Os ovos da víbora do Estado…

O historiador e comentador político Rui Ramos escreveu uma crónica no Correio da Manhã, de ontem, com o sugestivo título de A Víbora. Um verdadeiro postal ilustrado do nosso país nos dias de hoje…
A Víbora
No último sábado, José António Saraiva contou ao Correio da Manhã uma história macabra: por causa de uma notícia desagradável para o Governo, um banco privado quase lhe fechou o jornal. Passou uma semana e foi só isso que passou: uma semana. Já estaremos habituados a que a vida é assim em Portugal?
Mas não convém reduzir a questão só a este Governo. O Estado que temos em Portugal – centralizado, autoritário, pesado, omnipresente – é próprio de uma ditadura, não de uma democracia. Tal como ninguém sabe ao certo quantos funcionários públicos existem, também ninguém sabe ao certo onde começa e acaba o estado: há empresas aparentemente privadas que, segundo percebemos agora, são tentáculos do Estado. O Estado rodeia-nos, controla-nos, espreita-nos, mete-se em tudo, isola-nos uns dos outros – e, através dele, os Governos recompensam quem os serve e punem quem os incomoda. Com este estado, talvez o Dr. Salazar não tivesse precisado de PIDE e de censura.
Há trinta anos que andamos a fingir que pode haver direito e pluralismo onde quem fala corre o risco de ser castigado e onde para fazer negócios é preciso pôr dinheiro em envelopes. A democracia portuguesa vive com uma víbora obre o peito. Só não nos morde se estivermos muito quietinhos e se formos bem comportados. É assim que queremos viver, quietinhos e bem comportadinhos?
Rui Ramos em Correio da Manhã em 26 Nov 2009
Porque está a FPX cada vez mais parecida com o Estado?


Novembro 29th, 2009 at 10:29 pm
Desculpa lá mas a FPX se está parecida com algum estado é com a Bielorussia ou coisa afim, não é com o estado português.
Quanto à opinião, que é só mais uma, deste senhor historiador/comentador de quem eu nunca tinha ouvido falar, bem que se pode limpar a ela. Só lhe falta concluir que o regime salazarista era um paraíso em comparação com o regime actual. Um tipo realmente isento nas suas análise, deve ser da mesma escola e da mesma secção do PSD de Lisboa, do distinto jurista Paulo Pinto de Albuquerque.
Uma palavra final sobre o arquiteto Saraiva, esse grande paladino da liberdade de expressão, que dizia que ia fazer um jornal livre e independente e que ia destronar o Expresso: e que tal mudar-se para Luanda e aí dar inicio ai sim, na terra dos seus novos amos, a uma guerra contra a corrupção que por lá grassa. Isso é que era de homem, assim, nunca vai passar de um palhaço pobre, de cara pintada de branco e um nariz em forma de bola vermelha. Um triste.