aos Jogos Olímpicos de Londres de 2012 o modelo de preparação olímpica contratualizado com o Comité Olímpico de Portugal no início de 2005 e conhecido como Projecto Pequim 2008.

Lembrando «As razões de uma recusa (a explicação necessária)» e o futuro da Federação Portuguesa de Xadrez

Domingo, Agosto 9th, 2009

Em virtude das críticas que se têm vindo a dirigir aos órgãos sociais federativos e aos seus titulares e as possíveis ou necessárias alternativas, considero oportuno republicar  o documento que divulguei em 29 de Novembro de 2007,  no blogue Ala de Rei, após a recusa de um convite pessoal do Presidente, António Bravo, para integrar a Direcção da FPX

 

Na passada 5ª feira, 22/Nov, à noite, recebi um telefonema do Presidente da FPX, António Bravo, a convidar-me para a Direcção da FPX.

Como ia subir a efectivo um suplente, em virtude da demissão (no passado dia 12/7) do Secretário Carlos Sirgado, seria necessário, no entendimento do Presidente da FPX, cooptar um novo elemento.

Não cheguei a apurar as razões que o levaram a efectuar este convite pessoal. Fiquei surpreendido. Nada faria supor um tal convite. Seria de ficar sensibilizado, como fiquei, mas, também atónito. Como seria facilmente compreensível não poderia aceitar um tal convite. Não, nas circunstâncias actuais.

Tive a oportunidade de explicar – era exigível, mesmo – a minha recusa. É isso que pretendo tornar público, a fim de que não surjam quaisquer dúvidas, confusões ou mal entendidos.

 

1. Desde 12/07/2007 que há um lugar vago e sem pretendentes. Só 4 meses depois e nas vésperas de uma Assembleia Geral é que seria preenchido. Por outro lado, surgia outra vaga, por preencher, por isso me foi efectuado o convite.

2. Nessa noite desconhecia em absoluto que estava convocada, e logo desde 29/10, uma Assembleia Geral da FPX, para 25/11, nem da data fui informado.

3. Naquelas circunstâncias não fazia muito sentido o convite, porquanto, havia publicado no início da semana as Teses para alterar o xadrez nacional, o que mostrava que a situação havia mudado, pelo menos a análise da situação tornara-se pública, logo conhecida.

4. De facto, ao publicar aquele documento, tinha mostrado à comunidade xadrezista que era preciso mudar, mas, mudar muito, de práticas, de mentalidades, e, mesmo de pessoas.

5. Sendo crítico e defendendo uma alteração profunda no funcionamento e orientação dos destinos institucionais nacionais associativos e federativos não poderia aceitar um convite que não tinha condições para cumprir.

6. Seria suposto e normal, acaso houvesse real intenção de mudar, ou, pelo menos de me ver incluído na Direcção da FPX com a minha visão crítica da situação federativa nacional, de dialogar previamente, explicando a razão do convite, ouvir a minha disponibilidade de tempo, conhecer as minhas ideias (em particular, quando não havia ainda sido lidas as Teses), discutir o Plano de Actividades e o Orçamento para 2008. Mas, era pedir demais.

7. Mas, afinal, era apenas para 2º suplente, o lugar vago. Seria apenas e só tapar um buraco federativo.

8. Para além de tapa-buracos, seria, a concretizar-se, mais um erro de casting, como, irónica, mas muito justamente, lhe chamou Carlos Sirgado, ao referir-se à sua inclusão no elenco federativo sujeito ao sufrágio do passado 13/5.

9. Nada me move, pessoalmente, contra qualquer membro da Direcção da FPX, mas, manda a verdade dizer que não me identifico – pese a boa vontade no reconhecimento da necessidade de existência de uma estabilidade directiva – nem concordo com a forma como a actual Direcção está a orientar os destinos da FPX.

10. Não é, pois, a forma que defendo de dirigir institucionalmente o xadrez nacional, como muito claramente defendi nas Teses para Alterar o Xadrez Nacional.

11. O apoio que tenho recolhido às críticas formuladas nas Teses, publicado ou não, mostra claramente a necessidade de mudança.

12. Por isso, seria incompreensível, entrar para a Direcção a prazo, entrar para voltar a sair, com conflitos, desacordos, mal-entendidos. O xadrez não precisa de mais atribulações.

Tempestade13. É, assim, que surge incompreensível o convite para a Direcção da FPX. Não quero afirmar que foi o abraço da cobra, como soe dizer-se, isto é, para neutralizar as críticas. Mas lá que parece, parece.

14. Não pretendo desvalorizar o convite, mas, parece-me que foi uma pura perca de tempo, como muito bem será compreendido.

Pelas razões expostas, não me resta dizer mais nada, senão afirmar, que a minha presença nas amenas e profícuas reuniões da Direcção da FPX, seria mais um sinal de instabilidade do que concórdia social. Desculpem-me a franqueza, mas é o que sinto ainda, 8 dias depois daquele convite.

Por último, durante a conversa com o Presidente da FPX, nem passou pela cabeça que estava a ser convidado à revelia dos Estatutos da Federação Portuguesa de Xadrez.

O que recebi foi um convite fantasma. Um convite que nunca poderia ser concretizado. Só espero que ninguém tenha ficado com a vaga.

Francisco Vieira, 29 de Novembro de 2007

«Algum dia alguém vai levantar o Xadrez?»

Sábado, Agosto 8th, 2009

IloveChess (que não sei quem é), publicou no fórum Lusoxadrez no passado dia 31 de Julho, o seguinte texto, que me permito transcrevê-lo na totalidade. Não obstante, a sua importância, não mereceu, até ao momento qualquer comentário, o que pessoalmente não compreendo.

Ao contrário do que afirma o seu autor, não creio ser prematuro qualquer debate ou simples comentário sobre o a situação do xadrez em Portugal e da federação respectiva. Por isso, demos a palavra ao seu autor

Talvez seja bastante prematuro este comentário, tendo em conta o tempo que ainda falta para futuras eleições na FPX, mas ainda assim vou fazer este desabafo: Algum dia alguém vai levantar o xadrez?

É que quando vejo o que foi feito no xadrez Português na Direcção do ex. sr. dr. António Bravo (tratando-o assim, talvez este senhor possa manter a vaidade e superioridade com que sempre se apresenta!)e recordo-me que este ex. sr. dr. foi eleito a 13-5-2007 sem oposição… enfim!

Foi nesta Direcção presidida pelo sr. António Bravo que:

-O tradicional Elo FPX de lentas deixou de ser actualizado (a ultima lista foi em Abril de 2008!).

-O Elo de semi-rápidas instituído pela anterior federação deixou também de funcionar (Janeiro de 2008 é a data da ultima lista!).

-Nas Olimpíadas de Dresden deixou-se de fora APENAS o campeão nacional,o nº1 do ranking nacional e a quinta jogadora do país (que nem teve substituto, mas como é da A.X.Faro e o ex. sr. dr. António Bravo “adora”o seu respectivo presidente… talvez se entenda!) para se levar pessoas do seu concelho, colegas de Direcção da Federação ou pessoas mais próximas!

-Os tradicionais Torneios de Mestres (outrora só com mestres) e de honra bateram no fundo ,tendo o último torneio de mestres apenas três mestres Fide (sem nenhum mestre internacional ou grande mestre) em dez inscritos!

-A Revista Portuguesa de Xadrez (A única “iniciativa”em dois anos) ajudou ao descrédito em futuras assinaturas dos xadrezistas, uma vez que os assinantes pagaram seis números em Janeiro de 2008 e em Julho de 2009 só receberam quatro!

-A histórica primeira divisão por equipas, passou a constituir um aumento de 50% nas despesas para os clubes e acredito que doravante deixará de ser a tradicional prova forte em Portugal, porque acho que numa modalidade onde por vezes há tanta dificuldade em se arranjar quatro jogadores para jogar, obrigar-se a ser seis não é uma boa ideia (para além de que basta que nos três primeiros jogos as coisas não saiam bem a uma equipa e esta estará a lutar pelo nono lugar na melhor das hipóteses, o que me leva a perguntar se futuramente os clubes irão querer investir a sério nesta prova).

Tudo isto exposto aconteceu durante a presidência do sr. António Bravo, independentemente das culpas que se podem atribuir ou desculpas que se podem invocar.

Tendo em conta que até existem boas pessoas no xadrez que têm as suas famílias e empregos e dedicam-se bastante no desenvolvimento da modalidade (sem vaidades ou interesses), eu pergunto se esta Direcção vai sozinha novamente a futuras eleições ou se algum dia alguém vai levantar o estado do xadrez Português.

Creio ser oportuno começar, desde já, a falar sobre este assunto de uma forma séria e elevada. Antes das eleições para os órgãos sociais federativos haverá eleições para os delegados dos jogadores.

Ver o artigo Algum dia alguém vai levantar o Xadrez?