Ala de Rei

a opinião e a crítica sobre a legalidade e a justiça no xadrez e no desporto em geral.

E o patrono não precisou caminhar na chuva…

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A manhã ensolarada desta sexta-feira foi perfeita para receber o patrono da 22ª Feira do Livro, Charles Kiefer [c) fotografia de Maíra Kiefer]Charles Kiefer. Às 10 horas ele compareceu no palco principal do evento, na Praça Getúlio Vargas. Minutos antes havia perdido, de forma arrasadora, uma partida de xadrez para o bibliotecário Jair Teves, da Biblioteca Municipal Elisa Gil Borowsky. Se isso servir de consolo ao patrono: Teves é um profissional, não é fácil vencê-lo no xadrez. Durante cerca de uma hora, Kiefer conversou com o público de várias idades que veio prestigiá-lo. Começou pedindo desculpas por chegar quase no final da feira – que se encerra neste domingo – e contou que a vida de professor não lhe reserva muito tempo livre. «Dou aulas de segunda a sábado, como a grande maioria dos educadores», ressalta ele, que leciona na PUC/RS.


Aos 50 anos, o consagrado autor de Caminhando na Chuva e Quem Faz Gemer a Terra, vencedor de três prêmios Jabuti (o maior da literatura brasileira), anda cheio de projetos.  Está prestes a lançar seu primeiro livro infantil, A Revolta das Coisas. E garante que é mais difícil escrever para crianças do que para adultos. «A criança, quando não gosta do livro, te diz na lata: não gostei. Adulto finge». Kiefer aposta mesmo nas crianças, porque os mais velhos estão deixando a desejar. Na universidade, lamenta a falta de entrosamento de seus alunos com a língua portuguesa. «Vou corrigir umas 150 provas neste fim de semana. E sei que vou penar duramente, porque meus alunos não conhecem acentuação nem concordância verbal».


A partir do tema da 22ª edição da feira, «Ler te faz diferente», Kiefer enfatizou a necessidade da literatura para a formação pessoal e profissional. «Para exercer bem qualquer profissão, a pessoa tem que dominar a linguagem. Tem que saber ler e escrever bem». Preocupado com isso, o autor trabalha em um projeto diferente: a criação da Associação do Jovem Leitor. Para isso, vem se reunindo com jovens empresários gaúchos. A ideia é ter uma instituição que estimule a leitura, mediante a doação de livros a bibliotecas e outras entidades.

 

Luís Fernando Ferreira em Gazeta do Sul.

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