«Hoje praticamente não jogo, uma vez que não gosto de o fazer com a ajuda de computadores, e, por isso sinto-me em desvantagem, logo, não prefiro não o fazer», justifica o [também] actor, [conhecido como Álvaro Faria] que começou a praticar xadrez um pouco por acaso: «Comecei de uma forma um pouco estúpida. Como não tinha muito jeito para o futebol nunca era chamado para jogar e um dia aproveitei a oferta de um tabuleiro em papel de uma revista e comecei a jogar xadrez com os amigosnos intervalos da escola. Depois ganhei gosto e fui convidado a entrar na equipa do Benfica, o que foi curioso porque sou sportinguista». Desde 1991 que não perde uma partida nos torneios por correspondência.
Recebi o seguinte correio electrónico de John, da The Chess Academy.
Ela é a primeira mulher grande mestre de xadrez do undo. Não nasceu com um cérebro brilhante, mas chegou a esse estágio por meio de uma experiência educacional extraordinária a que foi submetida durante a infância.
Li no blogue umblogsobrekleist [29.05.2007] o seguinte
XADREZ: Segundo o livro Life of Paul Morphy in the Vieux Carré of New-Orleans and Abroad, de Regina Morphy-Voitier, o lendário xadrezista Paul Morphy tinha por hábito andar de um lado para o outro na varanda da sua casa, murmurando as palavras «Il plantera la bannière de Castille sur les murs de Madrid au cri de Ville gagnée, et le petit Roi s’en ira tout penaud». Até hoje, ninguém foi capaz de determinar a origem desta citação, de acordo com o historiador de xadrez Edward Winter.
(Contextualização nº 1: Paul Morphy (1837-1884) foi um dos jogadores mais otáveis da segunda metade do século XIX. Os Estados Unidos da América produzem campeões de xadrez de classe mundial com exasperante infrequência. Quando o fazem, porém, nunca se trata de um mangas-de-alpaca banalmente genial: a aura de mistério e um carisma mais ou menos delirante estão garantidos.)
(Contextualização nº 2: Edward Winter é conhecido por levar a atenção pelo detalhe irrelevante a níveis que poucos se atrevem a tentar superar. Pode-se contar com ele para devotar dezenas de linhas à ortografia do nome de um amador que empatou com Capablanca numa simultânea, ou aos licores servidos num banquete onde participou Lasker. As suas Chess Notes são um manancial de esdrúxula erudição.)
Estimados Senhores,
Vi com agrado a vossa peça sobre a Escola 31 de Janeiro, na Parede, transmitido ontem 5ª feira, cerca das 19.50 horas.
A reportagem, não obstante ser curta, foi elucidativa do projecto que se desenvolve naquela escola, pelo prof de xadrez Victor Guerra e acarinhada pelo director da escola, Vitor Rodrigues.
A Sicnotícias está de parabéns pela reportagem, como aliás, o jornal Público que dias antes lhe tinha dedicado 2 páginas. Estes dois órgãos de comunicação social restaram, a meu ver, um verdadeiro serviço público, ao divulgar um projecto inovador ao nível do ensino, e, logo privado, o que não deixa de ser curioso, de uma modalidade tão esquecida e com tão grande entusiasmo dos jovens estudantes, como se pode ver na reportagem da Sicnotícias. Não esqueçamos as palavras finais do director da Escola, Vitor Rodrigues, ao afirmar que «agora somos procurados pelo xadrez».
A razão que me leva a escrever-vos é pretender obter o vídeo dessa reportagem que não consegui encontrar na colecção de vídeos que disponibilizam no sítio da Sic.
Antecipadamente grato, apresento os meus cumprimentos.
Francisco Vieira
«Mientras paseaba con algunos jugadores y componentes del Linex-Magic el pasado lunes por Calviá, después de vencer en el Campeonato de España por Equipos, compré un periódico mallorquín: dedicaba veinte páginas completas a la victoria del motorista Jorge Lorenzo, nacido en la isla. Algo que me llamó la atención fue que un redactor comparaba a Lorenzo en cuanto a talento y precocidad con Mozart y el ajedrecista Bobby Fischer: trazó una semblanza biográfica de Lorenzo y lo comparó con los dos genios mencionados, de los que escribía con solvencia y conocimiento (por lo menos de Fischer, que es de lo que más uno entiende).»
Apelando ao precioso empenho diplomático de cooperação multilateral, defendemos que os debates a encetar deverão convergir para um desporto europeu mais consensual e menos divisionário, estimulando o equilíbrio e evitando clivagens. Portanto, as questões irão situar-se em torno das dimensões educativa, ética e económica. Essencialmente, aposta-se na formação de jovens, financiamento do desporto, violência associada ao desporto, integração pela actividade desportiva, organização do desporto, as iniciativas de voluntariado, as qualificações na área do desporto e, fim último, a actividade física e politicas de saúde.
Todavia, ainda que procuremos mais modernidade e inovação, é necessário conjugar a perspectiva progressista com outra de pendor mais conservador, em respeito pelo Modelo Europeu de Desporto. Assim, alega-se que a abordagem específica ao alto rendimento e ao movimento associativo desportivo, que são a raiz mais profunda do desporto na Europa, deveria assumir um lugar de destaque na agenda prevista para o desporto durante a presidência portuguesa. [sublinhados meus]
Agradeço ao António Castanheira ter alertado que o blogue Ala de Rei só permitir comentários a quem esteja registado. Já alterei a situação, assim, qualquer interessado poderá colocar um comentário no blogue usando da urbanidade, isto é, não utilizando insultos ou expressões menos correctas ou ofensivas da dignidade dos leitores.
António P. Santos lembra na sua coluna diária sobre xadrez no Diário de Notícias de hoje, que o Mestre Internacional português Joaquim Durão (na foto, durante a fase preliminar do Nacional Absoluto 2007) completa hoje 77 anos.
«Durão foi campeão nacional por 13 vezes, um recorde dificilmente ultrapássvel embora o MI António Fernandes (11 títulos) se esteja a esforçar.O ano de 1957 foi uma das melhores épocas do mestre português que, para participar em torneios ou em eventos de divulgação, viajou para 7 países e para as ex-províncias ultramarinas de Angola e Moçambique. A esse respeito, um jornal desportivo considerou-o o mais viajado desportista português desse ano. Notável, numa época em que o xadrez quase não tinha expressão.»
João Pimentel e Paulo Nunes, ambos da Esc Sup de Educação de Viseu, publicaram na revista Estudos, sobre Pedagogia do Desporto, 7, o artigo Influência da Proveniência na Cultura Desportiva dos Jovens, no qual defendem que
A educação da criança inicia-se ainda no meio familiar, aí se integram várias dimensões educativas: cognitivas, afectivas, sociais e motoras. Até ao início da educação formal, toda a actividade formativa e a estruturação do comportamento motor é da responsabilidade da família. Quando entra para a escola, passa a ter um acompanhamento educativo especializado, cabendo a educação motora e do próprio corpo à disciplina de Educação Física.
O Min. da Educação determina que o programa de Educação Física seja igual em todas as escolas, através de um modelo de programa que contém duas partes distintas de matérias; uma parte é comum a todas as escolas e anos de escolaridade; a outra consiste em modalidades desportivas alternativas, a adoptar localmente pelo grupo de Educação Física.
A parte comum, que se refere basicamente às modalidades desportivas tradicionais e podem ser praticadas em todas as escolas, garante, não só a necessária homogeneidade do currículo a determinado nível de desenvolvimento, mas também a atribuição a cada escola dos meios necessários ao desenvolvimento dessas matérias.
As modalidades desportivas alternativas, a adoptar localmente, permitirão o aproveitamento das características próprias ou condições espaciais existentes em cada escola e na respectiva região.
(…)
O conhecimento das preferências e das rejeições das diferentes modalidade desportivas por parte dos alunos é fundamental para garantir a motivação e, em consequência, a aprendizagem e performance desportivas, já que estas são determinadas sobretudo pela intensidade e características da motivação e, como refere Cratty, «a motivação muda de actividade para actividade».
Se os alunos praticam modalidades de sua livre escolha, sentir-se-ão mais motivados o que leva a um intenso empenhamento na prática e, em consequência, a uma maior aprendizagem dessas modalidades desportivas. Ao contrário, a prática de modalidades desportivas de que não se goste desmotiva o aluno e reduz a intensidade e persistência do seu empenho, o que afecta a qualidade de execução e a aprendizagem das mesmas.
In Introdução de Influência da Proveniência na Cultura Desportiva dos Jovens
A nível desportivo, inclusão do xadrez no Desporto Escolar, como modalidade desportiva, distribuindo peças e tabuleiros pelas Escolas Básicas e Secundárias de Portugal;
A nível educativo, inclusão do xadrez na Estrutura Curricular de Ensino, como uma disciplina escolar, com avaliação, em todas as Escolas do Ensino Básico e Secundário de Portugal.
Avançou-se muito ao nível do pensamento lógico, da argumentação. E por causa dos jogos e dos torneios, os miúdos habituam-se a saber ganhar e a saber perder».
A aula é de Matemática, só que no quadro branco não estão algarismos, nem contas, mas um enorme tabuleiro de xadrez colado e algumas peças. Perante duas dezenas de alunos do 2.º ano, o professor Vitor Guerra faz a revisão da matéria dada na semana anterior. Como se pode mover o bispo, o cavalo e a torre? Pergunta quem quer ir mostrar e são vinte braços espetados no ar, acompanhados de muitas vozes a pedir: “Eu! Eu! Eu!”.
Vitor Guerra, responsável pelo ensino do xadrez na Escola 31 de Janeiro, numprojecto que faz pioneiro no país este quase centenário colégio na Parede, tenta convencer os alunos a trocar um peão por um bispo ou um cavalo por uma rainha,. Fazem-se as contas aos pontos de cada peça e exercita-se o cálculo.
(…)
Há quatro anos que o xadrez faz parte do currículo do ensino básico (no 1º ciclo integra a componente da Matemática) e todos os quase 400 alunos da Escola 31 de Janeiro, do 2º ao 9º ano, têm obrigatoriamente de frequentar esta disciplina. É aliás, uma actividade levada tão a sério que tem programa – da posição inicial das peças à técnida co mate com 2 cavalos aprendida no último ano – e é sujeita a avaliação.
«Há seis, sete anos começámos a sentir que havia alguns problemas com a Matemática. Por outro lado, notávamos que os alunos davam muitas opiniões mas eram incapazes de argumentar. Não conseguiam construir um caminho para chegar a uma conclusão. Sabíamos de experiências do uso do xadreez em escolas lá fora e decidimos avançar», explica Vitor Rodrigues, director da escola.
E ao fim de quatro anos, Vitor Rodrigues não tem dúvidas de que se notam melhorias, sobretudo entre os alunos que já praticam há mais tempo. «Avançou-se muito ao nível do pensamento lógico, da argumentação. E por causa dos jogos e dos torneios, os miúdos habituam-se a saber ganhar e a saber perder».
Formado em Matemática, jogador profissional, árbitro e professor de xadrez, Vitor Guerra é o reponsável por este projecto – este ano iniciou-se num outro colégio em Sintra – praticamente desde o início. «Há estudos que indicam que, com a prática do xadrez, há um implemento de 12 a 15% na melhoria dos resultados escolares. Sobretudo entre os que praticam com regularidade e se preparam para os torneios».
Na turma que se segue, do 4º ano, Vitor Guerra já identificou os dois alunos que gostaria que tivessem uma preoaração especial. É que para além da hora semanal frequentada por todos, há cerca de 80 que, por demonstrarem grande interesse ou apetência, têm aulas de apoio à competição, em horário pós-lectivo.Inês, 9 anos, é uma delas. Aprendeu a jogar com o avô, começou a praticar na escola e agora garante que já lhe ganha. «Gosto de jogar porque se pode fazer truques em que as peças ficam encurraladas e comer», explica.
Já são visíveis frutos do investimento feito e uma equipa do escalão de menores de 10 anos venceu este ano o torneio mundial de escolas, na República Checa [como o Ala de Rei na devida altura noticiou]. Para muitos, o xadrez tornou-se mais do que uma disciplina e não é raro encontrar alunos a jogar nos intervalos, nos pátios e corredores da escola.
Dentro da sala, a prática também é levada a sério. Frente a frente, 26 alunos do 4º ano protagonizam 13 jogos em simultâneo, como se de um torneio se tratasse. Há uma folha de registo das jogadas para cada um e na mesa só há lugar para o tabuleiro, o lápis, a borracha e o afia. «Estão prontos? Silêncio. Cumprimentem-se [neste momento todos apertam a mão ao seu "adversário]. Podem começar», indica o professor. Ouve-se pouquissimo barulho na sala, mas Tomás tem dificuldade em concentrar-se e pede a Vitor que faça os colegas falar mais baixo.
A partir de três, quatro anos de experiência, estes alunos já têm uma grande capacidade de concentração e conseguem ficar três horas a jogar», explica. E a ideia é começar ainda mnais cedo, diz Vitor Rodrigues. «Dentro de dois anos esperamos começar com o xadrez como matéria obrigatória logo a partir dso 1º ano. Mas isto implica mudanças na aprendizagem ao nível do pré-escolar».
E se no início as famílias estranharam, «agora procuram-nos por causa do xadrez», afirma o director.