Senhor Secretário de Estado da Juventude e do Desporto,
Perante a dificuldade em encontrar um despacho da sua autoria, venho por este meio manifestar o meu interesse em aceder ao conteúdo do Despacho nº 1/SEJD/2005, do passado dia 21 de Setembro de 2005 (se possível em pdf). Antecipadamente grato pela melhor atenção a este meu pedido.
E, já agora que lhe escrevo estas linhas, quaisquer textos, artigos ou outros que entenda conveniente para melhor esclarecer esta questão da “nacionalidade europeia”, seria bem vinco. É que não entendo, já que por nacionalidade só conheço (actualmente na União Europeia) vinte e sete. É, por isso, do meu ponto de vista, no mínimo confuso.
Sei que, por via do seu Despacho, o Instituto do Desporto de Portugal (IDP) tem estado a contactar algumas Federações Desportivas no sentido de alterar os seus regulamentos (p.ex. FP Bilhar, FP Xadrez).
Ora, do meu ponto de vista a questão é controversa, e, creio não estar clarificada a questão da “utilização de estrangeiros”, nas provas nacionais que dão, directa ou indirectamente, acesso a título de Campeão Nacional. Por exemplo, nas provas individuais cada Associação Distrital de uma modalidade poder determinar, de acordo, com o seu (distrital) regulamento, quem (estrangeiro/nacional) pode participar nas provas, e isto é uma forma discricionária dentro da modalidade, variando de Distrital para Distrital, ou entre modalidades, e, por isso, discriminatória. E, se a “prova nacional” tiver duas fases (Preliminar e Final), permitir estrangeiros na primeira e não na segunda é errado e não discriminatório. Porquanto, como convirá, não fará sentido atribuir o tíitulo de Campeão Nacional [de PORTUGAL] da Maratona a um queniano ou o título de Campeão Nacional Individual Absoluto de Xadrez a um ucraniano ou mesmo a um espanhol. Há aqui, permita-me a franqueza, uma confusão interpretativa dos regulamentos senão uma “fundamentalismo multicultural”, como já lhe ouvi chamar.
É que, Senhor Secretário de Estado da Juventude e do Desporto, ainda existem nações e países na União Europeia e… no Mundo.
Quanto ao xadrez , não obstante o lema da Fédération Intertional des Échecs (FIDE), ser Gens Una Sumus, Portugal ainda não deixou de ser uma nação, não obstante, haver quem gostasse de nos tornar uma “província espanhola”.
Questão última, já agora, e, se me permite o plebeísmo, à boleia, lastimo muito sinceramente que o Senhor Secretário de Estado da Juventude e do Desporto ande pelo país a distribuir mini-campos de futebol, a sua “medida 4″ e não encontre umas peças e uns tabuleiros de xadrez a distribuir por 100 escolas do seu país. Mas, e com isto termino citando, Jorge Luis Borges.
O homem deixou de jogar xadrez e passou a jogar futebol. É um símbolo da degradação social.
Com os meus cumprimentos.
Francisco Vieira
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A Carta foi enviada com cópia para a FPX, Jornal de Xadrez 16×16 e Carlos Sirgado. Até ao momento não recebi qualquer resposta do Gabinete do Secretário de Estado da Juventude e do Desporto. Por isso, resolvi tornar pública esta carta.