Ala de Rei

a opinião e a crítica sobre a legalidade e a justiça no xadrez e no desporto em geral.

Eleições directas no xadrez do Ceará? E, para quando, em Portugal?

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Fernando Alves Lessa, Presidente da Federação Cearense de Xadrez (FCX), publicou no blogue do Xadrez Cearense News, um artigo sobre as “eleições directas”  na FCX.

O artigo, debruçando-se sobre a realidade brasileira no estado do Ceará, é igualmente oportuna em Portugal, numa altura em que o xadrez nacional se encontra num período pré-eleitoral para as eleições de Delegados à Assembleia Geral da FPX.

Eleições Diretas: Viabilidade ou Utopia?

Eu acredito que a palavra chave para mudanças políticas é a PARTICIPAÇÃO. O que parece impossível pode se tornar realidade se houver união, determinação, compromisso com o coletivo e acima de tudo, participação. Estes foram alguns dos sentimentos que impulsionaram o movimento popular por eleições diretas no Brasil para Presidente da República no início da década de 80. Ainda que analogicamente passamos longe dessa realidade quando o assunto é eleições diretas para os poderes da Federação Cearense de Xadrez. Talvez, ao invés do movimento se chamar “Diretas Já“, fosse chamado de “Eleições Participativas”, até porque não vivemos num regime ditatorial na FCX, já que seus poderes são eleitos democraticamente pelos presidentes dos clubes filiados.

Ideologicamente falando, a realização de eleições com a participação de todos os jogadores é fantástico, pois fortalece a democracia e estimula a participação popular nos processos decisórios. No entanto, estamos falando de uma modalidade ímpar com inúmeras carências. Não podemos ser levianos e temos que levar em consideração as conseqüências de uma mudança tão radical. Diversos aspectos devem ser amplamente discutidos para se chegar à conclusão da viabilidade ou não da implantação desse processo. Senão, vejamos:

Quem terá direito a voto? Haverá urnas em todas as cidades (o Ceará tem 184 municípios, imagina o tamanho da estrutura necessária para essa eleição)? Se não houver urnas em todas as cidades, como será garantido o direito do voto dos jogadores desses municípios? Como será garantida a inviolabilidade do processo? Quem poderá ser candidato? O voto será direcionado a uma chapa completa ou a um candidato (por exemplo, o eleitor escolheria cada membro separadamente: presidente, tesoureiro, etc.)? De onde virão os recursos para pagar a estrutura da eleição (mesários, cédulas eleitorais, transporte, alimentação, segurança, etc.)? Como serão as urnas? A votação será simultânea em todas as cidades? Quais serão as regras para a campanha dos candidatos? Qual a idade mínima para votar e ser votado?

Estes e outros questionamentos que poderão surgir no processo de discussão não podem ser ignorados. Enquanto presidente da Federação Cearense de Xadrez sou absolutamente favorável ao debate, para que possamos identificar como garantir a estrutura logística e financeira para tal mudança. O debate sem dúvida enriquece e instiga as pessoas a se importarem com os rumos da instituição e isso é o desejo de qualquer dirigente responsável: que as pessoas se importem e que contribuam para o crescimento da entidade através da sua efetiva participação.

Não basta falar, é preciso agir! Considero equivocada a atitude de qualquer pessoa em afirmar ser a favor de uma mudança desse porte sem antes promover uma ampla discussão. Como podemos nos posicionar contra ou a favor de algo que não conhecemos? Vamos sim debater profundamente esse tema, isso é legítimo e tem meu apoio.

É importante ressaltar que hoje o processo de eleição dos poderes da Federação é absolutamente legitimo e legal, pois está respaldado pela legislação vigente e que qualquer mudança deve passar antes por uma reforma estatutária, respaldada pela Assembléia Geral, órgão máximo da entidade.

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