Recebi de Francisco Carapinha, o Vice-presidente da Associação de Xadrez de S. Vicente (Cabo Verde), instituição a que fiz referência aqui no blogue, a seguinte carta:
(…) Sou leitor habitual do seu blogue, e eu que também já vivi em Odivelas, e que estive alguns anos desligado à modalidade, decidi regressar. Estou a viver há quase 8 anos em Cabo Verde, mais concretamente na cidade do Mindelo, e fui recentemente eleito vice-presidente da direcção da Associação de Xadrez de S. Vicente.
Como um dos objectivos da direcção da AXSV é a divulgação e promoção da modalidade, foi decidido realizar um evento, integrado nas comemorações do aniversário da Associação. Para isso, decidi, com apoio dos restantes membros, convidar o campeão de Portugal, a participar nesta acção. Fui no entanto, apanhado com a polémica da sua participação ou não na selecção olímpica portuguesa. Não poderia deixar-me ficar sem tomar uma posição de apoio aquele que acho que deveria ser um dos elementos dessa selecção, pelo facto enviei-lhe um email, que abaixo reproduzo, e para o qual fui autorizado pelo próprio Ant. Fernandes, a divulgá-lo.
O Francisco Vieira, se achar conveniente, pode divulgá-lo, bem como o convite feito para o Campeão Nacional vir a Cabo Verde.
Sem mais, desde já apresento as maiores saudações escaquísticas.
Francisco Carapinha
Eis a carta que Francisco Carapinha dirigiu, de Cabo Verde, ao GM António Fernandes:
Caro amigo,
E permite que te trate assim.
Nada do que aqui te escreverei terá a ver com a minha posição pessoal nem com o convite que te enderecei para vires a Cabo Verde.
Estava longe de imaginar que, ao seres Campeão de Portugal (pela 12.ª.vez), uma polémica acerca da selecção olímpica, te iria envolver, porque para mim, qualquer campeão nacional deve fazer, SEMPRE, parte da selecção do seu país.
O seres Campeão de Portugal, logo um dos campeões da CPLP, permitiu-me a liberdade de te convidar para vires a Cabo Verde fazer uma divulgação e promoção da modalidade.
Quem me conhece, percebe e sabe identificar a minha escolha, e sabe também o motivo porque te escolhi, para apadrinhares Cabo Verde, actualmente o meu país de acolhimento, na divulgação da modalidade que me é tão querida, não só em S. Vicente como nas restantes ilhas.
Sei que este país, que não é o teu, nem o meu, mas sei também que te esperam para demonstrares uma única coisa: “O Xadrez é nosso”, nunca dos bravos ignorantes.
E se as coisas não correrem tão bem como isso, sei também, para vergonha de algumas personagens (que se auto identificam com o xadrez), que na próxima olimpíada, nos poderemos unir, e quem sabe, representar outro país, que também fale a língua de Camões.
Portugal, necessita de saber quem são os elementos necessários à construção, reafirmação e identificação do país, mas certamente não necessita dos bravos ou bravíssimos que se aproveitam dos cargos que ocupam para nos quererem fazer passar por parvos.
O xadrez é uma arte, um desporto e uma ciência, que nós, e permite António Fernandes, que me chegue à tua grande dimensão, deveremos defender, como pessoas de bem.
Um abraço amigo
Francisco Carapinha
Vice-presidente da Associação de Xadrez de S. Vicente (Cabo Verde)
Sem palavras: GENS UNA SUMUS


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