
No blogue de Maria Luisa Braga.

No blogue de Maria Luisa Braga.
Foi implementado o projecto Xadrez na Biblioteca, tendo resultado de uma parceria da biblioteca com a Casa da Matemática.
A dinamização da actividade decorrerá durante todo o ano lectivo, tendo sido calendarizada, neste primeiro período, para os meses de Novembro e Dezembro.
Nas primeiras sessões os alunos têm aderido entusiasticamente, revelando grande interesse por este jogo.Os objectivos propostos na consecução desta actividade são os seguintes:
- Diversificar metodologias de ensino/aprendizagem.
- Potencializar a capacidade de raciocínio lógico-matemático.
- Analisar problemas, utilizando procedimentos adequados para obter a informação, seleccioná-la, organizá-la e utilizá-la.
- Valorizar com antecipação as vantagens e inconvenientes de uma decisão, e planificar as respostas a possíveis situações.
- Estimular a perseverança na abordagem de tarefas e resolução de problemas.
Temos a colaboração do monitor Luís Camoesas que, amavelmente, se disponibilizou para concretizar esta rubrica, no âmbito da didáctica do Xadrez.
Posteriormente serão criadas equipas de xadrez com os alunos desta escola para disputarem, no final do ano, um campeonato inter-turmas/grupos.
A equipa da BE/CRE, em Biblioteca Escolar Francisco Gonçalves Carneiro.
Depois da sua vitória sobre Capablanca, em 1935, Reshevsky contou que recusara a proposta de empate de Capablanca ao lance 35 porque pensara que poderia ganhar e que nunca se converteria em grande mestre aceitando empates em posições ganhadoras.
A avaliação da posição como ganhadora é exagerada mas a atitude é louvável e qualquer jovem em progressão deve tê-la como fio condutor.
Samuel Reshevsky [EUA]
Jose Capablanca [Cuba]
Margate (4), 1935
1.d4 Cf6 2.c4 e6 3.Cc3 d5 4.Bg5 Cbd7 5.cxd5 exd5 6.e3 Be7 7.Bd3 0–0 8.Dc2 c5 9.Cf3 c4 10.Bf5 Te8 11.0–0 g6 [11...Cf8? 12.Bxc8 Txc8 13.Bxf6 Bxf6 14.Df5±] 12.Bh3 Cf8? [12...Cb6!] 13.Bxc8 Txc8 14.Bxf6! Bxf6 15.b3! Da5 16.b4! Dd8 17.Da4! a6 18.b5! Te6 [18...a5 19.b6! Dxb6 20.Cxd5] 19.Tab1 Tb8 20.Tb2 Be7 21.bxa6 Txa6 22.Dc2 Ce6 23.Tfb1 Ta7 24.a4 Cc7 25.Ce5 De8 26.f4 [26.Tb6! Ca8 27.Cc6 Cxb6 28.Cxa7 Dd8 29.Db2 Ta8 30.Dxb6 Dxb6 31.Txb6 Txa7 32.Rf1±] 26…f6 27.Cg4! Dd7 28.h3 Rg7 29.Cf2 Ba3 30.Ta2 Bd6 31.Cfd1! f5 32.Cb5! Ta5 33.Cxc7 Bxc7 34.Cc3 Dd6 35.Df2 b6 36.Df3 Td8 37.Tab2 De7 38.Tb4 Td7 39.Rh1 Bd8 40.g4?! [40.Rg1!] 40…fxg4 41.hxg4 Dd6 42.Rg1 Bc7 43.Rf2 Tf7 44.g5 Bd8 45.Re2 Bxg5?! [45...De6!=] 46.Txb6 Da3 47.Rd2! Be7 48.Tb7 Txa4? [48...Tf5! 49.Td7 Th5 50.Dg2 Rh6 51.Tbb7 Tb5!! 52.Txb5 Bb4! 53.Re2! Dxc3 54.Rf3=] 49.Dxd5! [49.Cxa4? Dd3+ 50.Rc1 (50.Re1 Bh4+) 50...Ba3+ 51.T7b2 c3–+] 49…Ta5 50.Dxc4 Th5 51.Rd3 Da8 52.De6 Da3 53.Td7! Thf5 54.Tb3 Da1 55.Txe7 Df1+ 56.Rd2 1–0
António P. Santos, no DN, de 26 Nov 2009

O historiador e comentador político Rui Ramos escreveu uma crónica no Correio da Manhã, de ontem, com o sugestivo título de A Víbora. Um verdadeiro postal ilustrado do nosso país nos dias de hoje…
A Víbora
No último sábado, José António Saraiva contou ao Correio da Manhã uma história macabra: por causa de uma notícia desagradável para o Governo, um banco privado quase lhe fechou o jornal. Passou uma semana e foi só isso que passou: uma semana. Já estaremos habituados a que a vida é assim em Portugal?
Mas não convém reduzir a questão só a este Governo. O Estado que temos em Portugal – centralizado, autoritário, pesado, omnipresente – é próprio de uma ditadura, não de uma democracia. Tal como ninguém sabe ao certo quantos funcionários públicos existem, também ninguém sabe ao certo onde começa e acaba o estado: há empresas aparentemente privadas que, segundo percebemos agora, são tentáculos do Estado. O Estado rodeia-nos, controla-nos, espreita-nos, mete-se em tudo, isola-nos uns dos outros – e, através dele, os Governos recompensam quem os serve e punem quem os incomoda. Com este estado, talvez o Dr. Salazar não tivesse precisado de PIDE e de censura.
Há trinta anos que andamos a fingir que pode haver direito e pluralismo onde quem fala corre o risco de ser castigado e onde para fazer negócios é preciso pôr dinheiro em envelopes. A democracia portuguesa vive com uma víbora obre o peito. Só não nos morde se estivermos muito quietinhos e se formos bem comportados. É assim que queremos viver, quietinhos e bem comportadinhos?
Rui Ramos em Correio da Manhã em 26 Nov 2009
Porque está a FPX cada vez mais parecida com o Estado?
A vantagem do par de bispos sobre o par bispo e cavalo sempre foi difícil de determinar embora seja geralmente aceitável.
No seu tempo Steinitz, campeão mundial (1886-1894), propôs um método de exploração desta vantagem em posições muito específicas e pouco comuns.
Na 1ª partida da 1ª eliminatória da Taça do Mundo em curso, o russo Svidler não aplicou esse método porque a posição não o permitia mas aproveitou o par de bispos para preparar a entrada do rei no campo adversário.
Peter Svidler (Rússia, 2754)
J. Hebert (Canadá, 2420)
World Cup (1.1), 21.11.2009
1.e4 e6 2.d4 d5 3.Cd2 Cf6 4.e5 Cfd7 5.c3 c5 6.Bd3 Cc6 7.Ce2 cxd4 8.cxd4 Cb6 9.0–0 Bd7 10.Cf3 Cb4 11.Bb1 Bb5 12.Te1 Bxe2 13.Txe2 Be7 14.a3 Cc6 15.Bd3 Dd7 16.h4 h6 17.h5 0–0–0 18.Tc2 Rb8 19.Bd2 Tc8 20.Tac1 a6 21.De2 Ca7 22.Ba5 Txc2 23.Txc2 Ca8 24.De3 Tc8 25.Txc8+ Rxc8 26.Df4 De8 27.Dg4 Cc6 28.Bd2 Bf8 29.Ce1 Cc7 30.Cc2 b6 31.f4 f5 32.De2 a5 33.g4 fxg4 34.Dxg4 Ce7 35.Ce3 Rb7 36.Rf2 Da4 37.Bc3 De8 38.Rg3 Df7 39.Bd2 Cc6 40.f5 Be7 41.fxe6 Dxe6 42.Cf5 [42.Dxe6 Cxe6 43.Cxd5 Bg5 44.Bc3 Cexd4 45.Be4 b5±] 42…Bf8 43.Be2 Cd8 44.Bf3 Rc6 45.a4 Cf7 46.b3 Cd8 47.Bg2 Df7 48.Be3 Cde6 49.Bh3 Bb4 50.Rg2 Bf8 51.Dd1 Rd7 52.Df3 Be7 53.Dg4 Bf8 54.Ch4 Rc6 55.Cg6 Bb4 56.Cf4 Cg5 [56...Cxf4+ 57.Bxf4 Bc3 58.Be3 Bb4 59.Df5±] 57.Df5 Dxf5 58.Bxf5 Be7 59.Rg3 b5 60.Rg4 bxa4 61.bxa4 Bb4 62.Bc2 Cge6 63.Cxe6 Cxe6 64.Rf5 Rd7 [64...Cf8 65.Bd3 Ba3 66.Bb5+ +-] 65.Rg6 Re7 66.Bf5 1–0
António P. Santos, no DN, em 25 Nov 2009
Realiza-se hoje, na Fundação Portuguesa das Comunicações [Rua do Instituto Industrial, perto do Cais Sodré], pelas 18.30h., a conferência O Xadrez e a Gestão na Arte, pelo Prof. Dr. Fernando Miguel Pereira Alves.
Armando Inocentes ex-director federativo e treinador de karaté resolveu escrever uma espécie de carta aberta aos praticantes daquela modalidade desportiva, que, como muitas outras, faz a sua travessia do deserto. Eis o seu testemunho, do qual apresento apenas os seguintes excertos.
A consumação de um facto
A Federação Nacional de Karaté-Portugal encontra-se desde a passada sexta-feira sem mais um elemento da Direcção e sem Director do Departamento de Formação.
Ao fim de um longo período de reflexão e de troca de opiniões com alguns elementos mais próximos da minha pessoa, acabei por assumir a minha demissão, consciente que a própria vida é formada por um conjunto de opções: umas são correctas, outras menos correctas… e outras são erradas, servindo o erro pura e simplesmente para ser rectificado e não se voltar a repetir.
Não é motivo relevante esta demissão porque não há pessoas insubstituíveis e porque não há trabalho que não possa ser melhorado e executado com maior eficácia e eficiência, logo com mais rentabilidade e melhores resultados.
(…)
Demiti-me principalmente em confronto com um modelo de gestão autocrático imprimido por uma única pessoa. Demiti-me principalmente por falta de informação que me era sistematicamente sonegada. Demiti-me principalmente por falta de acesso a certos conhecimentos. Demiti-me por discordar de muita coisa… Mas também me demiti consciente de erros cometidos por mim próprio, pois também tenho telhados de vidro…
Encontramo-nos num final de um ciclo de amadorismo do qual convém dar o salto. Uma Federação sem estruturas profissionalizadas não passará daquilo que tem eternamente sido: uma funcionária administrativa que sozinha não consegue dar vazão a todo o trabalho burocrático, um Presidente que procura estar sempre em todo o lado e dentro de todos assuntos deliberando por vezes coisas que não são da sua competência e não dando o respectivo espaço de manobra aos vários Departamentos e Directores que em vez de dirigirem, gerirem e organizarem, acabam por fazer todo o trabalho de sapa. Moral da história: escasseiam os meios humanos, fracassa a organização deteriora-se a realização.
Isto porque o final deste ciclo determina novos modelos de gestão: uma só federação por modalidade desportiva, delegados que representam uma única entidade, cada um só com um voto e proibição de votos por procuração ou por correspondência.
Ler o artigo completo no blogue karate-do.pt.
O professor António Vicente publicou no blogue Artigos de Opinião DespUBI, um artigo relacionado com a profissão de professor do ensino secundário na área do desporto e a publicação do diploma legal que estabelece o regime de acesso e exercício da actividade de treinador de desporto.
Os licenciados e as profissões do desporto
Actualmente existem em Portugal 25 cursos no Ensino Superior Público que formam Licenciados na área do Desporto. Desses, 9 são no ensino Universitário (em 7 instituições diferentes) e 16 são no ensino Politécnico (em 12 instituições diferentes).
Temos assim, e só no Ensino Superior Público, um total de 1075 vagas (todas preenchidas este ano lectivo mais uma vez, refira-se) para formar licenciados na área do Desporto (naturalmente prescindimos a referência aos dados do Ensino Superior Privado o que acrescentaria, julgamos, mais algumas centenas de vagas na área).
Em 30 de Março de 2009 entrou em vigor o Decreto-Lei nº 248-A/2008, de 31 de Dezembro, que estabelece o “regime de acesso e exercício da actividade de treinador de desporto”. Este diploma veio regular o acesso à profissão de treinador de desporto dispondo, de uma forma simplificada, que só pode exercer a referida profissão quem possuir uma “cédula de treinador de desporto” cuja obtenção passa a estar dependente do Instituto do Desporto de Portugal, sendo estas reguladas pelas Federações desportivas.
Tal significa que, para se poder ser treinador no desporto é necessária uma cédula que depende essencialmente das Federações desportivas, e serão estas a decidir que formações dadas nos cursos superiores permitirão ter equivalência à mesma (aos níveis iniciais, é claro). Estamos assim numa situação onde a experiência desportiva ou umas poucas dezenas de horas de “formação” resultarão numa qualificação superior a um licenciado que trabalhou e estudou mais de 4500 horas na respectiva área.
Este é apenas um exemplo mas poderíamos referir muitos outros na área do Desporto (como os ginásios, as autarquias, o turismo, a fisioterapia, a reabilitação, etc.) em como as licenciaturas em Desporto foram ultrapassadas. Deixaram-se ultrapassar por outras áreas que ocuparam um espaço deixado vago pelos especialistas em Desporto (ou supostos especialistas) ou ficaram até reféns de outras áreas e interesses.
Se não havia grande problema (ou assim se julgava) enquanto existiam muitas profissões da área e muitas vagas que podiam albergar as centenas de licenciados que todos os anos eram formados em Desporto no Ensino Superior, actualmente as implicações têm muito mais impacto.
Ser professor no Ensino da Básico e/ou Secundário é já praticamente impossível e assim continuará, previsivelmente, nos próximos anos (vão ainda existindo algumas vagas nas AEC’s no 1º Ciclo mas por pouco tempo…). No treino agora já não podem entrar, ou então ficam como auxiliares do “treinador à séria”. Na “animação desportiva” não são bem-vindos. Na fisioterapia ou reabilitação há anos que já nem se atrevem a tentar. As alternativas nos últimos anos estavam assim limitadas aos ginásios e clubes desportivos locais, mas sempre trabalhos muito mal remunerados (isto caso fossem remunerados…).
Estamos assim numa situação em que o desemprego dos licenciados em Desporto começa a aumentar significativamente e, pelo contrário, as ofertas na área continuam escassas ou inexistentes.Este é, assim, um momento de crise em que é preciso agir, em que urge tomar decisões que mudem o rumo desta tendência. Fazer alguma coisa passa, certamente, por actuar ao nível da legislação. Mas passa também e fortemente por definirmos as competências de um licenciado, o conhecimento que deve dominar, as capacidades que deverá ter e, sobretudo, exercer. A mudança, se vamos de facto fazê-la, será feita já sobre uma crise existente. É como fazer a manutenção do navio quando a tempestade já estalou, não é claro a melhor altura, mas antes de irmos ao fundo ainda haverá possibilidades. Há mais de vinte anos que os avisos abundam, mas caíram, como se vê, em saco roto.
Mas também é possível continuar “na desportiva”, sem fazer nada, à espera do “milagre salvador”. Não nos podemos, é esquecer que não fazer nada é uma decisão como outra qualquer, também com consequências e implicações.
Covilhã, 22 de Novembro de 2009
António Vicente
Nota: Os dados apresentados são referentes ao ano lectivo em curso (2009/2010) e estão disponíveis em www.dges.mctes.pt/DGES/pt
Este texto do Prof. Jorge Araújo, não precisa de intróitos ou aproximações, tão claro se apresenta. Está a falar-nos do país, mas cada um pode encontrar aqui descrito um qualquer outro país. Exercitem a inteligência!
O Pântano de Guterres
O nosso país revela claros sintomas de agravamento do pântano que motivou a famosa demissão de Guterres. Faltam-nos valores, regras, princípios norteadores fundamentais para sobrevivência de qualquer sociedade democrática.
Ouvimos falar muito ultimamente, da defesa e preservação dos direitos dos cidadãos à sua vida privada e de presunção de inocência. É um bom sinal, mas não é suficiente. Nomeadamente, se alguns dos que ultimamente mais se batem por essa necessidade, o fazem como forma de “esconderem” eventuais tropelias antidemocráticas que entretanto foram cometendo.
São precisas atitudes e comportamentos transparentes e saneadores, não meras palavras mistificadoras. Requeremos exemplos e referências! Queremos a verdade, não propriamente a filigrana jurídica que por aí se ai desenvolvendo. Precisam-se competência técnica e comportamental, honestidade, frontalidade, coerência, preocupação com os outros, objectivos e interesses comuns, servir, mais do que servirem-se.
Não basta que alguém tenha sido democraticamente eleito. Requer ser capaz de inspirar e mobilizar vontades. Exige-se-lhe que crie um clima de confiança respeito mútuos que nos comprometa com o futuro.
Enquanto cidadãos deste país, aspiramos a ser envolvidos numa estratégia política clara, onde se percebam os objectivos a atingir e as regras de vida colectiva a respeitar. Queremos fazer parte do todo e responsabilizarmo-nos pela recuperação social que vai tardando.
É por demais evidente que, quem nos governa, está a precisar da humildade suficiente que lhes permita a dúvida sistemática e que não se deixem “apanhar” pelas certezas definitivas.
Queremos governantes que exibam um fundamental respeito pela individualidade e consciência de cada um de nós, que defendem o progresso e o desenvolvimento como metas a atingir e tenham o conformismo como inimigo a abater. Sem isso, dificilmente serão criadas as condições que carecemos para sobreviver neste pântano em que alguns se vão atolando.
Jorge Araújo, Gerir é Treinar, em O Jornal Económico, 16 Nov 2009
Os sublinhados são da responsabilidade de Ala de Rei.

O GCO disponibilizou no seu blogue Há Xadrez em Odivelas, a troca de correspondência e a reclamação que apresentou junto da FPX.
Este processo tem a ver com o propósito da Direcção da FPX de pretender remeter o GCO do Nacional da 1ª Divisão para o Distrital de Lisboa.
Considerando ilegal a norma do regulamento – segunda norma nº 2 do Capítulo VII – Classificação e Desempates – por incompetência absoluta da Direcção da FPX, o GCO reclama a nulidade do acto.
Assim, na visão do GCO, a Direcção da FPX não tinha competência para incluir aquela norma no regulamento, que pertencia, em exclusivo, à assembleia geral da FPX. Por isso, a informação constante do mapa, disponibilizado no sítio oficial da FPX, deverá ser considerado inválido e de nenhum efeito.
O GCO invoca, igualmente, nos termos estatutários, a incompatibilidade de quatro dos titulares da Direcção da FPX, que são, simultaneamente, membros de órgãos federativos e extra-federatvos, para analisarem a reclamação.
Levanta ainda, a oposição de suspeição, nos termos legais, sobre o Presidente da FPX, sustentando para tal, a forma como António Bravo agiu durante o anterior processo federativo envolvendo a actual FPX, o GCO e o SIR Elvas, «não o considerando pessoa justa, séria e idónea para, com equidade, dirimir quaisquer litígios envolvendo o GCO».
Mais um caso.
Não deixa de ser curioso que num momento, em que certos dirigentes e outros praticantes da modalidade se encontram satisfeitos com a “refundação” federativa – em virtude do novo regime jurídico das federações desportivas e dos estatutos – se assista, em crescendo, à invocação da violação das disposições legais, estatutárias e regulamentares.
Os titulares dos órgãos sociais da Federação Portuguesa de Xadrez não se encontram vinculados como qualquer outro sócio a cumprir e a fazer cumprir as disposições legais, estatutárias e regulamentares?
Ou existe alguma norma especial qualquer que isente quem dirige o xadrez federativo nacional de cumprir as leis aprovadas pelo Assembleia da República e pelo Governo e os estatutos e os regulamentos aprovados pela Assembleia Geral da FPX?
Foi publicado no Diário da República de hoje, o
despacho do Presidente do IDP, Luis Sardinha, de 30/9/2009, contendo a Listagem nº 331/2009, informando que
«em cumprimento da Lei nº 26/94, de 19/8, publica-se a listagem de transferências efectuados pelo IDP, no 2º semestre de 2008».
Nesta listagem consta, como beneficiária, a FPX, com o montante de € 58.460,00.

Um jantar de gala vai ser o ponto alto dos 100 anos que o Comité Olímpico de Portugal (COP) vai celebrar na próxima semana.
Ana Baptista, bicampeã nacional feminina e campeã nacional absoluta de sub-20, concedeu uma entrevista a Mariana Pinheiro, do jornal i, a propósito da sua participação numa simultânea de 20 tabuleiros de jovens com o ex-campeão mundial de xadrez, Garry Kasparov, em 1999.
Ana tinha nove anos quando defrontou Kasparov pela primeira vez. Hoje tem 19, é campeã nacional feminina sénior e campeã nacional de sub20 absolutos, categoria que inclui rapazes e raparigas. E estava a estudar para um exame quando falou ao i.
Que perguntava a Kasparov se o reencontrasse?
Perguntava-lhe se se lembrava de uma miúda que há dez anos jogou com ele uma simultânea em Lisboa. E também gostava de saber se não tem saudades da competição. Ele agora está mais voltado para a política.
O que recorda desse dia?
Na altura, eu era uma miúda e ele era um dos meus ídolos, um dos melhores do mundo, senão o melhor e, claro, andava entusiasmada. Pensar que o ia ver ao vivo era completamente surreal. Perdi o jogo, como é óbvio, mas no fundo a vitória foi minha. Era uma alegria estar ali e ter tido a oportunidade de jogar com ele.
Dizem que o Kasparov fica muito tenso. É verdade?
De facto, costumam dizer isso., mas eu achei-o descontraído. Ele não tinha muito com que se preocupar [risos].
Como é que surgiu essa vontade de jogar xadrez ainda tão jovem?
Comecei a jogar na primária. Por acaso, foi engraçado porque, quando eu era pequena, era irrequieta. O normal seria não me interessar pelo xadrez. As pessoas olham para este desporto como uma actividade enfadonha e praticada sentada, o que não corresponde totalmente à verdade. O xadrez consegue ser um desporto bastante dinâmico, tem imensas combinações e diferentes ataques. Se pensarmos bem, são dois exércitos que se estão a defrontar numa batalha. Qualquer criança fica entusiasmada com isso.
O dia em que Kasparov foi uma diva da ópera foi o título que Mariana Pinheiro, jornalista do i, escolheu para o seu artigo sobre o ex-campeão mundial de xadrez, Garry Kasprov, que foi publicado na edição de ontem daquele diário.
O artigo versa sobre algumas
histórias passadas com Kasparov, durante a sua estadia em Portugal, no ano de 1999, quando veio ao nosso país, por alturas do Dia Mundial do Xadrez, numa acção enquadrada no PDX da Câmara Municipal de Lisboa.
Mariana Pinheiro conversou com João Serra Pereira,responsável pelo evento da vinda do ex-campeão a Portugal, que deixou de jogar no início dos anos 90, onde ouviu algumas histórias curiosas, porventura menos conhecidas.
Pode ler-se no artigo que
Mas o ponto alto do evento foi quando jogou contra 20 jovens em simultânea. Uma delas chamava-se Ana Baptista [a actual bicampeã nacional feminina]. «Ele, que era o melhor do mundo na altura, estava muito tenso. Saiu do hotel muito contido, o que é estranho. Ia defrontar só crianças».
E, mais adiante,
João Serra Pereira contou ao i que o Pavilhão Carlos Lopes «estava repleto», que «era lindo de se ver» e que «impunha respeito». Era uma altura e que o xadrez ainda tinha uma expressão considerável e era jogado por muita gente dos 8 aos 80.
Não deixa de ser curioso que o xadrez se jogue num tabuleiro com regras – em que a execução de um lance que não respeite qualquer regra é logo penalizado podendo em certas situações levar à perda da partida – e os seus dirigentes, (não todos), conhecendo, e, até mesmo, aprovando o normativo estatutário e regulamentar da modalidade, sejam os menos preocupados em cumprir e fazer cumprir a lei.
Será que no xadrez actual não há legalidade, mas legalice – o oportunismo elevado a forma de lei?
I
Durante o processo e mesmo na sequência da aprovação dos estatutos da FPX tive a oportunidade de ir alertando para a ilegalidade de determinadas normas estatutárias à luz das disposições legais e constitucionais em vigor, designadamente, o regime jurídico das federações desportivas e o regime de acesso e exercício da actividade de treinador.
Por diversas vezes fui escrevendo no blogue, alertando para a reiterada ilegalidade por parte dos órgãos dirigentes federativos das disposições legais, estatutárias e regulamentares.
Nem as próprias normas estatutárias e regulamentares que aprovaram se permitem cumprir e fazer cumprir. Campeia o arbítrio e a impunidade no seio da FPX. Provavelmente, a única excepção residirá no Conselho Fiscal que, pelo menos, ousou alertar para a falta de transparência na forma da apresentação das contas da Federação. (É claro que esta palavra não consta da acta da assembleia geral onde foi proferida. Vá-se lá saber porquê?!).
Um recurso enviado tempestivamente (5.Nov.2009) para o Conselho de Justiça não foi decidido. O presidente do C.J. demite-se a 9/11. O presidente da Mesa da AG “cessante” ignora-o quando tomou conhecimento da existência de um recurso no próprio dia (em 5.Nov), através de cópia da carta enviada para o C.J..
Nunca fui convidado a responder em qualquer processo disciplinar por denunciar o que escrevo no blogue. Seria, em boa verdade, um processo instaurado à liberdade de expressão no seio da FPX.
Nunca fui desmentido nos factos e situações descritas qie não fora provados.
Apenas, tenho sido brindado com os mais diversos adjectivos pelas chamadas de atenção para estas situações.
II
Foi com serenidade que aguardei o contacto da Procuradoria da República convidando a FPX a alterar os estatutos, conformando-os com as disposições legais em vigor.
Por isso, o ofício do magistrado do Ministério Público não constituiu uma novidade em si mesma, sobretudo, para quem sabia o que a FPX havia aprovado. Era aguardado.
III
Eu próprio elaborei um documento onde analisei as ilegalidades encontradas à luz dos normativos em vigor, em especial, o regime jurídico das federações desportivas e a constituição da república.
É um documento que estava previsto entregar hoje ao magistrado encarregado do processo aberto na Procuradoria da República..
IV
É despiciendo pretender o conhecimento imediato das normas que invoco, passíveis de censura legal e constitucional, se a vontade sincera de alterar não existe.
Nunca antes da chegada do ofício do Procurador Geral Adjunto alguém reconheceu qualquer ilegalidade. Depois da chegada do ofício, o interesse (ou a curiosodade?) só existiu enquanto não era conhecido o conteúdo do ofício que estaria destinado a permanecer num qualquer bolso, como aconteceu há cerca de 2 anos e meio.
Seria com muito gosto que entregaria o documento que redigi, mas o interesse em o receber não existe, como é publicamente patente. Nem o ofício do Ministério Público a FPX entendeu divulgar, por sua iniciativa…
A seu tempo, será dada divulgação do requerimento apresentado ao Procurador da República Adjunto - acompanhado, se for caso disso, do despacho que, sobre o mesmo, for emitido.
Em caso de entendimento divergente sempre será possível uma reanálise por parte da hierarquia daquela magistratura.
É, pelo menos, essa a certeza que os leais servidores de Themis podem assegurar aos súbditos de Caissa.
ne quid nimis
Post Scriptum
(1) Eu sei que há quem não acredit(av)a nas ilegalidades dos estatutos e regulamento eleitoral – como se o problema fosse de crença – mas que as há, há!
(2) A propósito, o prazo legal dado pelo Ministério Público que para aprovar as alterações aos estatutos termina no dia 11 de Janeiro de 2010.

Por detrás da máscara do Zorro estava a alma da Justiça. Como todos os bons heróis, teve de se disfarçar para conseguir que o bem vencesse o mal. Não ficou só: quase sempre a Justiça teve de se disfarçar para conseguir parar os que têm da moral e da ética um conceito muito vago.
É curioso como a Justiça, hoje em dia, passado o mundo da ficção onde Batman ou o Fantasma evoluíram, tem de continuar a mascarar-se. O fascinante caso ”Face Oculta” mostra como a Justiça se tornou um jogo de bastidores, um rendilhado de poderes de casta, um discurso feito para dentro e não para sociedade.
A pose do presidente do Supremo Tribunal de Justiça e a sua difícil relação com as palavras claras são o símbolo de um novo tipo de Justiça. Aquele que já não tem nada a ver com o que se passa na sociedade e que vive fechado numa daquelas torres que povoam o mundo de Tolkian.
A Justiça vive hoje no círculo do poder que já não tem a ver com o mundo real. Alimenta-se dum mundo burocrático, onde as regras são mais importantes do que os acontecimentos.
O mundo do presidente do STJ é uma bola de cristal de vírgulas, prazos e parágrafos. Pouco tem a ver com a Justiça, como os pobres terrenos esperam das sumidades que criaram leis que já ninguém entende. Quem domina o poder do léxico tem as rédeas da Justiça em Portugal. É por isso que ela, hoje, é o mata-borrão, das esperanças da sociedade portuguesa.
O mundo é semelhante ao Senhor dos Anéis, onde os Hobbits são desconhecidos.
Fernando Sobral, em O Pulo do Gato, em Jornal de Negócios, 18 Nov 2009

A FIDE consagrou o dia 19 de Novembro como o Dia Mundial do Xadrez. Foi o dia em que, no ano de 1888, nasceu o inesquecível José Raul Capablanca, campeão mundial de xadrez entre 1921 e 1927.
Capablanca chegou a estar vários anos seguidos sem conhecer o sabor da derrota.
No sei match contra Alekhine, 25 das 34 partidas terminaram em empate, um resultado que Capablanca previu como inevitável atendendo à profundidade dos conhecimentos dos grandes-mestres.
Então, para evitar o desinteresse pelo jogo propôs aumentar o tabuleiro de 10×8 e acrescentar 2 nova peças para cada lado, um arcebispo (movimento combinado de Bispo e Cavalo) e um chanceler (movimento combinado de Torres e Cavalo).
Nesta variante seria possível dar mate ao rei com o arcebispo sem qualquer ajuda (em qualquer um dos quatro cantos do tabuleiro).
António P Santos, em DN, 19 Novembro 2009
Parabéns à Academia de Xadrez da Benedita pelo 4º aniversário.
Pode uma construtora ter algo em comum com um clube xadrez? Por incrível que pareça, sim! Planejar, projectar e construir requer muito planeamento e concentração, assim como o jogo de xadrez. Um desporto que, além de desenvolver o raciocínio lógico induz seus praticantes a exercerem modelos de planeamento táctico e estratégico, que são muito úteis na vida pessoal e profissional.
Por valorizar os benefícios do xadrez para vida pessoal e profissional de seus praticantes, a construtora curitibana Conceito e Moradia, conhecida por suas acções nas áreas de preservação ambiental e de acessibilidade na construção civil, tem dado apoio ao xadrez local. «As pessoas que jogam xadrez têm habilidades ligadas ao empreendorismo, e com isso mais chances de uma boa colocação no mercado de trabalho», afirma o director da Conceito e Moradia, Eurico Borges dos Reis. «Além disso, o xadrez é um desporto altamente inclusivo, que pode ser praticado em qualquer idade e por qualquer indivíduo, propiciando também o encontro de gerações apaixonadas pelo desporto», diz.
A equipa que leva o nome da construtora participou, entre os dias 6 e 8 deste mês, do Torneio Interclubes Brasileiro de Xadrez, que contou com a organização de Carlos Callero, árbitro internacional de xadrez, e conquistou o terceiro lugar na competição. «É a primeira vez que apoiamos o time e já tivemos um óptimo retorno», diz Borges. Entre os jogadores da equipe estava Sandro Mareco, de 22 anos, Mestre Internacional de Xadrez, com duas normas de Grande Mestre e outros diversos títulos internacionais.
O Xadrez no Paraná
O xadrez como projecto educacional tem auxiliado no desenvolvimento de crianças, jovens e adolescentes paranaenses. Mais de 300 mil estudantes jogam xadrez. 80% deles estão em escolas estaduais [públicas], que introduziram o desporto na estrutura curricular.
Cerca de mil escolas estaduais tem acesso ao servidor da Universidade Federal do Paraná (UFPR) para acesso ao sistema de ensino. É uma actividade extra-curricular atraente e que promove a integração social entre os jovens e adolescentes e ainda auxilia no processo pedagógico: apoia a autonomia intelectual e promove a participação nas salas de aula.
Na fotografia, a equipa de xadrez da Conceito e Moradia. Podem ver-se da esquerda para a direita, Leo Pasqualini de Andrade, 47, Analista de Sistemas, Ulisses Kaniak, 39, Engenheiro Eletrônico, Eurico Borges dos Reis, 57, Engenheiro Civil, Sandro Mareco, 22, Mestre Internacional de Xadrez, Israel Krueger, 28, Engenheiro Elétrico e Gilberto Stein, 19, estudante de administração de empresas.
Lido em Panashop.
A falta de meios desportivos na Associação Provincial de Xadrez tais como tabuleiros e peças compromete a massificação da actividade no seio dos jovens na província da Lunda Norte.
Em declarações à Angop, o dirigente desportivo manifestou que a falta destes, incluindo, apoio financeiro neste momento no seu órgão, condiciona igualmente o projecto de expansão de xadrez este ano noutras localidades. Chitato é a única região, dos nove municípios que compõem a província, onde se pratica a modalidade.
Deplorando, disse que não recebe apoio da federação angolana desde o ano transacto, tendo considerado de incipiente os tabuleiros existentes, sem adiantar o número.
No seu entender, além de contribuir na melhoria dos níveis competitivos dos praticantes, o apoio iria impulsionar os jovens para a prática da modalidade, em prol do desenvolvimento da província em geral. Por outro lado, o dirigente desportivo aconselhou, na ocasião, as jovens locais para terem o gosto pela actividade, garantindo que vai continuar a envidar esforços com vista a manutenção do facto na região.
A Direcção Geral dos Desportos (DGD) estabelece o dia 30 de Dezembro, como prazo, para as federações desportivas procederem à apresentação do balanço das actividades desenvolvidas durante o ano em curso e a execução financeira, bem como o plano de actividades referente ao novo contrato-programa, com vista a obtenção de meios financeiros para o desenvolvimento de acções para o ano de 2010.
A DGD considera que há condições para a apresentação desses instrumentos de gestão por parte das Federações, na medida em que as Associações Regionais já iniciaram a programação para a época de 2009/2010.
Lido em Expresso das Ilhas.
António, o implume tem um blogue – em livro [sobre o prelo a alma. Os deuses debruçam-se. A obra nasce.] – e escreve, sobretudo, escreve, escreve sobre jogadores de xadrez.
O último, que mereceu a honra da sua escrita foi um tal Dr. Alekhine.
Mas, leiamos a história deste
O jogador de xadrez (I)
Alekhine sentiu o frio da manhã esgatanhar-lhe a cara. Era a
forma de Coimbra lhe dar os bons dias. Ergueu os olhos em busca do sol, que sabia escasso naquela manhã de Maio, tinham-no avisado que o interior português era mais apagado, no sol e na vida. Só o frio parecia desafiar a pacatez de um país tranquilo pendurado no fim da Europa, pequeno rebordo de Espanha. Um país esquecido pela guerra.
As cidades pareciam-lhe todas iguais, surgiam-lhe sempre debruçadas sobre um rio em declives acentuados. Não existiam cidades planas neste país e nenhuma dispensava o seu rio. A tão pouco chegava o seu conhecimento sobre a terra que o acolhia já há alguns meses. Teria de optar por tomar uma caleche ou por meter as pernas rua acima até ao grémio literário.
O porteiro do hotel aproximou-se solícito:
- Doutor, peço-lhe uma caleche?
Os portugueses eram cordatos com os estrangeiros ou com quem, pela sua postura e forma de vestir, se insinuava pertencer a uma classe superior. Apesar de cultivarem uma humildade salobra, os portugueses mantinham o orgulho de quem dera novos mundos ao mundo, e não aceitavam colocar-se ao serviço de qualquer um, por isso a fasquia fixava-se de doutor para cima. E assim, Alekhine era o senhor doutor, seria um príncipe exilado se insistisse.
A história e o prazer da sua leitura continuam… em livro.
O MI António Fróis informa, na sua página pessoal, que vai efectuar uma conferência para comemorar o Dia Mundial do Xadrez, cujo tema será o ex-campeão mundial de xadrez José Raul Capablanca,
Está a ser preparada uma vídeo-
conferência de duas horas, comemorativa do dia mundial do xadrez, prevista para as 17 horas do dia 19 de Novembro de 2009.
Será transmitida a partir do estúdio da FCCN-Fundação para a Computação Científica Nacional. Estão para já previstos 3 pontos de acesso, no Porto, na Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto, em Aveiro, na Universidade de Aveiro e nos Açores.
Poderão existir outros pontos de acesso, neste caso deverão contactar a FPX através de fpx(at)fpx.pt.
A FPX, por seu lado, informa que a vídeo-conferência será «pela primeira vez transmitida em sinal aberto, em alta definição em http://wms.fccn.pt/fpx_hd e via internet http://wms.fccn.pt/fpx».
O programa das Unidades de Policia Pacificadora (UPP) do Rio de Janeiro não conseguiu acabar com o tráfico de drogas onde foi instalado, mas fez com que os criminosos deixassem de exibir seus crimes de forma ostensiva nas comunidades. Na avaliação do coordenador das UPPs, coronel José Vieira de Carvalho Júnior, os traficantes mudaram de comportamento nas cinco favelas onde foi instalado o programa. «Os bandidos já não ficam circulando com fuzis. E a comunidade já esta começando a confiar mais e a fazer denúncias», afirmou.
Depois de quase um ano da instalação da primeira UPP, na favela Santa Marta, em Dezembro de 2008, a Secretaria de Segurança Pública (SSP) ainda não tem levantamento que mostre queda de ocorrências criminais nas regiões ou aumento de prisões, mas, segundo a SSP, a meta principal – aproximar as comunidades da polícia e devolver os territórios à população – está sendo cumprida.
Conforme pesquisa feita em Maio pela Fundação Getúlio Vargas na favela Santa Marta, 58,38% dos entrevistados têm a percepção de que a segurança pessoal e da família aumentou. Na Cidade de Deus, o índice foi de 63,58%. O programa também está presente no Jardim Batam, Chapéu Mangueira e Babilônia. Somadas, as cinco correspondem a 10% das comunidades que vivem em favelas, segundo a SSP.
Os desafios do trabalho vão da aceitação pacífica dos traficantes à presença da PM à desconfiança da população e ao número reduzido de policiais preparados para exercer a função. Falta de pessoal capacitado – policiais recém-formados com especialização em direitos humanos e policiamento comunitário – segundo a SSP, é a maior dificuldade. (…)
Apesar das dificuldades, a secretaria considera o projeto bem-sucedido e pretende aumentar o contingente de policias em 3,5 mil policiais nas UPPs até o fim de 2010. Além das cinco favelas onde está instalado o projeto, um estudo analisa a ampliação para outras 100 comunidades. A idéia é de que uma UPP grande possa atender até 10 favelas. (…)
Essa intermediação que os policiais fazem entre os moradores e outros órgãos é normal, na opinião do coronel José Vieira de Carvalho Júnior. «A população não precisa só de polícia, mas de mais creches, escolas, ensino profissionalizante. No Santa Marta, o cabeamento de luz esta sendo refeito, as ruas, recadastradas. A conta de telefone não vai mais chegar na rua A ou B. A rua terá nome e isso é um início de cidadania», afirmou.
Ler a reportagem da jornalista Mariana Canedo, em Terra.