Armando Inocentes ex-director federativo e treinador de karaté resolveu escrever uma espécie de carta aberta aos praticantes daquela modalidade desportiva, que, como muitas outras, faz a sua travessia do deserto. Eis o seu testemunho, do qual apresento apenas os seguintes excertos.
A consumação de um facto
A Federação Nacional de Karaté-Portugal encontra-se desde a passada sexta-feira sem mais um elemento da Direcção e sem Director do Departamento de Formação.
Ao fim de um longo período de reflexão e de troca de opiniões com alguns elementos mais próximos da minha pessoa, acabei por assumir a minha demissão, consciente que a própria vida é formada por um conjunto de opções: umas são correctas, outras menos correctas… e outras são erradas, servindo o erro pura e simplesmente para ser rectificado e não se voltar a repetir.
Não é motivo relevante esta demissão porque não há pessoas insubstituíveis e porque não há trabalho que não possa ser melhorado e executado com maior eficácia e eficiência, logo com mais rentabilidade e melhores resultados.
(…)
Demiti-me principalmente em confronto com um modelo de gestão autocrático imprimido por uma única pessoa. Demiti-me principalmente por falta de informação que me era sistematicamente sonegada. Demiti-me principalmente por falta de acesso a certos conhecimentos. Demiti-me por discordar de muita coisa… Mas também me demiti consciente de erros cometidos por mim próprio, pois também tenho telhados de vidro…
Encontramo-nos num final de um ciclo de amadorismo do qual convém dar o salto. Uma Federação sem estruturas profissionalizadas não passará daquilo que tem eternamente sido: uma funcionária administrativa que sozinha não consegue dar vazão a todo o trabalho burocrático, um Presidente que procura estar sempre em todo o lado e dentro de todos assuntos deliberando por vezes coisas que não são da sua competência e não dando o respectivo espaço de manobra aos vários Departamentos e Directores que em vez de dirigirem, gerirem e organizarem, acabam por fazer todo o trabalho de sapa. Moral da história: escasseiam os meios humanos, fracassa a organização deteriora-se a realização.
Isto porque o final deste ciclo determina novos modelos de gestão: uma só federação por modalidade desportiva, delegados que representam uma única entidade, cada um só com um voto e proibição de votos por procuração ou por correspondência.
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