
Damiano Portogese, Qvesto libro e da imparare giocare a scachi et de le partite, 1512, Roma (© Koninklijke Bibliotheek – National library of the Netherlands)
Encontrei este fim de semana a passear por Lisboa, Carlos Moysan, velho amigo do Direito e do Xadrez, que desde alguns anos se encontra a viver nos Açores. Quando soube que ia sair um livro sobre Damião, lembrou-se da conversa que havíamos tido perto do Natal de 2006, na última vez que nos vimos em Lisboa, onde lhe havia referido que me encontrava a traduzir a obra de Damião e perguntou-me se era a minha tradução.
Na realidade, encontro-me, desde 2005, a efectuar a transcrição paleográfica e a tradução para português da edição princeps, impressa em Roma, no ano de 1512. Pretendo publicá-la próximo de 2012, data em que se comemora o 500º aniversário da publicação original desta obra de Damião, em Roma.
De facto, dei conhecimento no meu perfil no blogue Ala de Rei na devida altura.
Fui, por isso, surpreendido quando tomei conhecimento, em Abril deste ano, da existência de uma edição portuguesa da obra de Damião, a editar por Nuno Sá.
Nunca poderia acusar o tradutor português de plagiar a minha ideia, como ridiculamente fui acusado há algum tempo a propósito da Associação de Jogadores de Xadrez. Constato apenas que existem duas traduções para publicação da mesma obra. Um luxo, no nosso meio editorial e xadrezístico.
Como o que pretendo fazer exige cuidados especiais, em particular, uma correcta transcrição paleográfica, e posterior tradução para português do original em italiano e espanhol, o projecto não tinha qualquer pressa numa edição precipitada.
O projecto em que me encontro empenhado pretende, debruçar-se sobre as edições editadas – a edição princeps, de 1512, a de 1518 e a de 1524, bem como, a de 1564 – analisando as diferenças. Pretendo, igualmente, efectuar um estudo sobre a iconografia das três primeiras edições.
Enfim, uma obra que foi ultrapassada. O projecto não foi abandonado, continua o seu caminho, esperando ver a luz do dia em 2012.
Para já, aguardo, com curiosidade, a edição prometida pela Editora Campo das Letras, que, de acordo com a newsletter que me enviou há dias, espera publicar até ao final do mês.
Estranho, no entanto, que a imagem da portada da obra de Damião, escolhida para a tradução portuguesa não seja a da edição princeps de 1512, (a primeira), mas, a terceira, de 1524.
Apesar de tudo, desejo ao autor desta tradução, o açoreano Nuno Sá, as maiores felicidades pelo seu trabalho.