O Prof. Jorge Olímpio Bento, catedrático e actual presidente do Cons. Directivo da Fac. Ciências do Desporto e Ed. Física, da Univ. Porto apresentou uma comunicação na Conferência Sistema Desportivo Português: que modelo.
Pela extrema importância para o desporto nacional e para o xadrez em português, permito-me divulgar a sua comunicação, que leva o muito sugestivo título Do Prazo de Validade no Sistema Desportivo Português, apresentada em Gaia, no ano de 2001.
Foi apresentada há sete anos, mas, parece ter sido escrita ontem. Paradoxos do tempo ou estagnação da modalidade?
Não resisto a transcrever uns trechos da comunicação, desde logo, a dar o mote:
O prazo de validade de alguns protagonistas e factores que configuram o actual estado do desporto português está ultrapassado:
Ora só por cegueira, resultante da doença mais grave que é a do corporativismo, se pode negar que o movimento desportivo português não sobressai, no seu todo, por um nível elevado de formação dos seus dirigentes, dos seus quadros e dos praticantes.
Urge entender que o fenómeno desportivo não depende tanto do volume dos orçamentos. E que na contratação dos atletas não pesa apenas a sua valia desportiva, mas são determinantes o seu comportamento cívico e espírito de ambição e conquista, a sua predisposição para uma conduta exemplar.
Poder-se-á falar da caducidade de determinados modelos ou figurinos de administração e organização. Poderá também dizer-se que há gente com demasiado tempo de permanência nos seus cargos e com manifesta falta de competência e abertura para se adaptar às mudanças ocorridas ou em curso no desporto. Poderá supor-se que os jogos, disputas e apetências de poder não se circunscrevem à política e têm igualmente no desporto um campo de culto privilegiado.
Atrevo-me a firmar que precisamos de uma renovação de mentalidades.
Porque hão-de alguns dirigentes eternizar-se nos cargos? Porque não há-de o movimento desportivo estabelecer limites para os mandatos?
(…) porque é que alguns dirigentes têm a língua destemperada e afiada para os outros, mas reivindicam para si a infalibilidade papal, colocando-se acima de tudo e de todos no pedestal da sobranceria e arrogância, como se tivessem um estatuto de excepção que proíbe que sejam objecto de críticas e reparos? Porque lhes falta humildade e sobram gestos de esperteza e lidam a seu bel-prazer com os atletas, com a opinião pública e com os associados, como se a coisa desportiva fosse privada e escondida e não tivessem que prestar contas de nada a ninguém?
Meus caros, foi apenas um aperitivo para avaliarem a excelência deste texto que vos apresento. As suas dezoito páginas lêem-se de um fôlego.
Um documento de reflexão que dispensa mais palavras. De discussão obrigatória!




