A «face descarada» do futebol. E a do xadrez?
O Dr. Dias Ferreira, advogado e presidente da Liga de Futebol Não Profissional escreveu um artigo na edição do Record de hoje que constitui uma verdadeira pedrada no charco.
Não é novidade, mas é mais uma voz que desassombradamente diz aquilo que pensa, livremente, alheio aos poderes instituídos.
É um mal amado no futebol? Pois que seja.
Mas o país que gosta de futebol e não de trafulhice aprecia. O país que defende a legalidade e não a legalice agradece.
A palavra ao Dr. Dias Ferreira
Face descarada
Dizia eu, no meu escrito do passado sábado, que, há cerca de um ano, ou, mais propriamente, em 31/12/2008, foi publicado no Diário da República, o Decreto-Lei nº 248-B/2008, que estabelece o regime jurídico das federações desportivas e as condições de atribuição do estatuto de utilidade pública desportiva, o qual, no seu art. 64º (disposição final e transitória), impõe às federações um prazo para adaptação dos estatutos – prazo esse já ultrapassado pela FPF, sem que nada tivesse acontecido. Digo agora que, no próximo dia 16 de Janeiro, faz três anos que foi publicada a Lei de Bases da Actividade Física e do Desporto, aprovada na Assembleia da República, na sequência de uma discussão que teve o seu ponto alto com o Congresso do Desporto. Pergunto e gostaria que me respondessem com sinceridade, se, na prática, alguma coisa mudou, não obstante, importantes princípios teóricos que foram introduzidos naqueles diplomas legais?
Um dos princípios consagrados, o princípio da ética desportiva – «a actividade desportiva é desenvolvida em observância dos princípios da ética, da defesa do espírito desportivo, da verdade desportiva e da formação integral de todos os participantes» – só parece ser lembrado para justificar a censura às críticas que se fazem aos agentes do poder desportivo, ma que logo é esquecido na hora de punir os criticados! Infelizmente, a todos os níveis da sociedade, se instalou o princípio – e não há lei que lhe valha – de que os prevaricadores têm de ter todas as garantia e direitos e as vítimas que esperem, porque todos nós tivemos de esperar para nascer, pelo menos, nove meses. Alguns morrem, e continuam a esperar!…
A assembleias gerais das federações, designadamente, a da FPF, continua a ser a assembleia nacional do antigo regime, completamente indiferente ao estabelecido na Lei – «nas assembleias gerais das federações desportivas, ligas profissionais e associações de âmbito territorial não são permitidos votos por representação. Mas que importa? A democracia pode esperar, pois já esperou quarenta anos, por que não, no futebol, esperar outros quarenta? Já estamos perto, pois o 25 de Abril já foi há mais de 35!…
Nada disto importa, porque isto não vende. O que importa são os grandes eventos, as grandes realizações. O que importa são os grandes estádios, para dar pasto às moscas! O que importa é ser parceiro (vá lá…) da organização de um mundial de futebol, independentemente de cumprir ou não os requisitos mínimos de utilidade pública desportiva. Por que não organizar então um mundial de folclore, onde o primeiro lugar é garantido?
Esta semana, porém, uma notícia encheu de orgulho o futebol, pelo que significa relativamente ao progresso deste sector da sociedade: desencadeou-se a operação “face oculta”, que envolve a política e os negócios. Há muito tempo que a face do futebol é descarada!…
Nota: Os sublinhados são do Ala de Rei.
Excelente artigo do Dr. Dias Ferreira!
As aparências iludem ou talvez não. O xadrez está assim tão
diferente do futebol? Alterou os Estatutos e aprovou um Regulamento Eleitoral. E depois? Quando se cumpre o que lá está escrito? Quando convém!
Desde que a actual Direcção da FPX foi eleita que tomou prática deixar de cumprir disposições legais, estatutárias e regulamentares. Esta é uma verdade insofismável que ninguém desmente.
Aliás esta situação foi uma das razões de ter surgido o Projecto Gambito.
A ilegalidade na Federação Portuguesa de Xadrez – qual vírus – continua à solta!
Gostaria de ser desmentido.
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