Hu Jia recebe Prémio Sakharov 2008. O Parlamento Europeu distingue dissidente chinês
Sábado, Outubro 25th, 2008

Hu Jia, um dos mais conhecidos dissidentes chineses, foi condenado em Abril a três anos e meio de prisão por “incitamento à subversão do poder de Estado”.
Formado em engenharia de informação pela Escola de Economia de Pequim, Hu Jia, 35 anos, de aspecto frágil e carácter enérgico, atraiu a cólera de Pequim ao envolver-se na defesa dos doentes de Sida, ambiente e liberdade de expressão. Numa carta difundida há cerca de um ano sobre os Jogos Olímpicos de Pequim, Hu Jia afirmou que na China “não há eleições, nem liberdade religiosa, tribunais independentes, sindicatos independentes”.
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Hu Jia assistiu às manifestações pela democracia de Tiananmen, violentamente reprimidas na madrugada de 4 de Junho de 1989. Face à violência, explicou em entrevistas, ele tornou-se budista, defendendo a não violência e manifestando a sua admiração pelo Dalai Lama, uma figura detestada pelo regime de Pequim.
«É um budista que não mataria uma formiga, um vegetariano que gosta de proteger o ambiente e defende a vida, um altruísta que se compromete para trazer justiça às pessoas. Ele não é prejudicial para a sociedade, ao contrário dá a sua contribuição de maneira nobre», escreveu a sua mulher sobre ele.
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No seu combate – ao lado da sua mulher Zeng Jinyan, que encontra quando ela era voluntária da Cruz Vermelha – utiliza as novas tecnologias, como a Internet e o telemóvel, não deixando de manter informados os jornalistas estrangeiros da situação dos outros dissidentes. «A China sempre foi uma ditadura», explicou Hu Jia, numa entrevista à agência noticiosa francesa AFP em 2007. «Agora existe uma possibilidade de trazer a democracia a este país pela primeira vez em cinco mil anos de história. É por isso que me sinto privilegiado de viver neste tempo e isso explica o que faço», acrescentou.
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Foi detido antes dos Jogos Olímpicos de Pequim em Agosto e depois, no final de um processo em Abril, condenado a três anos e meio de prisão por tentativa de subversão pelas suas declarações divulgadas na Internet e entrevistas dadas à imprensa estrangeira.
A esposa do dissidente chinês afirmou que a distinção constitui um reconhecimento pela luta de seu marido.
«Acho que Hu Jia ficará muito contente, pois seu trabalho terá recebido o reconhecimento de todos», afirmou Zeng Jinyan, contactada por telefone pela AFP.
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