A pergunta começa a fazer todo o sentido. Lembram-se das Teses para alterar o xadrez nacional e da Carta Aberta à Federação Portuguesa de Xadrez que escrevi em Maio? Já não sou só eu a dizer e escrever que a FPX anda a brincar com o xadrez. Mas continua a existir autismo na principal estrutura associativa do xadrez nacional, a FP Xadrez. Isto vem a propósito do email que recebi - eu e mais 224 pessoas! - de José Carvalho do seguinte teor:
Boa noite a toda a comunidade xadrezistica.
Há uns tempos atrás enviei um email com o seguinte doc “selecções-1″, com perguntas e dúvidas a serem esclarecidas, infelizmente e ao contrário da FPX, houve muitas respostas mas continuaram algumas dúvidas muito pertinentes.
Caros xadrezistas, quem não deve não teme e como tal não havendo segundas intenções por parte desta direcção qual seria o problema em esclarecer e clarificar o motivo das decisões tomadas ?
Pois é, hoje mesmo, com a ajuda de muitos participantes, penso que estamos à altura de dar o devido esclarecimento, com as respectivas perguntas e respostas, aquelas às quais a Direcção da FPX se escusou a responder, ignorando toda a comunidade, ver o doc “selecções-2″.
Por uma FPX isenta e consciente, para todos os xadrezistas,
Cumprimentos,
Em anexo, José Carvalho apresenta dois documentos muito importantes sobre os critérios de escolha das duas selecções olímpicas, absoluta e feminina. Porque nem toda a comunidade xadrezista teve acesso ao email e deve participar na discussão pública deste assunto, já iniciada, aliás, no fórum Lusoxadrez e na Carta Aberta a Maria Armanda Plácido, apresento, de seguida, o Doc selecções-1:
Agora que terminou o XXXI Campeonato Nacional Feminino com a brilhante vitória da Ana Baptista, a quem devemos felicitar.
Penso ser o momento certo, sem pressões das atletas para evitar eventuais desculpas sobre um torneio menos feliz, para relembrar a informação pertinente que a AXP escreveu no seu site à alguns dias atrás:
“FPX acaba de anunciar a constituição das selecções nacionais, absoluta e feminina, que representarão Portugal na 38ª Olimpíada, a decorrer entre 12 e 25 de Novembro em Dresden, na Alemanha. O anúncio é efectuado sobre o limite dos prazos da FIDE, antes da conclusão do Campeonato Nacional Feminino de 2008, não levando em consideração as participações das jogadoras no mesmo para efeito de cumprimento de critérios de selecção, o que terá afectado fortemente a escolha da 5ª seleccionada, a jogadora suplente.”
É necessário perguntar à FPX ou a quem de direito, porque é que não se leva em consideração para a elaboração da selecção feminina a participação das jogadoras no último campeonato nacional para efeito de cumprimento de critérios de selecção.
E a verdade, é que não parece ser este nada menos importante… ou será?
Será que existem diferenças de critério entre as selecções absoluta e feminina?
Se não, então porque é que os Torneios de Mestres e Honra, provas disputadas há poucos dias atrás, entram para efeitos da contabilização nesses critérios e o Campeonato Nacional Feminino, apenas a prova mais importante do xadrez feminino já não?
Ou o objectivo é levar sempre os mesmos jogadores?
Será que têm lugar cativo? Para isso têm que o demonstrar no tabuleiro.
E a verdade é que a única forma para se provar quem são os melhores é contabilizando todas as provas em que participam, porque não?
Gostaria de perceber o porquê destas decisões, se o objectivo principal é ou não levar a melhor equipa.
Apresento de seguida, o Doc selecções-2:
Em primeiro lugar e com o devido respeito também aqui devemos felicitar o António Fernandes pela forma brilhante como ganhou o recente Campeonato Nacional Absoluto, a quem damos desde já os nossos parabéns.
Mas a realidade é outra e bem diferente pois então, senão vejamos:
Alguém duvida de que o António Fernandes e o Diogo Fernando têm lugar e devem integrar a selecção nacional absoluta?
Acabaram de tirar a “prova dos nove” há poucos dias atrás não foi?
Se ninguém duvida então devemos questionar a Direcção da FPX o porquê da sua exclusão, a quem a mesma irá dizer… blá, blá, blá, …blá, …blá, … que existem regulamentos e de acordo com os mesmos eles não estão seleccionáveis.
Meus amigos, pois é mas o regulamento também diz que deve ser respeitado o último campeonato nacional que antecede a olimpíada, aquando da inscrição na mesma, porquê então, não respeitar o último campeonato nacional uma vez que as inscrições terminam segundo informação transmitida no dia 12 do corrente mês.
Porquê, porquê…?
Porquê meus amigos, a própria FPX não respeita os regulamentos, porquê?
Pois é, essa é que é uma grande verdade, senão e relembrando o email enviado anteriormente onde se questionava o porquê de tanto interesse em contabilizar os Torneios de Mestres e de Honra disputados em Julho passado e não o Campeonato Nacional Feminino, recordam-se?
A verdade vem sempre ao de cima quer queiramos quer não e graças à informação que uma senhora nos transmitiu podemos aqui esclarecer o porquê desses critérios selectivos, os quais têm nada mais nada menos a ver com o benefício de um xadrezista por coincidência pertencente ao clube do actual presidente da FPX o F.C. Barreirense.
É exactamente devido aos polémicos regulamentos das selecções, elaborados pela própria Direcção da FPX, que a mesma veio à última da hora informar que os Torneios de Mestres e de Honra também deveriam integrar essa contabilização baseando-se no simples facto de que esses torneios era para terem sido disputados uns meses antes.
Pois “era para terem sido disputados” Sr. Presidente como diz e muito bem mas não foram, há muitas coisas que a FPX era para fazer e ainda não fez e de acordo com os regulamentos que vocês inventaram, só devem ser contabilizados os torneios disputados até ao dia 30 de Junho e não posteriormente, foram vocês que inventaram esses regulamentos, não foram?
O que acontece é tão simples quanto isto, o jogador Sérgio Rocha, de acordo com esse regulamento ridículo não tem o nº de partidas suficiente se não for contabilizado o Torneio de Mestres o que deixaria o jogador fora da selecção mas, com a esperteza do Sr. Presidente ou da Direcção da FPX, validando esse torneio, esse problema está ultrapassado.
Independentemente do jogador Sérgio Rocha que também tem o seu valor e está mais dedicado ao ensino, integrar ou não a selecção parece mais secundário, no entanto existe alguém mais empolgado, ou com mais interesses, na sua participação do que o próprio jogador.
Em conclusão a FPX tem dois pesos e duas medidas, pois se para a selecção absoluta, alteram-se os regulamentos como quem “dá cá aquela palha”, para a selecção feminina o mesmo já não se verifica e o que é mais caricato é que em situação semelhante para decidir a 5ª jogadora se encontram as jogadoras Sara Afonso ou Bianca Jeremias, as quais só não integram a selecção porque não têm as partidas necessárias de acordo com o mesmo regulamento, sendo no entanto contabilizado o recente Campeonato Nacional Feminino qualquer uma delas já poderia integrar a selecção nacional feminina. E o caso da Mariana Cortinhas ou de outras jogadoras em situação semelhante, que pelo simples facto de não poderem participar nos respectivos nacionais por questões económicas, em virtude dos mesmos serem quase sempre disputados nos mesmos locais ou em cidades bastante longínquas, embora seleccionáveis ficam excluídas pela clausula do regulamento que obriga à participação de um dos dois últimos campeonatos nacionais. A FPX já pensou por acaso neste problema?
Apesar de em tempos passados, os actuais dirigentes, criticarem outros por atitudes menos incorrectas que a estas que agora assistimos, convém lembrar-lhe Sr. Presidente, agora que ocupa esse lugar, um lugar de decisão, eleito por aqueles praticantes que gostam desta modalidade, que para se representar um país deve-se levar sempre que possível a melhor selecção e não alguém que nos apetece por conveniência ou como prémio de favores. Para esses, mesmo infelizmente como assistimos variadíssimas vezes, serviram incorrectamente os lugares de capitão de equipa como você sabe.
Segundo as informações que possuo, o Instituto Nacional do Desporto gostará de saber que a Direcção da FPX trabalha com isenção, transparência e cumpre as regras do jogo. Por isso mesmo Sr. Presidente, penso que a única saída para este “imbróglio”, em vez de se fazer notar essa autoridade de quem diz, eu quero, posso e mando e deixar esse egocentrismo e as hipocrisias mesquinhas, bem como interesses particulares, para bem da modalidade que praticamos, faça um “Mea Culpa”, reconheça os seus erros antes que seja tarde de mais, pois ainda está a tempo de corrigir esta embrulhada criada por “vocês”, uma vez que o dia 12 de Setembro ainda não foi ultrapassado (mesmo que fosse também não haveria qualquer problema junto da FIDE ou Organização da prova, as quais sempre aceitaram trocas mesmo no dia anterior ao início da mesma), como todos nós sabemos e antes que mais alguém de direito venha a tomar conhecimento das “vossas atitudes” a bem do desporto nacional, pois nós só queremos as melhores selecções para representarem o nosso país condignamente.